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A leitura genial de Latuff sobre a tragédia no Rio…

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Estava pensando em escrever sobre a tragédia do Rio de Janeiro, o descaso dos desgovernos e principalmente a cobertura duvidosa da imprensa brasileira. Não será preciso. O genial Carlos Latuff traduziu tudo o que eu queria dizer em três cartuns. Acompanhem.
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Cobertura da tragédia no Rio: Mais cadáveres = Mais audiência

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Enquanto isso, os abutres da imprensa sobrevoam o Morro do Bumba

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A tragédia das chuvas no Rio: O que importa mesmo é que as Olimpíadas estão garantidas!

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As legendas são do prório Latuff e acompanham as imagens em sua página no tuíter.
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Policial da repressão faz apologia da tortura em Zero Hora

policial Omar Fernandez (foto ZH)

recorte ZH, pág. 40, 04/02/2010

Cristóvão Feil
Diário Gauche
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Isto é crime!
As convicções do policial Omar Fernandez são perigosas porque antissociais, anti-republicanas, antidemocráticas e atentam contra os direitos humanos.
Ele está apregoando a prática da tortura como método eficaz (e legal) de condução das coisas do Estado.
A apologia da tortura é crime: Omar Fernandez defende, justifica e elogia a prática da tortura, como agente público que é, e foi durante um período de ditadura no Brasil. Não compete a ele fazer este juízo. Isto é ilegal. Como funcionário público ele deveria saber (e cumprir) os limites de sua competência profissional e legal.
Omar Fernandez está cometendo crime. A prova está no jornal Zero Hora de 04/02, página 40 (acima, foto de Ricardo Chaves/ZH).
Com a palavra o Ministério Público.
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(fonte)

Mídia à beira de um ataque de nervos

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Os espelhos, o horror
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Alberto Dines
Observatório da Comunicação
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A mídia brasileira está sendo vítima de um surto da síndrome do pânico: está com horror ao espelho. Berra e esperneia quando alguém menciona a organização de conferências ou debates públicos sobre meios de comunicação, imprensa, jornalismo. Apavora-se ao menor sinal de controvérsias a seu respeito, por mais úteis ou inócuas que sejam. Parece ter esquecido que o direito de ser informado é um dos direitos inalienáveis do cidadão contemporâneo. O Estado Democrático de Direito garante a liberdade de expressão e o acesso universal à informação.

A instituição criada para impedir unanimidades, o poder instituído para promover o pluralismo, o bastião do Estado Democrático de Direito, agora se sobressalta e entra em transe quando pressente outros holofotes tentando focalizá-lo.

Diagnóstico 1: modéstia. Diagnóstico 2: narcisismo. Diagnóstico 3: onipotência. Diagnóstico 4: hipocrisia.

Nada impositivo

O primeiro episódio ocorreu no início de dezembro, antes da 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom): o grosso das corporações empresariais de mídia desistiu de participar dos debates, compareceram apenas duas. As únicas que ficaram bem na fita. A Confecom chegou ao fim, produziu um calhamaço de propostas, a maioria inócuas, e os ausentes nem puderam cantar vitória porque se escafederam antes das luzes se apagarem (ver, neste OI, “Lições de manipulação” e “O misterioso e suspeito desaparecimento do Conselho de Comunicação Social“).

Menos de um mês depois, final de dezembro, novo faniquito: o 3º Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH). A mídia inicialmente parecia sensível aos apelos das vítimas, parentes ou entidades em defesa dos direitos humanos para reabrir as investigações sobre a repressão política durante o regime militar. Então aparece a Associação Nacional de Jornais (ANJ) e começa a urrar como aquelas senhoras que pressentem uma barata no quarto escuro.

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A luta pelos direitos humanos não tem dono, está definitivamente incluída na pauta dos debates nacionais. Tortura não é coisa do passado, é do presente. É melhor liberar o aborto do que encontrar diariamente nos lixões recém-nascidos abandonados por mães solteiras. A exibição de símbolos religiosos em repartições do Estado afronta aqueles que acreditam que o Estado é garantidor da isonomia cidadã, da democracia e da tolerância.

(…)

Continue lendo…


O mais baixo da escala do caráter

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Antônio Arles
Arlesophia


O Latuff mais uma vez arrebentou. Conseguiu traduzir através de sua arte o mau caratismo do senhor Boris, aquele que é, para todos nós, uma vergonha. Boris é uma figura extremamente preconceituosa, o que fica evidente em seus comentários nos telejornais que apresenta e apresentou. Talvez seja uma das faces mais visíveis desse tipo preconceito existente nas redações por todo país. Agora, mesmo para os que não viam tão evidentemente tal comportamento, a máscara caiu de uma vez. No entanto, o caso Boris é apenas a parte visível deste comportamento. Enquanto tivermos a manutenção dos oligopólios midiáticos teremos sempre esse tipo de preconceito conduzindo a forma de “ver o mundo” traduzida pelas reportagens e opiniões emitidas através desses meios, mesmo que essas sejam revestidas pelos mitos de isenção e imparcialidade.


Agora é oficial: Folha de São Paulo anuncia sua despedida do jornalismo

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Marco Weissheimer

O jornal Folha de São Paulo anunciou nesta sexta-feira que desistiu definitivamente do jornalismo. O anúncio veio sob a a forma de um artigo do sr. César Benjamin que, a pretexto de comentar o filme “Lula, o Filho do Brasil”, acusa o presidente da República de ter tentado “subjugar” um preso político quando esteve preso durante a ditadura. Segundo Benjamin, o episódio teria sido relatado a ele pelo próprio Lula, em 1994, com uma suposta confissão que teria sido feita na época pelo futuro presidente: “Eu não agüentaria (ficar preso). Não vivo sem boceta”. O artigo de “análise”, segundo a Folha, ocupa uma página inteira do jornal. Quartel-general do candidato tucano à presidência da República, José Serra (PSDB), o jornal dirigido por Otávio Frias Filho não hesitou em chamar o ocupante do mais alto cargo da República de “molestador”, a partir do relato de um terceiro.

“O esgoto corre nas páginas da Folha. O jornal da ditabranda mostra como será a campanha de 2010”, comentou Rodrigo Vianna, no blog Escrevinhador. O jornalista Luis Nassif conversou com o delegado Armando Panichi Filho, um dos dois escalados para vigiar Lula na prisão, que disse nunca ter ouvido falar de nada semelhante ao episódio relatado por Benjamin. Mais do que isso, disse que seria impossível. “Na cela de Lula tinha duas ou três pessoas juntas. No corredor, as celas eram juntas. Qualquer episódio seria percebido ou pelos carcereiros – que davam plantão 24 horas por dia – ou pelos presos nas demais celas. Nunca ouvi falar disso e não acredito que tenha acontecido e muito menos que houvesse possibilidade de acontecer”, disse o delegado. Já a Folhasimplesmente soltou a acusação ao vento, apresentando-a como sendo uma “análise”. Triste fim. Da Folha e do sr. Benjamin.

A decisão de abandonar o jornalismo pode ter sido causada pela acentuada perda de leitores. Segundo artigo de Carlos Castilhos, no Observatório de Imprensa, a Folha, considerada até há bem pouco tempo um dos mais influentes jornais do país, vendeu em média 21.849 exemplares diários em bancas em todo o país, entre janeiro e setembro de 2009. Uma queda gigantesca. Em outubro de 1996, revela Castilhos, a venda avulsa de uma edição dominical do jornal chegava a 489 mil exemplares. Hoje, segundo o Instituto Verificador de Circulação (IVC), a Folha é o vigésimo quarto jornal em venda avulsa na lista dos 97 jornais auditados pelo instituto. A tiragem atual da Folha, mesmo quando somada a dos jornais O Globo e o Estado de São Paulo, corresponde a menos de 5% da média da venda avulsa nacional.

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A íntegra do artigo do sociólogo Cezar Benjamin, “Os Filhos do Brasil”, publicado na Folha de São Paulo nesta sexta (27/11), que originou a reação de Marco Weissheimer e muitas outras mais.

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Nota: O artigo de Cezar Benjamin originou uma imensa polêmica na blogosfera durante toda a sexta-feira e mais intensamente na madrugada de sábado. A acusação feita pelo sociólogo e ex-petista à Lula acabou por desencadear até um protesto em frente à FSP, marcado para o próximo sábado (05/12). Fato é que a disputa eleitoral de 2010 já começou e pelo visto será mais suja e rasteira do que nunca.

Atualização 30/11, 03h47

Durante o final de semana, vários depoimentos negaram a história contada por Benjamin, incluindo o do suposto “estuprado” João Batista dos Santos, ex-metalúrgico que morou e militou em São Bernardo do Campo. Há cerca de três anos, ele ganhou uma indenização da Comissão de Anistia e foi viver em Caraguatatuba, no Litoral Norte de São Paulo. Por meio do amigo Manoel Anísio Gomes, João declarou a VEJA: “Isso tudo é um mar de lama. Não vou falar com a imprensa. Quem fez a acusação que a comprove”.

O atual presidente do PSTU, José Maria de Almeida – militante da Convergência Socialista na época – que esteve preso na mesma cela que Lula, declarou à imprensa: “Tenho motivos para atacar o Lula. O seu governo é uma tragédia para a classe trabalhadora. Mas isso que está escrito não aconteceu.”


Le Monde será atualizado hoje apenas por blogueiros

A versao do jornal francês Le Monde na internet será atualizada nesta sexta-feira apenas por blogueiros, em comemoração aos cinco anos na web. O site do Le Monde reúne, entre seus blogueiros, assinantes, jornalistas, acadêmicos e especialistas. Eles sao responsáveis hoje por 13% da audidência. (Fonte: Agencia France Presse)


Caetano atacou a desonestidade da Veja; O Globo fez que não ouviu

O Globo escondeu de seus leitores a melhor parte da entrevista que Caetano Veloso concedeu ao jornalista e blogueiro Jorge Bastos Moreno. O depoimento omitido na edição desta quinta-feira (26) do jornal [leia a entrevista n’O Globo] — mas apresentado em áudio na Rádio do Moreno — é uma enfurecida denúncia de Caetano contra a revista Veja.
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André Cintra
Vermelho
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Caetano Veloso

“É preciso que se saiba que é abominável, que há muita desonestidade ali”, desabafa o cantor e compositor baiano, em tom enérgico. “A classe média instruída brasileira não lê direito a Veja, não acredita tanto. Mas a medianamente instruída se pauta muito por uma possível honestidade jornalística daquele veículo. Esse gente precisa ser avisada de que não há, nem de longe, sombra de honestidade naquilo.”

Classificando os articulistas da Veja como “desonestos”, Caetano citou um caso exemplar da desmoralização pela qual passa a principal revista da Editora Abril, da família Civita. O episódio ocorreu em setembro de 1995, quando Veja publicou uma ma matéria desaforada contra o DJ norte-americano Moby. “Ele diz tanta besteira que até parece o brasileiro José Miguel Wisnik — aquele sujeito que acredita que o termo ‘Big Bang’ é uma apropriação anglo-saxã da origem do universo”, escreveu Sérgio Martins na revista.

Wisnik, no entanto, jamais teceu qualquer comentário do gênero sobre a expressão “Big Bang”. A tal “apropriação” a que Veja se refere foi feita, na realidade, por Caetano, que escreveu para a revista e corrigiu as informações. Além de a carta nunca ter sido publicada, Veja voltou a atribuir a “apropriação” a Wisnik mais duas vezes. “Nunca mudaram, são desonestos. Eu não falo com eles. Outras coisas houve antes, mas essa é inacreditavelmente canalha”, resume Caetano, na entrevista.

Jorge Bastos Moreno – Você tem muita inimizade dentro da música?

Caetano VelosoNão tenho. Mesmo o Geraldo Vandré — que foi a única briga que eu tive propriamente dessa maneira, naquela altura… Quando eu estava já exilado em Londres, ele foi me visitar. Choramos juntos, estava nevando, conversamos um bocado. Depois que ele voltou pro Brasil, já estive com ele algumas vezes. Mas já faz algum tempo que ele se afastou.

Leia todos os trechos não publicados no jornal O Globo, da entrevista de Caetano Veloso.