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Onde você guarda o seu machismo?


De novo uma polêmica entre homens tidos como politicamente corretos e de esquerda versus as feministas (sempre elas!) para nos lembrar — a nós, feministas — que a nossa autonomia, respeito e liberdade será conquistada apenas por nós mesmas com, no máximo, o apoio solidário e/ou crítico (bem mais provável) de nossos companheiros e camaradas homens, e — a nós, esquerda — que ou abraçamos de verdade a luta emancipatória das mulheres como bandeira ou nunca teremos autonomia e emancipação de classe.

Rir de nós mesmos e de nossas contradições é saudável e nos ajuda a sobreviver neste mundo, mas concordar com desrespeito e o reforço dos estereótipos não é humor. E quem é quem tem a medida do preconceito? Quem determina até onde é humor e quando passa para desrespeito? São os brancos(as) quem têm a medida do racismo nas piadas racistas? São os héteros(as) quem têm a medida da homofobia nas piadas homofóbicas? São os homens que têm a medida do machismo nas piadas machistas? Não, óbvio. Quem sofre o preconceito, quem é discriminado é que está mais habilitado a delimitar o que é humor e até onde é possível rir de si e suas características. E é justo que seja assim.

É cômodo para os homens da chamada esquerda estarem ao lado das feministas nos casos recentes que envolveram o “humorista” Rafinha Bastos — amamentação e estupro –, uma vez que ele não é esquerda. No caso do Luis Nassif, idem, e quase todos os chamados “progressistas” (odeio esse termo, mas já que se auto denominam assim, vá lá) tentaram atenuar sua atitude no caso das “feminazi” e ficaram as feministas — na verdade apenas algumas delas como quase sempre — como as radicais, patrulheiras, as que enxovalham a honra de um homem respeitável por causa de um mero escorregão (ironia mode on). No caso do crítico de cinema Pablo Villaça, que rolou nesse final de semana, de novo são as feministas as radicais, chatas e sem senso de humor que não entendem uma piada “normal” e atacam o pobre homem que só estava brincando. Ô, dó!

O que vi acontecer foi de novo a reunião dos machos em torno do “companheiro” (termo usado aqui para explicitar a solidariedade masculina, entre gêneros) que caiu nas garras das demoníacas feministas que fizeram nada além do que evidenciar o que ele mesmo estava dizendo. Os tuítes do Pablo Villaça foram escritos por ele, ninguém o obrigou a raciocinar daquela forma e articular aquelas frases carregadas de machismo. De que adianta ele ter escrito textos antimachistas antes (dizem que escreveu, eu nunca li) se não aprendeu nada e a motivação para escrever tais textos não serviram para mudar seu comportamento? Mas o que realmente me preocupa é ver homens que se dizem esquerda embarcando no jogo de vítima do cara. Bastou chamar de feminista radical para ganhar razão, como se nós precisássemos ser de um determinado jeito ou nos comportarmos de maneira pré-aprovada pelos homens para termos algum tipo de respeito ou consideração por nossa luta.

Cabe a pergunta: Basta se dizer antimachista para ser? O que faz alguém ser antimachista, antihomofóbico e antirracista são suas atitudes cotidianas no combate ao que seria natural, a produção e a reprodução dos preconceitos existentes na sociedade em que estamos inseridos. É preciso, sim, autovigilância e quando esta falha sobra o papel de chato(a), de patrulheiro(a) do comportamento politicamente correto para nós que sofremos o preconceito e sabemos onde é que o calo aperta. E como esse calo aperta e dói! Ou basta se dizer de esquerda para estar a salvo da produção e reprodução dos preconceitos presentes na sociedade? Onde a esquerda guarda (guarda?) o seu machismo? Onde VOCÊ guarda o seu machismo?

A imensa diferença desse nosso tempo para dez, vinte anos atrás é que hoje as piadinhas ditas antigamente nos bares, nas conversas de corredor por fora dos discursos oficiais dos valorosos companheiros da esquerda, é a existência da web e suas redes sociais. Elas viraram os corredores e bares da atualidade e aquilo que é dito num tuíte não seria, obviamente, elaborado num texto (discurso) do blog ou publicado no artigo. E é aqui que a coisa pega, porque esses bares e corredores atuais reverberam, tem eco, e a palavra escrita tem um peso imensamente maior do que a falada. Um tuíte é capaz de revelar aquele teu preconceitosinho que estava escondido, abafado, lá no fundinho do teu ser. Detalhe: E mesmo que você decida apagá-lo depois que percebeu o escorregão, alguém pode tê-lo salvo e te lembrará dele para o resto da vida.

Cansada demais dessa esquerda torpe, machista, homofóbica, racista que vive se negando para poder continuar se dizendo esquerda. Não estou cansada das pessoas, mas do comportamento. Somos todos humanos e passíveis do erro. Aliás, dizem que a capacidade mais intrínseca do ser humano é o erro e o que nos diferencia (o que pode nos diferenciar) é o que fazemos com nossos erros. O erro maior do Pablo Villaça não foi a piada idiota que ele reproduziu, mas o que ele fez quando foi criticado por ela, quando o seu “escorregão” foi identificado e evidenciado.

E sabem por que é tão difícil perceber que o Pablo Villaça foi machista e sua reação foi abominável? Porque reconhecer isso é reconhecer o próprio machismo, reconhecer que achou graça na piadinha idiota e machista que ele divulgou e é se reconhecer também machista. “Ôpa! Eu, machista??? Nãããooo. Eu sou de esquerda!” — Oi?

Fica aí o conselho da Lola Aronovich :: “Todo mundo escorrega e é machista às vezes. Acontece. Mas se alguém te critica por isso, saiba ouvir. Reflita. Peça desculpas.” Seria muito mais producente para a luta da esquerda se pudéssemos parar de gastar tempo e energia em lembrar os nossos camaradas e companheiros que um dos pilares de sustentação da opressão de classe é a opressão de gênero. Seria mais producente também que os nossos camaradas e companheiros revertessem a energia que gastam tentando nos transformar nas vilãs das suas histórias e manifestações misóginas em autovigilância do próprio machismo.

Numa brincadeira carregada de ironia, a Carina Prates tuitou sobre “o feminismo ideal” (leia de baixo para cima):

E ainda acrescentou:

E ainda dizem que não temos humor…

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Partido Pirata contra as patentes do capitalismo

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Gabriela Moncau
Caros Amigos
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Criado em 2006 na Suécia e com atuação em mais de 30 países, inclusive no Brasil, a organização partidária defende a liberação dos direitos autorais e adoção de software livre na Internet.

A sociedade da informação enfrenta uma forte contradição, que é naturalizada por muitos. Por um lado, com a expansão das redes, há possibilidades que nunca existiram, como, por exemplo, o compartilhamento de cultura, conhecimento e bens imateriais. Há no mundo aproximadamente 1 bilhão de pessoas com acesso regular a computadores pessoais. Ou seja, conectadas em uma rede mundial por máquinas de replicação em alta velocidade que reproduzem fielmente, sem custo, qualquer arquivo. Por outro, há o enrijecimento das ações e legislações a favor da propriedade intelectual. Uma esquizofrenia que provoca um dos maiores embates relacionados à informação, além de representar um desafio para os que defendem a democratização da cultura, do conhecimento e dos meios de comunicação.

Com o interesse de manter a exclusividade de exploração comercial sobre os produtos, a indústria cultural elabora leis que visam conter a cópia e o compartilhamento de conteúdos. Sérgio Amadeu, sociólogo e professor da Faculdade de Comunicação Cásper Líbero, estudioso da questão da exclusão digital e do software livre, explica que as práticas de colaboração são intrínsecas à sociedade e surgiram muito antes da internet. “As pessoas não acham que estão fazendo nada errado. Esse costume sempre existiu. Antigamente, por exemplo, você pegava um vinil, colocava num aparelho de som 3 em 1, escolhia 3 ou 4 músicas, tocava o vinil, montava uma fita, levava pra uma festinha, dava pro seu amigo que copiava”, assinala.

Com o advento das redes, os controladores da indústria cultural desenvolveram diferentes estratégias de repressão. A primeira delas foi criar casos exemplares: identificavam uma pessoa que havia desenvolvido algum programa de compartilhamento ou que copiava muitos conteúdos e abriam grandes processos contra ela. Cobravam multas, ameaçavam de prisão e davam grande publicidade ao caso. As pessoas, no entanto, deram-se conta que a chance de ser identificado era irrisória. Colocaram em prática, então, processos contra um grande número de pessoas. No entanto, a popularização e o barateamento da banda larga fizeram com que a estratégia tivesse alcance limitado.

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Twitter do Partido Pirata

A polêmica sobre o filme de Lula

Depois de dois dias lendo matérias, crônicas, artigos e reportagens – de todo naipe – sobre o filme que conta trajetória do presidente Lula, e que nenhum dos críticos assistiu ainda, vou cumprir o meu papel de jornalista e mostrar o outro lado. Mostrar também o que pensam a respeito do filme pessoas favoráveis à Lula. Segue então uma pequena avaliação de José Dirceu e uma entrevista com o produtor de “Lula, o Filho do Brasil”, Luiz Carlos Barreto.

Deu a louca na imprensae

Blog do Zé Dirceu

Ainda falta mais de um mês para a estréia em circuito comercial nacional – dia 1º de janeiro – de “Lula, o Filho do Brasil”, e a mídia, que surtou já há um bom tempo a respeito (ainda antes de o filme estar concluído) continua enlouquecida em sua sanha contra a produção.

A Folha de S.Paulo chegou ao ponto de dedicar três páginas contra o filme, e não é na Ilustrada – seu caderno de arte, cultura e variedades – mas em seu caderno Brasil, o de noticiário de Política. Há trechos do material que são um verdadeiro amontoado de sandices.

Em uma das três páginas, cobra e relaciona trechos de  “Lula, o Filho do Brasil”, o livro da jornalista e escritora Denise Paraná que serviu de roteiro para o filme e que foram excluídos da obra cinematográfica. Mas não estamos todos cansados de saber que um filme normalmente tem muito menos fatos, e sintetiza o que o inspirou e lhe serviu de roteiro? Se a Folha queria um roteiro e filme diferente, porque não os encaminhou ao produtor Luiz Carlos Barreto e ao diretor, seu filho Fábio?

Para situar vocês em relação ao filme e ao festival de ataques que recebe, entrevistei hoje o produtor Luiz Carlos Barreto. Leia abaixo:

Como você avalia a polêmica em torno de “Lula, o filho do Brasil”?
Luiz Carlos Barreto – Como tudo no Brasil recentemente, as pessoas entraram numa polêmica precipitadamente. Não viram o filme e já pré-julgam, fazem uma censura prévia daquilo que ainda não conhecem. Nós fizemos apenas um filme, não um ato político.
Na realidade, os que se opõem ao presidente Lula estão querendo politizar esse filme. Essa é uma postura precipitada e leviana. De qualquer forma, é o direito democrático de cada um, do livre arbítrio, de cometer atitudes como essa. Vamos em frente. Enfim, o povo brasileiro é que dará o veredicto. Nossa intenção é fazer com o que o filme chegue até ele, a um número máximo de brasileiros.

foto divulgação do filme

O filme corresponde ao que vocês programaram inicialmente? Se você previsse a polêmica teria mudado o filme?

Luiz Carlos Barreto – O filme é exatamente o que nós queríamos. É o que essa história extraordinária poderia render. “Lula, o Filho do Brasil” não é nada mais do que um exemplo de vida. É uma saga, conta sobre uma família que soube mudar o destino que lhe estava reservado.
O nosso objetivo é mostrar como a persistência, a luta, a obstinação resulta em superação. É disso que trata esse filme: um exemplo de vida. Portanto, tenho certeza que milhões de brasileiros – e convido a todos para que prestigiem o filme – vão se identificar com essa história.
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Por que as empresas que bancaram a produção estão sendo tão criticadas neste caso, se já participaram de projetos idênticos sem que sofressem essa patrulha?
Luiz Carlos Barreto – Se nós tivéssemos usado recursos incentivados, seríamos criticados. Buscamos uma alternativa neste caso, com as empresas, e também somos (criticados). Como nós não usamos dinheiro incentivado – aliás, havia todo um patrulhamento nesse sentido – resolveram atacar as empresas que tem relação de prestação de serviços com o governo.
Ora, no Brasil, nenhuma empresa – da micro à multinacional – deixa de ter relações com o governo. Aqui e em qualquer país do mundo. Dizer que esta ou aquela, por ser empreiteira e tal… Elas são e vão continuar sendo empresas, sendo empreiteiras, existiam antes, existem agora, existirão depois do governo Lula, patrocinando, inclusive, outros filmes. Elas estarão aí.
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O presidente Lula já viu o filme?
Luiz Carlos Barreto –  Não. Sua mulher, dona Marisa Letícia, já viu semana passada, naquele avant première em Brasília. O presidente disse à imprensa que ela gostou. Lula irá vê-lo pela primeira vez neste sábado [amanhã, no Pavilhão Vera Cruz] em São Bernardo. Ele fez questão aguardar para ver o filme pronto.
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E os demais brasileiros quando verão “Lula, o Filho do Brasil”?
Luiz Carlos Barreto – A partir de 1º de janeiro, nos cinemas, em circuito comercial.
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Nota: Vou inserir aqui, links para críticas especializadas de cinema sobre o filme, contra e a favor. Comentarei sobre o filme apenas quando puder assisti-lo.