O jornalismo deles e o “nosso”

Faz tempo que leio, ouço, vejo críticas à grande imprensa brasileira. Aliás, desde que me entendo por gente, antes mesmo de ser jornalista. De uns tempos para cá, essas críticas vêm acompanhadas de um apelido. Na época em que essa grande imprensa começou a dar voz a um pequeno grupo que sugeria o Fora Lula, no início de 2007 (portanto logo após a eleição que o reconduziu à presidência), o jornalista Paulo Henrique Amorim passou a chamar a grande imprensa de PiG (assim com o i minúsculo para identificar com iG, de onde foi demitido em 2008), Partido da Imprensa Golpista. Nesse post do blog Maria Frô tem uma explicação melhor e mais detalhada sobre o que é PIG, como surgiu, quem usa a expressão e que tipo de prática jornalística caracteriza.

Com o advento das redes sociais que permitem transmissão de informação como Facebook e Twitter, o conceito do PIG foi tomando corpo e espaço e reverberando. A blogosfera e a chamada imprensa alternativa seriam conceitualmente a antítese do PIG. Conceitualmente. E eu digo seriam porque na prática não são.

Entre as práticas condenáveis do chamado PIG estão a manipulação da informação, manchetes que distorcem o conteúdo das matérias, enfoques privilegiando um dos lados da notícia (e sempre o mesmo lado, a classe dominante e os chamados governos de direita) e em alguns casos o total silêncio, como se o fato simplesmente não estivesse existindo.

Desde sempre discuto o papel do jornalista de esquerda. Como se contrapor a grande imprensa e aos grandes monopólios e ainda sobreviver exercendo dignamente a profissão? Tarefa complicada. Quinta coluna declarada desde sempre e jornalista formada há 13 anos, ainda não encontrei a fórmula. Vendo minha força de trabalho como qualquer trabalhador, produzindo textos em série, em sua ampla maioria fúteis, para ter o direito de blogar e exercer meu jornalismo livre e marginal. É isso ou trabalhar para o PIG, como faz PHA e muitos dos blogueiros críticos ao “jornalixo” ou “jornalismo canalha“. Não me imponho a tarefa de me contrapor a grande imprensa. Não tenho estrutura para isso. Sequer tenho câmera fotográfica para exercer o tal “jornalismo cidadão”, mas não me furto de dar minha opinião em assuntos que considero importantes.

Desde a última eleição para presidente – uma das mais violentas e atípicas da história –, vi de um lado a grande imprensa pesando sua balança para o candidato tucano e a blogosfera e a imprensa alternativa (salvo honrosas exceções) pesando sua balança para a candidatura petista.

Trezentos blogueiros se reuniram em São Paulo em agosto do ano passado com uma estrutura nunca antes imaginada para blogueiros alternativos, com a clara e confessa intenção de organizar o contraponto à campanha da grande imprensa na defesa do governo e de sua candidata (Blogueiros Progressistas ou blogprog). Abro um parênteses aqui para dizer que esse fato me incomodou demais. Além de ser um encontro bem pequeno burguês, onde blogueiros marginais que contam moedas para pagar sua conexão não tinham condições de estar, ser de esquerda e não votar em Dilma era considerado crime capital.

Continuarei tomando meu café na caneca do PIG e mostrando a bunda pro povinho da patrulha, da etiqueta governista revolution*

A partir daí começou a patrulha na blogosfera e nas redes. Quem criticasse o governo (perfeito!), Lula (deus!), ou Dilma (santa!) era acusado de ser tucano, de colaborar com a oposição e ou de ser “a esquerda que a direita gosta”. A ordem era ‘defenda o governo acima de qualquer coisa, incluindo a sua consciência crítica‘. O comportamento dessa ‘brigada’ identificada como “onda vermelha” era evangelizador, fundamentalista, e essa ‘guerra santa’ ficou tão violenta que cortei relações com umas 300 pessoas (nem todos blogprog) e deixei de ler blogues que acompanhava há muito tempo. Mais do que isso. Perdi o respeito que nutria por esses cidadãos e profissionais. Até tentei voltar a acompanhar boa parte deles, mas o estrago já estava feito. Eles não perderam o vício da patrulha e estão mesmo vendados, cegos.

No último período surgiu o slogan “O PIG esconde, a gente mostra”, num esforço de cumprir o papel que a grande imprensa se nega – perseguir a verdade com ceticismo e inteligência –, passaram a divulgar notícias que, segundo eles, o PIG não divulga por ser contra seus interesses. Isso na teoria. Numa manhã dessas, um amigo tão cético quanto eu se deu ao trabalho de conferir sete das manchetes citadas no tal slogan. Segundo ele, TODAS estavam publicadas na Folha de São Paulo (vilã mor do PIG junto com a Veja). Ele ainda alfinetou ao final: “Vocês mentem!” Não lembro de alguém tê-lo contestado, mas o slogan segue a pleno vapor mostrando matérias que teoricamente o PIG esconde. Mas a Folha publica.

O jornalismo praticado pela maioria dos blogprog e por boa parte da imprensa alternativa é igual ao da grande imprensa. Só mudam os personagens a serem defendidos e atacados. Quero aqui fazer uma ressalva sobre um grande portal, o Vermelho do PCdoB, que por ser veículo de um partido político tem a licença natural de ser ideológico. Quem vai ao vermelho buscar informação, sabe de antemão o viés da notícia. A isso se chama isenção jornalística. Incluo nessa ressalva os blogues que estampam a foto da atual presidenta e aos que tentam honestamente manter a isenção. Aos demais, aconselharia uma leitura que me acompanha desde guria: “A moral deles e a nossa” – León Trotsky. Acrescento que não basta se dizer diferente. É preciso se constituir como diferente nas práticas diárias (se pudessem ler também o conceito de práxis em Gramsci, seria bom) . Reproduzir o péssimo exemplo de jornalismo do PIG só o reforça. E aí cabe a pergunta: Quem é de fato a esquerda que a direita gosta?

Todo socialista sabe (está nos relatos da primeira revolução socialista, a russa) que governo ainda no sistema capitalista é um jogo em disputa, precisa ser tensionado à esquerda porque a direita e a grande imprensa estão combatendo diariamente. Isso na hipótese de termos de fato um governo de esquerda. Atualmente isso é apenas uma crença de militantes fundamentalistas desvairados que querem provar sua hipótese a qualquer custo, engolindo Sarneys, Collors, Calheiros, Cabrals, Kassabs e toda sorte de sapos, cobras e outros animais peçonhentos que enfiam nas suas goelas e nas de outrem.

Crítica e auto crítica são fundamentais para manter o prumo, para se manter no caminho certo. Se for apenas um jogo de poder e de se manter nele, tirem as máscaras e parem de usar os termos esquerda, socialista, cidadania, verdade e, inclusive, o PIG. Transformar seus blogues em panfletos de propaganda governista não revela altruísmo ou ativismo abnegado. Apenas levanta suspeitas quanto à manutenção monetária desses veículos. Tal e qual com a grande imprensa, onde quem anuncia é bem tratado na notícia. O problema é que nos blogues e na imprensa alternativa não há anúncios. Quanto mais obscura essa relação, menos crédito dou às defesas inflamadas que tenho lido ultimamente.

Blogueiros gostam de bater no peito e dizer que não abrem espaço para anúncios porque se profissionalizar – ninguém anunciaria em blogues que não sejam atualizados periodicamente – perderiam a característica informal, marginal e porque não se vendem. Ok. Mas vender a consciência crítica tudo bem? A que preço? Ativistas experientes podem mesmo ficar tão cegos e alienados assim?

Atualmente há uma campanha na internet pedindo a saída da ministra da Cultura Ana de Hollanda. Na linha de frente dessa campanha estão velhos camaradas e até ex-funcionários da campanha à presidência de Dilma. A primeira atitude de alguns blogueiros, antes de verificar os argumentos desses seus velhos camaradas, foi tentar desqualificá-los, descontextualizar as críticas e defender o governo – e aqui há um equívoco, porque defender o governo Dilma nesse momento pode passar justamente por pedir a substituição de Ana de Hollanda –. Ou é muita miopia política ou talvez a tese hipotética de financiamento governista de alguns blogues não seja infundada. Vejam bem, eu disse “alguns blogues”. Existem centenas de pequenos blogueiros que fazem a defesa do governo Dilma na base do “amor”. Mundo injusto esse, não?

Só uma constatação: O que se faz na maioria dos blogues e da imprensa alternativa deste país é tão anti-jornalismo quanto o que se faz na grande imprensa. É o roto falando do esfarrapado. Talvez por isso a grande imprensa não se sinta ameaçada pelo blogprog. Ser de direita não é necessariamente ser burro ou cego, né? Tal e qual ser de esquerda não garante neurônios ágeis, razão ou ética.
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Sujestão de leitura: Sobre ser jornalista…
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* A etiqueta governista revolution é a definição para a brigada virtual de militantes sempre prontos a defender o governo petista, não importando qual a crítica ou argumento. Mesmo defendendo um governo que não pode ser classificado como esquerda, eles se sentem vanguarda da revolução socialista, que não aconteceu no Brasil (é bom lembrar). O termo é proposital e debochadamente contraditório, autoria da publicitária cearense Mayara Rocha.
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Sobre Niara de Oliveira

ardida como pimenta com limão! marginal, chaaaaaaata, comunista, libertária, biscate feminista, amante do cinema, "meio intelectual meio de esquerda", xavante, mãe do Calvin, gaúcha de Satolep, avulsa no mundo. Ver todos os artigos de Niara de Oliveira

17 respostas para “O jornalismo deles e o “nosso”

  • Rodrigo Cardia

    Bah, Niara… Sensacional!

    Estou lendo (finalmente!) “10 dias que abalaram o mundo”, e não consigo deixar de ver algumas semelhanças entre a Rússia pós-fevereiro de 1917 (e pré-outubro) com o Brasil atual. Claro que há uma diferença muito grande, que é a de que na Rússia de 1917 havia uma revolução, com o povo mobilizado (e politizado) etc., o que não se vê no Brasil de agora. Mas os argumentos são semelhantes: o governo Kerensky (e sua claque de apoiadores) acusava os bolcheviques de serem “contra-revolucionários”, quando era ele próprio que estava traindo a revolução, ao manter a Rússia na guerra e conciliar com a burguesia.

    Não digo que os governos do PT e do PSDB sejam iguais (tanto que não pensei duas vezes na hora de declarar apoio à Dilma em nome de evitar o mal maior, que seria o retorno dos tucanos à presidência), mas só sendo muito cego para achar que o atual governo está promovendo uma “revolução” no Brasil… É menos pior que o anterior, reduziu (um pouco) a pobreza, mas mantém intacta a estrutura social.

  • Mario

    Niara
    muito bom o artigo
    se vc permitir gostaria de reproduzi-lo lá no meu blog (com a devida referencia a fonte é claro)
    ótimo domingo

  • Maria Júlia

    Gostei bastante do post!

    Milito no ME da USP, e lá, faz tempo o PT não atua tanto assim, principalmente desde 2007, na ocupação da reitoria (da qual não participei, pois entrei só em 2009), em que o PT estava na direção do DCE e foi contra a ocupação.

    Enfim, lá há várias correntes de esquerda, pstu, psol, ler-qi, e muitos pediram voto nulo no segundo turno. Fui contra, no segundo turno votei Dilma. Mas, em nenhum momento ocorreu na minha cabeça chamá-los de Tucanos (tirando uma corrente lá que é muito maluca e caricata demais para ser séria, o MNN – Movimento Negação da Negação).

    Além do mais, nessa “onda vermelha”, mesmo pessoas que votaram na Dilma, mas não a admiram e não a acham uma deusa, são duramente criticadas e qualquer reclamação que tenham do governo (afinal, votaram no PT só para evitar o ‘mal maior’, como disse o companheiro acima) são chamados de Tucanos, mesmo tendo colaborado com a vitória da nossa agora presidenta (e inclusive feito campanha anti-PSDB). Aliás, não precisa nem criticar o governo. Criticar os “blogueiros progressistas” e não seguí-los tal qual seguiram jesus cristo já é motivo para ser chamado de psdbista, demo e maldito.

    Digo isso principalmente devido à polêmica que se deu entre o Nassif e as feministas. Antes, eu tinha o mínimo de respeito por ele, pensava nele como alguém de esquerda (considerando, aqui, esquerda como um termo extremamente abrangente). Mas um belo dia, depois de todo o bafafá, li um post do Vianna, aquele texto “a esquerda que a direita gosta”, e fui xingar muito no twitter. Não demorou pra virem muitos, mas MUITOS twitts em resposta dizendo que eu era mal educada (o que me lembrou o texto d’O biscoito fino e a massa, “feministas de fino trato”), que eu era tucana, votava no Serra… tudo isso pq defendi que um idiota não pode sair por aí falando feminazi (coisa que o SERRA e o PiG certamente fariam)e que defendê-lo era um absurdo e abria margem para a defesa do termo que ele usou.

    É claro que os blogueiros progressistas têm um bom papel, divulgando notícias com outro viés etcetc, agora, considerá-los o ápice da esquerda é ridículo. Depois, fiquei sabendo inclusive que o Nassif fez vários textos contra a ocupação da reitoria (que ia contra decretos do Serra… hum, reflitam!).

    Gostei muito do post, Niara. Um abraço!

  • Corazza

    Putz, é tão difícil achar uma crítica boa assim ao esquema dos “isentos” PHA, Nassif e tchurma… Se metade da “blogueiragem” tivesse esse raciocínio crítico, o movimento todo estaria bem melhor, sem a liderança desses sujeitos que, chutados da ‘grande imprensa’, agora fazem caridade com o chapéu alheio – alguém já reparou que o ‘PIG’ é feio, sujo e malvado, mas serve muito bem quando é pra copiar o conteúdo e usar no blog do Nassif?

    Sempre fui de esquerda e uma das coisas mais tristes que aconteceram nos últimos tempos foi essa apropriação do espaço digital por gente que não está a fim de realmente criar e compartilhar conteúdo. Tá a fim é de usar a mão-de-obra alheia pra descolar um patrocínio (não me recordo do PHA ter dividido com os ‘blogprog’ aquela boquinha que ele arranjou da Caixa Econômica pro Conversa Afiada. Idem pro seu Nassif com a Odebrecht).

    Abração, Niara, e obrigado pelo texto.

  • Lola

    E aí, Niara, já perdeu cem seguidores?
    Olha, discordo um pouco do seu post. Primeiro que tem alguns erros. O encontro nacional de blogueiros progressistas não se deu entre o 1o e o 2o turnos. Se deu bem antes do 1o turno, em agosto. E lá o Miro disse que os próximos teriam que ser no primeiro semestre, pra evitar qualquer proximidade com as eleições. Segundo, pelo que eu vi, havia várias pessoas presentes que não apoiavam o governo do PT. Em geral era gente mais à esquerda, mas também havia personagens bem desploráveis à direita, como o Mosquito, de SC (um que, pra atacar a RBS, publicou no seu blog o nome completo de uma vítima de estupro – de 14 anos!). Terceiro, o encontro foi muito bem organizado, e a estrutura pros participantes foi ótima. Tanto que todos ganharam um free lunch, um almoço grátis, e, se não me engano, hotel. Minha crítica ao encontro (e às demais ações da organização dos blogprog) é a ausência de mulheres. E de negros. E de gays. De grupos minoritários, enfim. Tem homem branco hétero demais, bem parecido com o que vemos entre os colunistas da velha mídia. Mas não houve nenhum acerto durante o encontro pra que apoiássemos a Dilma na campanha eleitoral. Em nenhum mometo se falou nisso. A maior parte, imagino, iria votar nela. Mas não vi patrulha alguma. A campanha começou pra valer em meados de setembro, e começaria independentemente do encontro, não acha? Ânimos se exaltariam à medida que as eleições se aproximassem. Normal. No segundo turno, então, o negócio pegou fogo mesmo, mas isso por que o time de lá conseguiu fazer uma campanha ainda mais suja que a de 1989.
    Eu vejo muito mais críticas aos aliados na blogosfera progressista do que o PIG (termo que não gosto ou adoto) dedica aos seus aliados da direita. Mas também vejo pouco espaço pra autocrítica. A gente sabe como alguns blogueiros progressistas reagem a discussões sobre machismo. Nessas horas sim a tática adotada é a mesma da velha mídia. Corporativismo total, uns apoiando os outros, e ataques pessoais às “inimigas”. Mas a verdade é que nunca me senti patrulhada. Ignorada sim, o tempo todo, assim como quase todas as blogueiras mulheres.
    O que vejo agora é que todo blog político tá meio sem assunto. A velha mídia tá tão sem saber o que dizer que lhe resta escrever alguns editoriais elogiando o estilo discreto da presidenta. E a blogosfera progressista depende muito de atacar a velha mídia, muito mais do que defender ou elogiar o governo. Por isso os blogs andam chatos desde novembro. E tenho a impressão que, na falta dos inimigos “externos”, a gente acaba brigando mais entre si. Abração!

  • Niara de Oliveira

    Oi, Lola.
    Concordo com boa parte do que dizes. Obrigada pela correção, já arrumei (gente doida perde a noção do tempo mesmo, :P).
    Não me enquadro como blogprog e nem tenho lido esse pessoal nos últimos tempos. Clico nos posts, começo a ler e largo. Estão mesmo chatos, já que não tem disputa e atualmente esse povo só sabe disputar. Essas críticas estão entaladas tem muito tempo. O jornalismo feito (e anunciado) pela blogosfera não se diferencia do PIG. Não vi matérias que ouçam duas ou mais fontes. É só artigo de opinião e entrevistas. Não que esteja errado assim, mas então que não anunciem fazer o tal jornalismo cidadão de contraponto ao PIG. É com essa pretensão que venho me debatendo.
    Com relação ao machismo, não quis voltar a essa polêmica porque já tinha batido o suficiente nisso e todos sabem o que penso a respeito. Além disso, não era uma análise do encontro do blogprog. Só precisava caracterizar a blogosfera a que me referia na crítica e diferenciar os blogueiros pequenos dos tubarões (como chamo).
    Mordi a língua. Perdi DOIS seguidores, ganhei oito. Rá!!!
    Obrigada pela visita e pelo comentário.
    Beijo!
    🙂

  • Raphael Tsavkko Garcia

    Lola, lembro que mesmo lá no encontro o Mosquito se revoltou em ser chamado de direita pois era (não se ainda é) filiado ao PT. E, eu era um dos raríssimos (junto com o Latuff e mais poucos gatos pingados) não ligados ao Pt ou não-eleitores da Dilma… A franquíssima maioria o era e alguns momentos foram contrangedores, como quando o José de Abreu começou a discursar enlouquecido pró-Dilma…

    Em gerla o encontro foi bom, mas a panelinha criada… aiai!

  • heliopaz

    @nideoliveira71 ,

    Eu fui ao #blogprog , aprendi bastante lá e consolidei presencialmente várias boas relações anteriormente digitais (me nego a usar os ternos “real” e “virtual”, pois tudo é real e virtus vem do latim “falso”). 🙂

    Não me deslumbrei com o ambiente, com os discursos e nem tampouco com as pessoas. Tanto é que, assim como o @caouivador , vejo na política partidária, na correlação de forças historicamente estabelecida no país, na péssima mídia corporativa que temos, no baixíssimo índice educacional e na excessiva crença em religiões que assolam este país um problema que não será resolvido nem pela teoria marxista, nem pelo lulo-petismo e nem tampouco pelo mero opinionismo sem fatos que reina na blogosfera. Nada disso será suficientemente capaz de conscientizar as pessoas e nem tampouco suficientemente significativo a ponto de produzir diferença na sociedade a ponto de fazer o Brasil dar um salto de qualidade.

    Isso pode parecer contraditório, ainda mais vindo de um mestre em Ciências da Comunicação que sempre foi militante de esquerda, já saiu muito na rua com a sua bandeira do PT e já foi quase atropelado ou levou um pau de bandidos pagos por candidatos de direita. Pode parecer contraditório porque, nesta campanha em especial, apesar de ter-me negado a dividir espaço com a nova modalidade que o PT tanto criticava na direita (militância de aluguel: 30 pilas, um sandubas e um suco), me esforcei para combater aquele que julgava um mal maior.

    Tenho posts antigos no meu blog que não me permitem ser chapa branca. Eu nunca fui filiado ao PT e gostaria que houvesse uma democracia emergente como a proposta pelo Júlio Valentim no Trezentos. Porém, enquanto isso não acontece, não posso votar apenas em princípios puros como no PSOL, que jamais teria competência nem quantidade de pessoas aptas a implantar o seu modelo de governo. Não posso votar em uma crente que foi a pior ministra do Meio Ambiente de todos os tempos. Não posso votar em um calhorda, em um censor, em um picareta de marca maior.

    Acho anular o voto, votar em branco ou não comparecer às urnas algo baixo em se tratando de um ato político legitimamente garantido pela Constituição e pela democracia. Portanto, me vi forçado a pensar no lado positivo dos concursos públicos e da abertura de mais de 200 CEFETs e de 14 universidades públicas; do ENEM (apesar de tudo), do PRONASCI e de uma nova política econômica em uma relação com o BRIC e com a África, América Latina e Ásia.

    Não esqueci dos Sarneys e Collors; de Belo Monte; da especulação financeira e imobiliária bem a gosto dos latifundiários, dos banqueiros e das megaconstrutoras; das licitações fraudadas, das obras superfaturadas; do escândalo do Pan 2007 e do que será a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016 em um país onde há mais de 10000 escolas públicas sem uma quadra de esporte.

    Enfim… A educação básica é um lixo. As “universidades” de fundo de quintal são mais do que lixo.

    Como diz o Guga Türck, a diferença entre direita e esquerda no Brasil é apenas a intensidade, a dramaticidade e o tempo de duração da nossa morte.

    Besos,
    Hélio

  • Luka

    Niara,

    Depois de ter lido o post ontem e de termos conversado volto aqui para comentar o imbróglio.

    1º – Não acredito na existência de um PiG, há sim uma grande imprensa diretamente ligada aos interesses de uma classe, alinhada com a direita e não é de hoje. Vamos combinar? Com a ligação que a grande mídia tem com as oligarquias regionais se quisessem tirar o PT do poder já o teriam feito, pois a chegada do mesmo no poder não significou uma real democratização do poder político no país, só ver os oligarcas de sempre plantados no senado, na base do governo e com negócios diretos com a grande imprensa, principalmente com a Globo. É óbvio que esta grande imprensa se aliaria com partidos da direita como PSDB e DEM, mas se protegendo de prováveis “ataques” de quem falasse que tomavam lado no processo com o discurso furado de imparcialidade, um furado que está encrustado e galvanizado no imaginário coletivo… Uma merda! Mas é isso, as relações da grande imprensa com a base governista e com o próprio governo são bem mais complicadas do que é colocada por aí.

    2° – Acho muito bom colocares este debate, pois não é um debate de agora, mas faz tempo que em algumas faculdades de jornalismo se questiona justamente isso, por que muitas vezes quem se propõem a fazer mídia alternativa acaba reproduzindo o fazer da grande mídia? Sinceramente, não acho que isto seja algo de surgido do advento das redes sociais e do jornalismo 2.0, é anterior se presentifica na imprensa nanica, nos jornais de sindicatos, entidades estudantis e afins. A esquerda já vinha fazendo isso há bastante tempo, calar quem se opunha, esconder críticas importantes e afins, como bem lembraram em um comentário anterior já vimos isto acontecer outras vezes na história mundial! Recorremos nos erros por que não há como se justificar a política, então caímos nos ismos da vida e tem pra todos os gostos, seja para aqueles que querem manter o poder, os que querem chegar ao poder pela via eleitoral ou não e afins.

    3º – Tenho meio birra com essa de cybermovimento, tanto que no debate de comunicação considero muito mais Intervozes, Barão de Itararé, Revista Debate Socialista e até o FNDC do que blogprog da vida, não adianta criar um espaço de debate na internet se isso não tem respaldo fora dela, não dá pra pensar a internet pela internet, pois ela querendo ou não vai ser espelho da sociedade em que vivemos, daí vão lembrar do Egito e da Tunísia, égua a internet espelhou o que tava ali acontecendo, é ferramenta como qualquer outro meio de comunicação e sendo assim nela estarão presentes a diversidade política que existe no mundo.

    4° – No final das contas os auto-intitulados blogprog, blogueiros sujos ou qual seja o nome tem sim um norte político claro, talvez nem todos os tenham por N motivos que a teoria política explica, mas eu não acredito em espontaneismo e é só ver quem são as principais figurinhas desta articulação pra ter uma noção do que significa politicamente esta iniciativa e é óbvio que pelo menos este “núcleo duro” não irá tocar em assuntos nefrálgicos da política do governo Dilma, já não tocavam durante o governo Lula quando se teve os rebus sobre a digitalização da radiodifusão no país e quando debatem determinado tema, pois se não o fizerem vão entrar numa contradição muito grande o tratam como se não fizesse parte do governo federal, foi assim com o Hélio Costa, Jobim e agora com a Ana de Hollanda… Não é por falta de assunto, mas por falta de autonomia mesmo e não é preciso ser filiado a um partido para não se ter autonomia, tem muita gente filiada no PT que possui críticas contundentes ao governo que passou e a este tb e as faz sem medo… O foda é que cada vez mais vemos a autonomia sendo perdida por aí e isso é em tudo que é espaço…

    Bem… acho que era isso, poutz ficou um comentário enorme!

  • Pedro Palaoro

    Perfeito, como disse o outro cidadão acima. Fico muito feliz de que mais pessoas entendam da mesma forma como eu penso esse sistema tão complexo que é o da relação mídiaXpoder.

    Fico incrédulo quando a atual “esquerda” se põe como essa vanguarda salvadora, quem diz isso estudou realmente os movimentos políticos, seus ideais, e suas verdadeiras ações quando governo e quando oposição? mão creio. Penso que em grande parte essa cegueira da blogosfera jornalística “alternativa” advem do desconhecimento real da política e, se não até mais importante, da cabeça fria para analisar o que realmente acontece na nossa cena política.

    A pouco tempo atrás publiquei um texto no meu blog que realmente remetia a esse assunto, quando tento entender porque se contrapor a grande imprensa quando é pra se segurar nas mesmas armas já condenadas?

    parabéns pelo texto, até mais.

  • ubiratan

    muito bom esse blog… continue!!

  • Gilson Moura Hnrique Junior

    Como um bom ogro adorei o post, porque a meu ver descreve percepção identica à minha.. porém acabei de ver o Flu perder no méxico e toamr umas Itaipava, e isso tudo é uma espécie de coquetel alucinógeno.

    Como Historiador ilegal, ou seja, não diplomado segundo a exigencia do movimento, o que em breve solucionarei, adorei a dica de textos também e senti falta da brincadeira saderiana com dona imrã do chico, mas não dá pra falar de tudo.

    Concorod, a gente temd e ter cuidado de saber que memso defndendo tem de saber cuidar, e cuidar é criticar. Se oposição é a mesma coisa, só que com mais porrada.

  • josé joão louro

    Niara ,o seu blog é actualmente inspiração para muita gente no mundo… magnífico este texto

  • long haired lady

    qualquer patrulhamento me remete a ditadura. todos devem ser liver para se expressar.
    o problema é a manipulação da noticia a seu favor.
    mas a verdade é sempre mais forte, ela sempre aparece.
    ser livre para escolher é sempre o que de melhor podemos desfrutar numa dita democracia.

  • Niara de Oliveira

    Lisonjeada com teu comentário. Muitíssimo obrigada! 🙂

  • As gurias do Eblog no 2º BlogProg « Pimenta com Limão

    […] autodenominar “esquerda” deve ser poupado de qualquer crítica e defendido cegamente. Já escrevi sobre o Encontro Nacional dos Blogueiros Progressistas (nome pavoroso, para dizer o mínimo) e […]

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