Onde você guarda o seu machismo?


De novo uma polêmica entre homens tidos como politicamente corretos e de esquerda versus as feministas (sempre elas!) para nos lembrar — a nós, feministas — que a nossa autonomia, respeito e liberdade será conquistada apenas por nós mesmas com, no máximo, o apoio solidário e/ou crítico (bem mais provável) de nossos companheiros e camaradas homens, e — a nós, esquerda — que ou abraçamos de verdade a luta emancipatória das mulheres como bandeira ou nunca teremos autonomia e emancipação de classe.

Rir de nós mesmos e de nossas contradições é saudável e nos ajuda a sobreviver neste mundo, mas concordar com desrespeito e o reforço dos estereótipos não é humor. E quem é quem tem a medida do preconceito? Quem determina até onde é humor e quando passa para desrespeito? São os brancos(as) quem têm a medida do racismo nas piadas racistas? São os héteros(as) quem têm a medida da homofobia nas piadas homofóbicas? São os homens que têm a medida do machismo nas piadas machistas? Não, óbvio. Quem sofre o preconceito, quem é discriminado é que está mais habilitado a delimitar o que é humor e até onde é possível rir de si e suas características. E é justo que seja assim.

É cômodo para os homens da chamada esquerda estarem ao lado das feministas nos casos recentes que envolveram o “humorista” Rafinha Bastos — amamentação e estupro –, uma vez que ele não é esquerda. No caso do Luis Nassif, idem, e quase todos os chamados “progressistas” (odeio esse termo, mas já que se auto denominam assim, vá lá) tentaram atenuar sua atitude no caso das “feminazi” e ficaram as feministas — na verdade apenas algumas delas como quase sempre — como as radicais, patrulheiras, as que enxovalham a honra de um homem respeitável por causa de um mero escorregão (ironia mode on). No caso do crítico de cinema Pablo Villaça, que rolou nesse final de semana, de novo são as feministas as radicais, chatas e sem senso de humor que não entendem uma piada “normal” e atacam o pobre homem que só estava brincando. Ô, dó!

O que vi acontecer foi de novo a reunião dos machos em torno do “companheiro” (termo usado aqui para explicitar a solidariedade masculina, entre gêneros) que caiu nas garras das demoníacas feministas que fizeram nada além do que evidenciar o que ele mesmo estava dizendo. Os tuítes do Pablo Villaça foram escritos por ele, ninguém o obrigou a raciocinar daquela forma e articular aquelas frases carregadas de machismo. De que adianta ele ter escrito textos antimachistas antes (dizem que escreveu, eu nunca li) se não aprendeu nada e a motivação para escrever tais textos não serviram para mudar seu comportamento? Mas o que realmente me preocupa é ver homens que se dizem esquerda embarcando no jogo de vítima do cara. Bastou chamar de feminista radical para ganhar razão, como se nós precisássemos ser de um determinado jeito ou nos comportarmos de maneira pré-aprovada pelos homens para termos algum tipo de respeito ou consideração por nossa luta.

Cabe a pergunta: Basta se dizer antimachista para ser? O que faz alguém ser antimachista, antihomofóbico e antirracista são suas atitudes cotidianas no combate ao que seria natural, a produção e a reprodução dos preconceitos existentes na sociedade em que estamos inseridos. É preciso, sim, autovigilância e quando esta falha sobra o papel de chato(a), de patrulheiro(a) do comportamento politicamente correto para nós que sofremos o preconceito e sabemos onde é que o calo aperta. E como esse calo aperta e dói! Ou basta se dizer de esquerda para estar a salvo da produção e reprodução dos preconceitos presentes na sociedade? Onde a esquerda guarda (guarda?) o seu machismo? Onde VOCÊ guarda o seu machismo?

A imensa diferença desse nosso tempo para dez, vinte anos atrás é que hoje as piadinhas ditas antigamente nos bares, nas conversas de corredor por fora dos discursos oficiais dos valorosos companheiros da esquerda, é a existência da web e suas redes sociais. Elas viraram os corredores e bares da atualidade e aquilo que é dito num tuíte não seria, obviamente, elaborado num texto (discurso) do blog ou publicado no artigo. E é aqui que a coisa pega, porque esses bares e corredores atuais reverberam, tem eco, e a palavra escrita tem um peso imensamente maior do que a falada. Um tuíte é capaz de revelar aquele teu preconceitosinho que estava escondido, abafado, lá no fundinho do teu ser. Detalhe: E mesmo que você decida apagá-lo depois que percebeu o escorregão, alguém pode tê-lo salvo e te lembrará dele para o resto da vida.

Cansada demais dessa esquerda torpe, machista, homofóbica, racista que vive se negando para poder continuar se dizendo esquerda. Não estou cansada das pessoas, mas do comportamento. Somos todos humanos e passíveis do erro. Aliás, dizem que a capacidade mais intrínseca do ser humano é o erro e o que nos diferencia (o que pode nos diferenciar) é o que fazemos com nossos erros. O erro maior do Pablo Villaça não foi a piada idiota que ele reproduziu, mas o que ele fez quando foi criticado por ela, quando o seu “escorregão” foi identificado e evidenciado.

E sabem por que é tão difícil perceber que o Pablo Villaça foi machista e sua reação foi abominável? Porque reconhecer isso é reconhecer o próprio machismo, reconhecer que achou graça na piadinha idiota e machista que ele divulgou e é se reconhecer também machista. “Ôpa! Eu, machista??? Nãããooo. Eu sou de esquerda!” — Oi?

Fica aí o conselho da Lola Aronovich :: “Todo mundo escorrega e é machista às vezes. Acontece. Mas se alguém te critica por isso, saiba ouvir. Reflita. Peça desculpas.” Seria muito mais producente para a luta da esquerda se pudéssemos parar de gastar tempo e energia em lembrar os nossos camaradas e companheiros que um dos pilares de sustentação da opressão de classe é a opressão de gênero. Seria mais producente também que os nossos camaradas e companheiros revertessem a energia que gastam tentando nos transformar nas vilãs das suas histórias e manifestações misóginas em autovigilância do próprio machismo.

Numa brincadeira carregada de ironia, a Carina Prates tuitou sobre “o feminismo ideal” (leia de baixo para cima):

E ainda acrescentou:

E ainda dizem que não temos humor…

.

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Sobre Niara de Oliveira

Ardida como pimenta com limão! Jornalista marginal, chaaaaaaata, comunista, libertária, biscate feminista, amante do cinema, "meio intelectual meio de esquerda", xavante, mãe do Calvin, gaúcha de Satolep, avulsa no mundo. Ver todos os artigos de Niara de Oliveira

43 respostas para “Onde você guarda o seu machismo?

  • Gilson

    Bem um sujeito que sempre defendeu minoriais e ainda faz aquela piada ou tá equivocado na defesa das minorias ou na piada.

    A tal auto-critica que a “esquerda” e o “progessismo’ deveriam ter deve ter tido a aula cortada pro falta de verbas.

    O malaco foi machista, o que em regra todos nós machos da espécie somos, e bastava ter dito”Ops, fiz cagada, malaê!” foda-se se a reação foi maior do que a que ELE esperava e alguns forma mais duros que outros, quem é atingido e´em geral mais violento do que o fofo sentado em seu volumoso sofá.

    Foi uma piada inocente? Não, diria péssima pq piada nenhuma é inocente e se um”crítico” não sabe disso ou ele não é crítico ou já tivemos críticos melhores.

    Solidariedade aê e por essas e outras que virei lésbico.

  • Gilson

    Tô com reiva de se heterossexual, branco e grandão.. vou fazer transformação e virar negão gay baixinho. ou negra mulher, favelada e baixinha.

  • Lola

    Ni, perfeito o texto. E perfeita também a historinha da Carina sobre o que constitui uma feminista ideal. É exatamente isso: o feminismo ideal é aquele que não atrapalha os homens. Na teoria é tudo lindo, quase toda pessoa de esquerda é feminista, mas quando alguém é criticado por fazer uma piadinha machista — opa, aí não, mexeram com meu privilégio! O mais ridículo é que ontem o Pablo (que surtou GERAL, e os tweets não deixam mentir) não só posou como a maior vítima da história da humanidade, como também de defensor das mulheres e feministas. Isto é, das “verdadeiras” feministas. Ele, o maior feminista do Brasil, quer salvar as mulheres de feministas “radicais” como a gente. E por que somos radicais? Porque não servimos cafezinho ou rimos de piadinhas machistas.

  • Niara de Oliveira

    Eu fui lá no tuíter do Villaça e quase vomitei. E aquela história dele dizer que estavas te divertindo com as”ameaças” a filhinha dele de 3 anos? É só alguém ter um pouquinho de trabalho e clicar nas conversas e procurar o coments em que diz ter havido a ameaça para perceber a má fé (pra dizer o mínimo). Complicado lutar por igualdade com homens assim… Te contá, viu?

  • Gilson

    Bem, ele é mais um dos que acham que cabe determinadas posturas porque não é machistão Bibelô do Angeli… Quer fazer piada machista, racista,s existas, homofóbica? tem de segurar a peteca ou fazê-las me um nível de ironia tão auto-depreciativo e enorme que poucos gênios conseguem.

  • Gilson

    Ah, e machismo na esquerda é mato..

  • Niara de Oliveira

    Machismo na esquerda é erva daninha. :(

  • Gilson

    Sim e não é enfrentado. Na maioria das vezes é tratado pelos homens como algo menor a ser combatido, porque ele, o homem, “não é machista, apenas comete alguns deslizes..” . Aí você tem o dirigente que transa com militantes e as trata como propriedade, militante que espanca a mulher, militante que faz piada sexista,etc…

    Enquanto a esquerda achar que a ideologia sós e aplica nas macroquestões a gente vai ficar nessa merda, pq nego que não SE transforma jamais transformará mundo algum.

  • Fabiola

    Muito bom o texto, parece difícil admitir erros não? Mais fácil soltar grosserias que ser humilde.

    Todos nos pegamos falando um preconceito sem querer, outro dia soltei um que me arrependi amargamente, parei, me desculpei, e continuei conversado. Mas me policio muito mais agora.

  • Muten Roshi

    Olha, eu tô por fora da discussão. Não defendo nenhuma de vocês, mas vai se ferrar quem fez-me ver aquela cara de cu desse Pablo Linhaça. Que cara de cu. Nossa. Ter uma conversa de cinco minutos com um cara desse deve ser uma batalha – espiritual.

  • aiaiai

    só para ficar claro (porque um dos meus queridos da TL achou q eu tinha agredido e nomeado a filha do cara), o meu tuíte que ele considerou “agressão” foi esse:

    caro @pablovillaca feliz dia dos pais. Acaso vc tem filha? Será q ela vai ser conquistada com cartão de crédito também?

    ou seja, eu nem sabia q ele tinha uma filha…apenas quis evidenciar q a piada é machista. Se não fosse, ñ teria problema algum botar a filha no meio, né não?

    IMPORTANTE: esse foi o único tuíte q mandei para ele.

  • subversiveopendiscourse

    Excelente post Niara, não poderia ser mais claro.
    Eu como feminista estou cansada, muito cansada dessas mesmas atitudes de homens que se dizem de esquerda, mas quando ameaçados em seus privilégios não aceitam criticas pq se acham perfeitos. Estamos cansadas de sermos bombardeadas pelo machismo na mídia; jornais, revistas, filmes, livros, propaganda etc. Em todo lugar mulheres objetificadas, avaliadas, criticadas, julgadas etc. Aí pensamos “não mas as pessoas da esquerda ‘progressista’ são melhores, e ai temos a ilusão que podemos escapar para os blogues de esquerda e que teremos um respiro de tanto machismo institucionalizado. E ai, vemos que o machismo está lá – mais velado – mas está. Desanimadas e frustradas, chilicamos, sim pq não aguentamos mais, em todo lugar ver os mesmo discursos.
    E ai nossos discursos são invalidados – somos loucas, barraqueiras, radicais e caralhoa4 – e por isso merecemos menos respeito, porque, afinal, feministas ‘decentes’ são aquelas que não perturbam o privilégio masculino.
    Somos nós mulheres que determinamos o que é ou não machista, pois somos NÓS AS DIRETAMENTE E PRINCIPALMENTE AFETADAS pelo machismo. É verdade, o machismo afeta a todos, mas não são os homens do alto de seus privilégios a nos dizer o que é ou não machista, sobre o que podemos ou não brigar e ‘chilicar’.

  • Niara de Oliveira

    Quando li na TL dele que a filha de três anos havia sido atacada e que a Lola estava se divertindo com isso, achei tão absurdo que fui catar para ver. Pq simplesmente era impossível. E estava certa. O tal Villaça agiu de má fé (para dizer o mínimo) para continuar o seu mimimi de estar sendo atacado pelas feministas radicais bestas-feras. Tem que ter muita paciência!

  • Gilson

    Isso é ofender a filha? Muito mimimi! na verdade o bicho chiou pq ele é olimpicamente indelével pode tudo pq jamais será machista de tão fino.

    Afe.. esse prego que entra na festa achando que pode tudo e quebra o prato é dose, viu?

  • Niara de Oliveira

    Feliz que meu desabafo é o desabafo de muitas de nós. :)

  • Lola

    É, eu falei que estava me divertindo por ter sido chamada de chefe de uma “gangue” que estava atacando criancinhas. Sendo que eu já sabia do “ataque” da Aiaiai, e não vi ataque ali. Aliás, o Pablo falou que a filha estava sofrendo “ataqueSSS”, no plural, mais de um. Ñ sei quem mais atacou, ou que tipo de ataque terrorista foi cometido. Pode ter sido o meu. Afinal, um seguidor dele mandou um RT com o meu nome em que Pablo fala da sua filha e manda uma foto; o seguidor escreveu “Que linda ela!”, e eu escrevi RT “Lindona mesmo!”. Sei que foi um ataque terrível e que Pablo precisará de anos de terapia pra se recuperar, mas não foi por mal.

  • Niara de Oliveira

    E ainda dizem que não temos humor…

  • Muten Roshi

    E o que fazer com as outras mulheres que querem ser objetificadas?

  • subversiveopendiscourse

    @Muten Roshi
    Se vc se refere a mulheres machistas, o fato de existirem mulheres que foram capturadas pela ideologia e que consciente ou inconscientemente reforçam o sistema patriarcal, não invalida a luta das mulheres e nem transforma a opressão em mentirosa.
    Um negro racista não poria em risco o fato de que existe uma hierarquia racial branca que oprime a negra, assim como a ordem heteronormativa oprime aqueles que lhe escapam.

  • Niara de Oliveira

    Deveria ter um botão “curtir” para os coments. É isso, Subversive. :)

  • Lucas de C.Ferreira (@Ldecf)

    Ele retuitou mulheres o defendendo, já que ele é um cara muito feminista. Só que ele esquece que existem mulheres machistas assim como existem gays homofóbicos, vide Clodovil.

  • Muten Roshi

    Comprar com cartão de crédito é opressão? Nem com dinheiro é. Opressão seria não pagar ou ficar devendo. Prostituição é uma escolha, às vezes mais honesta do que certos jogos sociais. A mulher está tão suja quanto o homem, nesse aspecto. Suponha que o homem seja de fato o diabo, como vocês querem pintar, e a mulher seja alguém prestes a vender sua alma a ele. Apenas o diabo tem culpa? Alguns diriam que o diabo nem existe. Apenas homens e mulheres.

  • Gilson

    Seu Muten, por gentileza, rime lé com cré, dê um desconto pra nossa inteligencia, quebra essa pra rapaziada que a besteirada na faixa dói nos oio, belezura?

    Comprar com cartão de crédito é opressão? Não, mas sugerir que mulheres são apenas consumo é.

    Sobre a questão da prostituição e tentativa jegue night de sugerir que nego tá pintando o homem como diabo vou passar porque na modesta opinião do cabra acá vossa senhoria só pode estar de sacanagem.

  • Niara de Oliveira

    Ninguém pintou o homem que tenta ou compra mulher com cartão ou dinheiro como diabo. A discussão central dessa polêmica foi muito além dessa piada infeliz, que no final das contas é apenas isso, uma piada infeliz. A tal propaganda sugere que mulheres são ganhas com um olhar ou um bom papo e que para todas as demais existe o tal cartão de crédito. Bem, isso é reduzir demais as mulheres e passa a ideia conservadora que as mulheres são conquistadas, como prêmio, prenda ou sei lá o quê. Tão demodê, tão século passado antes da liberação das mulheres pós pílula anticoncepcional que nem vale a pena comentar mais. As pessoas — homens e mulheres, homens e homens ou mulheres e mulheres, etc. — se encontram, ficam a fim um do outro e se aproximam. Determinar que esse processo ocorre apenas de uma forma tendo o macho caçador e a mulher caça é muito ridículo e, sinceramente, não funciona como piada. E quem diz isso é uma pessoa fã do humor tosco e politicamente incorreto.
    Mas o centro dessa polêmica toda ficou na reação obtusa do Villaça ao ser criticado por ter divulgado essa piada de humor duvidoso. O cara não aceita pessoas que pensem diferente e está desde ontem distribuindo bloks em seu tuíter a todos que tentam ponderar qualquer coisa a respeito. Eu nem perco meu tempo seguindo-o ou ponderando qualquer coisa porque acho perda de tempo e energia.

  • morleausan

    É engraçado mas você se refere aos homens como “machos” restringindo-nos a um mero animal, logo, com atitudes irracionais (como amar uma mulher, mas isso não vem ao caso, é minha opinão). rsrsr Só que, o Pablo é de esquerda e já defendeu muitas minorias. E eu discordo muitos de quase tudo que ele fala. Porém, ele não criou a piada, não fez aquela imagem, apenas a contou, como qualquer humorista faz.

    Aliás, como qualquer mulher fala sobre os homens, referindo à eles como “machos”, trogloditas, homens da idade da pedra, preguiçosos (ou não é este o estereótipo usados nos programas humorísticos?) Nas propagandas de tv (bombril, alguém?)

    “O que faz alguém ser antimachista, antihomofóbico e antirracista são suas atitudes cotidianas no combate ao que seria natural,”

    POis bem, o Pablo utiliza seu prestígio como crítico e seu blog (um lugar visitado por muita gente, já que cinema é uma das buscas mais procuradas na net), para divulgar a luta contra minorias. Agora, o que você faz no dia a dia para ajudar as minorias?

    Por acaso visita os pobres? Os desabrigados? Como comunista é contra a religião também (tem comunista que é, tem aqueles que não são)? Só que muitos religiosos doam seus tempos para fazer comida e percorrer as ruas de noite, a pé (o jogador Roberto Brum, ex santos futebol clube, fazia isso) e ninguém divulgava (e nem ele fazia questão de divulgar).

    Agora, você acusa um pai de família de ser o que ele não é.

    E pior! Você comete uma injustiça ao apontar o dedo e julgar uma pessoa com base em um “tuíte” de centenas, milhares. Como se uma imagem fosse a representação de tudo o que ele é. De tudo o que o pai da filha dele é. Isso é injustiça. É definir uma pessoa por um pedaço, julgado errado por você e que, mesmo se você estivesse certa, seria nem 1% do que o Pablo é.

    E a discussão deveria ficar entre você e ele. Jogou o noem de um pai de família na lama e ainda chafurdou nela. Por isso mesmo, você deve desculpas.

  • Niara de Oliveira

    Êpa, êpa, êpa! Essa discussão não foi entre eu e o Villaça. Foi entre ele e a Lola e outras pessoas.
    Além disso, eu abordei outro aspecto completamente diferente e muito mais amplo do que a tal piada idiota que nunca disse que foi ele quem criou ou qualquer coisa parecida.
    Villaça virou humorista??? Poutzzz… Não sabia.
    Para quem me acusa de julgar alguém (gostaria que me apontasse onde fiz isso), me julgastes rapidinho sem saber NADA da minha vida, embora eu me exponha bastante aqui.
    Ahhhh… É a primeira vez que vens aqui e nem és meu leitor, né? Como poderias saber… Desculpe-me!
    Venha sempre, viu? Comunistas não mordem (virtualmente seria impossível mesmo)

  • Gilson

    O fã clube do cabra podia ao menos ler o que foi colocado aqui, pela Lola,etc.. ler e interpretar ajudava, viu? Ma beleza, nego só quer seguir o espirito de manda.

  • subversiveopendiscourse

    Para alguém que acredita que prostituição é uma escolha e que “a mulher é tão suja quanto o homem”, não há nada mais a argumentar, posto que essa pessoa ou é ingênua ou muito mal informada, o que resulta apenas em discussão bizantina e perda de tempo.

    Parece-me que essa visão do ativista de esquerda pobre coitado que defende minorias mas não é machista nem nunca será, tem se espalhado bastante expressivamente entre os blogueiros de esquerda, achando que porque citaram Simone de Beauvoir uma ou outra vez, ou conhecem algumas siglas de instituições ativistas feministas, ou ainda porque postaram alguns posts antimachistas, fizeram deles super-heróis feministas, que nunca erraram e nem errarão. Posto que geralmente essas pessoas são aquelas à beira do movimento feminista, que nada sabem de suas atividades ou mesmo que não estavam nas marchas e nem nas conferências, poder-se-ia dizer que simplesmente porque são homens detém mais “força ativista” que suas colegas (as “histéricas radicais feministas”) – justamente aquelas que há anos lutam pela causa, e que por isso detém mais propriedade na identificação de discursos machistas.
    Fosse o embate com Débora Diniz, Cynthia Semíramis ou Vange Leonel, o resultado seria o mesmo: loucas histéricas radicais.

  • Gilson

    Moça, assino embaixo.

  • conakel

    “Feminista ideal”. Também há um “homem aliado ideal”. Ele nunca faz críticas. Nunca, não importa a circunstância ou o contexto.

  • Marcela

    Ah, sempre gostei dele. Li muitas críticas nas quais blogs machistas acusam pablo villaça de ser feminista. O cara exagerou nas reações e vocês mais ainda. Eu ainda o acho defensor das minorias, eu conheço ele, (os textos) e posso afirmar isso. voce não.

  • Gustavo Maciel

    A mesma piada pode ter sentidos diferentes, dependendo de quem conta. Quando Pablo Villaça conta aquela piada, o OBJETO da piada deixa de ser a Mulher, e passa a ser ele mesmo. Porque sabemos que, obviamente, ele não acredita que a maioria das mulheres pode ser comprada, e ele está brincando consigo mesmo. O problema é que só podem fazer essa interpretação aqueles (e aquelas) que o conhecem. É como se fosse uma piada interna. Mas quando você conta uma piada interna para 9 mil pessoas, o resultado pode não ser o que se espera.

  • Niara de Oliveira

    Buenas, Marcela, o Villaça não está falando apenas com quem o conhece. Eu também não. E a questão não é quem é bom ou mau, certo ou errado, conhecido ou desconhecido. Nossas atitudes falam por nós, nossos textos também. Não costumo ler o Villaça e depois dessa reação dele, não tenho vontade nenhum de lê-lo. Nunca saberei se ele defende minorias ou não. Mas o fato dele defender minorias não o imuniza para atacá-las. Ele achou que sim e como não sabe ouvir críticas, se descontrolou. Lamentável. Mas, ó, a romaria dos seus defensores pode continuar vindo aqui. Desde que não ofendam diretamente ninguém, publico comentários contrários ao que escrevo sem nenhum problema.

  • Niara de Oliveira

    Hummmm… Pelo visto te sentiste atingido pela minha crítica, Conrado. Os homens estão sempre nos criticando (as feministas) e estamos sempre discutindo. Não teve e não tem essa de não aceitar críticas. Teu comentário está aí, como sempre estiveram todos os teus aqui no Pimenta, concordando ou não comigo. ;-)

  • Gilson

    Bem se homem aliado ideal é chamar a s mulheres que não são eleitas de vagabundas compráveis temos compreensão dispare do sentido do termo “aliado”, se o cara fez uma auto-ironia foi péssima, mas esse nem é o problema, se fosse auto-ironia ou crítica e ele se colocasse estava beleza,a mas não ele manteve como se não tivesse nada errado e como se todos os que o criticassem fossem imbecis ou raivosos, da mesma maneira que vejo seus fãs fazerem aqui, um apoio acrítico, uma manada..

    Tenho problemas com cargos e capacidades de compreensão, se um sujeito se auto-proclama crítico e faz uma autoironia feita baseada em uma piada muito ruim, sexista e de péssimo gosto ele tem problemas. Porque na piada não há critica e nem auto-ironia e nem na maneira como ele a contou.,

    E se este homem é um homem aliado fazendo critica qual é a critica? está na piada ou na desqualificação de quem a achou machista como imbecil grosso e radical?

    Sei que tá na moda a defesa inconteste de qualquer cagada dos “aliados” e “caras” por aí.E sie tb que tá na moda se ofender com crtica e responder com ironia de quinta estilo ““Feminista ideal”. Também há um “homem aliado ideal”. Ele nunca faz críticas. Nunca, não importa a circunstância ou o contexto.”, mas é de bom tom segurar na acrobacia defensória e na tentativa de desqualificar o discurso do outro com posturas até inteligentes, mas com conteúdo mais vazio que bolso de pobre. A inteligencia da rapaziada não é penico.

    O cara pode nãos er um machista contumaz, mas contou uma péssima piada machista, sem auto-ironia, sem auto-desqualificação, bastava dizer um “foi mal”, mas preferiu pagar de divindade supersônica atacada pro “feminazis” furiosas e pior está sendo apoiado nisso o que nos faz constatar que a manada é grande.

  • subversiveopendiscourse

    @Gilson Disse tudo o que eu queria e mais um pouco!

    O ponto é: tá mt difícil viver ‘sem’ seus privilégios? se sentiu ameaçado? excluído? BEM-VINDO AO MEU MUNDO e ao mundo de todas as mulheres, mon cher.
    Só que vc se sente em “perigo” ou “quase desempoderado” por um momento, já nós somos desprivilegiadas/desempoderadas por default, 24/7 no mundo todo. Igualdade seria bom né?

  • Susana Michels

    A reação do Sr. Villaça foi desproporcional. Passa a impressão de que só se pode ser grosseiro, desculpa, “brincar” com as mulheres das OUTRAS famílias, não com as da Família Dele. Elas devem ser de outra espécie… pelo menos enquanto forem da Família Dele…
    Por outro lado, se os comentários que recebeu “de volta” tivessem partido de um homem a reação teria descambado pra outro lado. Seria algo tipo: “ô meu, não ‘brinca’ com a mulé dos outros ae! Deixa as MINHAS fora!” ~ e 15 min. depois teria esquecido ~ É aquele acordo entre os homens, seja lá de que grupo forem (até esquerdistas!)
    Mas foi pior: PARTIU DE MULHERES… aí o furo é mais embaixo!
    Mulheres ousaram devolver a “brincadeira” e, ao invés de causarem REFLEXÃO, causaram um festival de desrespeito.
    Pena que não foi como no interior quando se diz: “são tiros trocados” e no final todos riem (quando há graça)
    Tudo acabou com uma reação típica machista: “Não se meta com as mulheres da Minha Família!”
    E quanto as pelegas*, no fundo ainda há nelas bastante machismo bem escondidinho. Quem sabe um dia, de tanto ouvirem as sãs, elas se curam!

  • subversiveopendiscourse

    A propósito, a Lola twitou que eles fizeram as pazes.

  • Niara de Oliveira

    Tuitou ontem (essa madrugada).

  • Muten Roshi

    Mentira. Eu não faria.

  • Amanditas

    Nossa. Se a cada piada machista a gente pudesse reagir dessa forma estaria ótimo. Aliás, sempre que eu ouvir uma piada machista de alguém que eu não espereva, vou enviar esse link aqui. Muito bom. Bejos.

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