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E fez-se a luz!

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Dia 31 — Um livro que acendeu a luz na minha cachola (extra)

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Durante o desafio de escrever sobre trinta livros em um mês segui os itens propostos, ou pelo menos tentei, já que não fui eu que pensei a brincadeira. Acabei esquecendo um livro muito importante na minha vida, aquele que acendeu uma luz dentro da minha cachola. Sabe qual é, aquele livro, aquela ideia que te faz ver o mundo diferente, com outras cores e ritmo? Decidi escrever um post extra e criar um item específico para ele.

Só lembrei disso porque fui responder a uma pergunta desafiante do amigo Mirgon Kayser sobre qual livro tinha mudado a minha vida e só consegui pensar em dois: Don Quixote de Miguel de Cervantes, que mudou minha relação com os livros e com a literatura, e o Manifesto Comunista de Karl Marx e Friedrich Engels. Sim, só poderia ser. Foi o Manifesto Comunista que acendeu essa luz dentro da minha cachola quando tinha quinze anos de idade.

Costumo dizer que nasci comunista e a teoria do Marx apenas se encaixou ao que já pensava e a minha forma de ver o mundo. Passei anos me sentindo um pouco amordaçada e reprimida dentro do PT que sequer socialista se dizia. Embora eu participasse de correntes bem mais à esquerda que o próprio PT (sim, teve uma época que o PT foi esquerda), havia os PC’s que me impediam de me dizer comunista. Claro que estou falando apenas de nomenclatura, porque durante os dez anos em que estive no PT não tive motivos para me envergonhar do partido ou pelo menos dos meus companheiros mais próximos.

O Manifesto Comunista foi responsável por diminuir o meu incômodo com o mundo, não no sentido de me acomodar mas de entender de onde vinha tanta inquietação e porque a exclusão de pessoas segundo sua classe social ou sua raça me chamava a atenção já nas minhas primeiras relações sociais fora da família, no Jardim da Infância com apenas cinco anos.

Até ler o Manifesto Comunista, o sentido de me reunir com pessoas que pensassem parecido e que tivessem o objetivo de transformação era totalmente aleatório e intuitivo. Foram Marx e Engels que me indicaram a qual grupo eu pertencia, a direção e o caminho a percorrer. Tem como não amar?

“A história de toda as sociedades existentes até aqui é a história de lutas de classes.
Homem livre e escravo, patrício e plebeu, barão e servo, mestre de corporação e oficial, em suma, opressores e oprimidos, estiveram em constante oposição uns aos outros, travaram uma guerra ininterrupta, ora franca ora disfarçada; uma guerra que terminou sempre ou por uma transformação revolucionária, da sociedade inteira, ou pela destruição das duas classes em luta.” (trecho do Manifesto Comunista, capítulo Burguesia e Proletariado)

Escrevi este post enquanto revia O Último Imperador, de Bernardo Bertolucci, e me percebo fisgada de novo com meu compromisso na luta pela libertação dos oprimidos, com luta da minha classe. E não há forma melhor de enxergar isso do que em meio à crítica, diante da distorção do manifesto de Marx e Engels, como foram todas as experiências do chamado “socialismo real”.

Baixe daqui o Manifesto Comunista em pdf.

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No desafio 30 livros continuam a Renata do As Agruras e as Delícias de Ser, a Marília do Mulher Alternativa, a Mayara do Mayroses, a Cláudia do Nem Tão Óbvio Assim, a Renata do Chopinho Feminino, a Júlia do Uma Noite Catherine Suspirou Borboletas e o Eduardo do Crônicas de Escola. E tem mais a Fabiana que posta em notas no seu perfil no Facebook.

A Luciana do Eu Sou a Graúna, a Tina do Pergunte ao Pixel, a Rita do Estrada Anil, o Pádua Fernandes de O Palco e o Mundo, a Grazi do Opiniões e Livros e a  Juliana do Fina Flor já terminaram o desafio. Eu escrevi mais um post de maluca que sou, Rá!!!

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Despedida e vontades

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Dia 30 — Um livro que você ainda não leu mas quer

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Último dia do desafio 30 livros em um mês e depois de ler tantos relatos apaixonados tenho uma lista interminável de livros que desejo ler. A Mayara fez um relato tão lindo de “A Mulher Habitada” da Gioconda Belli que é impossível não desejar ter pelo menos um pedacinho de sua emoção, e eu já o baixei em espanhol.

Marília escreveu sobre “Três Vidas” da Gertrude Stein como uma de suas autoras favoritas e como, vergonhosamente, ainda não li nada dessa escritora esse está na mira. A fofa, e ainda desconhecida pra mim, da Grazi me deixou com vontade de ler dois de seus livros favoritos, “A Mulher Desiludida” de Simone de Beauvoir e “A Cidade do Sol” de Khaled Hosseini — conheço os dois autores e isso só faz a vontade aumentar.

Seguindo a lista, a Cláudia me revelou uma história que parece ser bem conhecida, só eu não deveria saber, sobre a autora de “Frankenstein“, Mary Shelley que o escreveu com apenas 19 anos entre 1816 e 1817 e deu o pontapé inicial no gênero de terror gótico. Mesmo conhecendo a história do universitário que cria um monstro e depois abandona sua criatura, fiquei com vontade de ler o original escrito por essa guria. A querida da Renata Lima me ensinou muitas coisas com seu afeto pelos livros, histórias e personagens. Desde que a conheci nunca mais consegui ir dormir sem ler pelo menos uma página e isso me faz um bem danado, um bem que ela me trouxe junto com a dica de um de seus livros mais queridos, “O Sol é Para Todos” de Lee Harper. Eu chego lá.

Pulando para a outra Renata, a Lins, descobri uma história dela com um livro que é de fazer chorar. Não vejo a hora de poder ler “O Encontro Marcado” de Fernando Sabino e poder entender um pouco mais dessa emoção e conhecer um pouco mais dessa generosa amiga que tenho certeza, veio pra ficar na minha vida. Da fina flor Juliana fiquei intrigada com sua série favorita do Peter Robinson que são cinco livros policiais, “Perto de Casa” — “Pedaço do Meu Coração” — “Caso Estranho” — “Brincando com Fogo” — “Amiga do Diabo” e não sei se chego a ler todos (não curto muito histórias policiais), mas prometo experimentar pelo menos um.

Fiquei impressionada com o Eduardo de quem não conheço nada e que postou como livro mais querido de todos “Cartas a um Jovem Poeta” do Rainer Maria Rilke que é o meu livro de cabeceira e o livro que mais vezes li na vida, e agora é como se já soubesse muito de sua alma. A Tina, que começou tudo isso, me deixou várias vontades como “O Chão que Ela Pisa” de Salman Rushdie, “O Animal Agonizante” de Philip Roth (que originou o roteiro do filme “Elegy” que eu amo) e ainda “O Filho Eterno” de Cristovão Tezza.

Da instigante Júlia vem o amor por Mario Benedetti e ficou a dica de um livro dele que eu ainda não li, “La Tregua“, e uma vergonha intergalática que terei que assumir aqui: eu desconheço, ignoro por completo, “O Guia do Mochileiro das Galáxias” de Douglas Adams. Me informou a Júlia que são cinco livros e não vai ser fácil ler tanta ficção científica, mas preciso me livrar dessa vergonha. Questão de honra. Da lista da sensível e suave Rita vieram duas dicas preciosas “A Soma dos Dias” de Isabel Allende e “Os Homens que Não Amavam as Mulheres” de Stieg Larsson (essa dica ganhou o reforço da Renata Lima). Na lista ainda incompleta da Fabiana encontrei poucos livros com os quais me identifiquei, nosso gosto diverge bastante, acho, e espero vê-la concluir o desafio para conhecê-la melhor através de seus livros.

Por último. O desafiador Pádua Fernandes me deixou uma lista interminável de livros e vontades. Poucas vezes conheci alguém com um gosto literário tão estranho a mim, foge completamente à obviedade e ao senso comum, e escolhi um para citar aqui: “Folhas de Relva” de Walt Whitman, que lerei em breve. E por fim, fim mesmo, a Graúna doida e bandoleira da Lu que citava tantos livros em cada um de seus posts que quase me enlouqueceu. Ficou a vontade imensa de mergulhar de novo em Clarice Lispector e reler com urgência “O Morro dos Ventos Uivantes” de Emily Brontë, onde há a mais romântica frase de todas (segundo a Graúna):  “seja do que for que nossas almas são feitas, a dele e a minha são iguais”.

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No desafio 30 livros continuam a Renata do As Agruras e as Delícias de Ser, a Marília do Mulher Alternativa, a Mayara do Mayroses, a Cláudia do Nem Tão Óbvio Assim, a Renata do Chopinho Feminino, a Júlia do Uma Noite Catherine Suspirou Borboletas e o Eduardo do Crônicas de Escola. E tem mais a Fabiana que posta em notas no seu perfil no Facebook.

A Luciana do Eu Sou a Graúna, a Tina do Pergunte ao Pixel, a Rita do Estrada Anil e o Pádua Fernandes de O Palco e o Mundo, Grazi do Opiniões e Livros e a  Juliana do Fina Flor já terminaram o desafio e eu encerro hoje, finalmente.

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Nunca leram um livro inteiro pra mim… #MiMiMiMi

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Dia 29 — Um livro que alguém leu pra você

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Não lembro de alguém lendo um livro para mim, pelo menos não inteiro. Mas na minha infância o meu avô paterno, Francisco, lia trechos da bíblia para mim (pelo visto não adiantou muito) e lembro de gostar. Acho que esse foi o meu primeiro contato com o realismo fantástico, porque tem algumas histórias, “vamu combiná”, que não críveis. A Renata escreveu um post divertidíssimo a respeito.

Lembro da minha adolescência da minha querida amiga Fernanda lendo trechos de qualquer livro que estivesse lendo para mim ou das matérias de revista que curtia. A Fernanda tem um dom inexplicável de traçar paralelos com realidades cotidianas e isso acontece no sentido inverso também. De repente ela está vendo uma cena babaca de novela e diz que ali está presente o conceito x do pensandor y, desenvolve um pouco mais e não há como discordar. É um privilégio conviver com a Fernanda, verdadeiro aprendizado.

Já no comecinho da faculdade tive um colega, na verdade um amor recolhido, que gostava de ler trechos do Ferreira Gullar para mim enquanto eu lia Lobo da Costa para ele.

Confesso que gostaria demais de ter um livro que pudesse citar nesse item, mas só tenho mais algumas lembranças para dividir. #MiMiMiMi

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Gravado no coração

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Dia 28 — Um livro que você pode citar de cor

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Acho que não sei citar um livro de cor. Lembro de trechos inteiros de Cartas a um Jovem Poeta do Rilke, de A Moral Deles e a Nossa ou A Revolução Permanente de Trotsky, de Felicidade Clandestina da Cecília, de Memórias do Fogo ou d’O Livro dos Abraços do Galeano, de Mrs. Dalloway da Virginia e de muitos outros livros especiais para mim. Mas a única coisa que sei de cor mesmo é um poema do jornalista, poeta e teatrólogo pelotense Francisco Lobo da Costa, chamado Na Cela.

E como eu sou muito óbvia, já o recitei diversas vezes e em alguns casos mais graves o mandei escrito de próprio punho. Sanidade? Não trabalhamos.

Lobo da Costa viveu na Pelotas rica do período das charqueadas em que a cidade respirava cultura por todos os poros. Francisco, de classe média, muito inteligente e boêmio, era suportado pela elite pelotense nos saraus muito comuns em todos os salões e salas das famílias tradicionais de toda a região. Ele se apaixonou por uma jovem abastada, Saturnina Elvira, e dedicou a ela muitos de seus poemas. Inclusive esse que sei de cor, e que eu acho o mais lindo de todos.

Na Cela

Talvez tua leias meus versos
Ao longe, onde quer que estejas
E neles de manso vejas
Uns traços de quem chorou
Como do fúnebre arbusto
No triste e medroso galho
Treme uma gota de orvalho
Depois que a noite passou
Talvez tu leias e saibas
Do meu infortúnio a mágoa
E os olhos bem rasos d’água
Te fiquem por compaixão
E procures no silêncio
Da tua tristonha herdade
Abafar uma saudade
Que nasce do coração!
Mas, se soubesse que a parca
Roçou-me a fronte já fria
Uma lágrima sombria
Deixa dos olhos rolar
Mas não fales – não blasfemes
Contra os rigores da sorte
Pois bem sabes só a morte
Nos podia separar.

Conheci a história de Lobo da Costa numa peça de teatro quando tinha 16 anos na antiga Escola Técnica Federal de Pelotas, dirigida por Valter Sobreiro Junior, chamada “Em Nome de Francisco“. E as coincidências dessa vida são tantas que anos mais tarde, o filho mais velho do Valter que era ator e que interpretou Lobo da Costa nessa peça casou com a minha melhor amiga, Fernanda, e eu sou madrinha do filho dos dois — hoje um baita guri, com 16 anos.

Lobo da Costa foi encontrado morto aos 34 anos por um carroceiro numa sarjeta de Pelotas, nu, na manhã de 19 de junho de 1888 (inverno), depois de fugir da Santa Casa de Pelotas onde estava internado. Viveu seus últimos três anos entre hospitais e bares.

Coisas de Satolep.

Leia aqui outro poema de Lobo da Costa, “Adeus“.

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No desafio 30 livros em um mês a Renata do As Agruras e as Delícias de Ser, a Marília do Mulher Alternativa, a Grazi do Opiniões e Livros, a Mayara do Mayroses, a Cláudia do Nem Tão Óbvio Assim, a Juliana do Fina Flor, a Renata do Chopinho Feminino, a Júlia do Uma Noite Catherine Suspirou Borboletas e o Eduardo do Crônicas de Escola. E tem mais a Fabiana que posta em notas no seu perfil no Facebook.

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Porque nem sempre os finais são felizes

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Dia 27 — A história de amor favorita

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A mais fácil das escolhas desse meme. Quando olhei a lista de cara sabia que a história de amor favorita era (e é, e acho que sempre será)  O Amor nos Tempos do Cólera, de Gabriel García Márquez. Desculpem-me os fãs de Shakespeare, mas a história de Fermina e Florentino coloca no chinelo Romeu e Julieta, porque ao invés de morrerem jovens (adolescentes) e inconsequentes por amor, os personagens de García Márquez vivem, sobrevivem, por amor para se encontrarem, finalmente, ao final da vida. Porque se é para amar que seja para viver, para impulsionar a vida. Né?

Quando essa história ganhou uma versão para o cinema — que não lhe faz justiça, muito pelo contrário e nem o fato de Florentino ser interpretado por Javier Bardem (ah, o Bardem…) me empolgou, é sua pior atuação no cinema (na minha modesta opinião) — li uma crítica do Érico Borgo em que ele conta como foi apresentado ao livro. Disse Érico: Quando li pela primeira vez O Amor nos Tempos do Cólera, um amigo que me emprestou o romance avisou categórico: “Cem Anos de Solidão é incrível, mas o próprio Gabriel García Márquez disse que este é o livro que ele ‘escreveu com as entranhas'”. Se o colombiano prêmio Nobel de literatura realmente declarou isso ou não, não sei – e a história é boa demais para ser desmentida por uma eventual busca no Google. Gosto dela assim. De qualquer forma, o que falta ao filme que adapta o livro é justamente isso… “entranhas”. Certíssimo, ele! Gostei tanto dessa história e ela se encaixa tanto, parece tão verdadeira, que também não quero saber se é de fato verdade. García Márquez a escreveu com as entranhas, ponto.

Um amor sem regras ou barreiras entre dois jovens com suas cartas viscerais transbordantes de afeto, ambientado numa pequena cidade caribenha no final do século XIX e que resistiu à distância, aos preconceitos e à hipocrisia da sociedade em que viviam e ao tempo. Viveram separados durante toda a vida, sobreviveram é a expressão correta. Florentino jurou amor eterno a Fermina e mesmo quando ela se casou com Juvenal Urbino sua jura persistiu. Ele se relacionou com muitas mulheres durante a vida sem se envolver com nenhuma, enquanto construía uma fortuna pensando no dia em que poderia conquistar Fermina. Esse dia chegou só quando o marido dela morreu, mais de cinquenta anos depois do primeiro encontro.

García Márquez é um sedutor inveterado, pelo menos para leitoras como eu que se atraem pela dificuldade, pelo desafio. Quanto mais difícil e estranho o texto, mais o quero. Virei refém de García Márquez nessa história. Lembro até hoje do suspiro longo e profundo e meio infinito quando li as últimas frases de O Amor nos Tempos do Cólera:

– Está dizendo isso a sério? – perguntou.
– Desde que nasci – disse Florentino Ariza – não disse uma única coisa que não fosse a sério.
O comandante olhou Fermina Daza e viu em suas pestanas os primeiros lampejos de um orvalho de inverno. Depois olhou Florentino Ariza, seu domínio invencível, seu amor impávido, e se assustou com a suspeita tardia de que é a vida, mais que a morte, a que não tem limites.
– E até quando acredita o senhor que podemos continuar nesse ir e vir do caralho? – perguntou.
Florentino Ariza tinha a resposta preparada havia cinquenta e três anos, sete meses e onze dias com as respectivas noites.
– Toda a vida – disse.

Mesmo que Florentino e Fermina não terminassem a história juntos, essa ainda seria a minha história de amor favorita, porque na vida real, longe dos contos de fada, nem sempre os finais são felizes mesmo que o amor seja intenso e dure a vida toda.

Baixe daqui O Amor nos Tempos do Cólera em pdf.

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No desafio 30 livros em um mês a Renata do As Agruras e as Delícias de Ser, a Marília do Mulher Alternativa, a Grazi do Opiniões e Livros, a Mayara do Mayroses, a Cláudia do Nem Tão Óbvio Assim, a Juliana do Fina Flor, a Renata do Chopinho Feminino, a Júlia do Uma Noite Catherine Suspirou Borboletas e o Eduardo do Crônicas de Escola. E tem mais a Fabiana que posta em notas no seu perfil no Facebook.

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O gosto das lembranças…

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Dia 26 — Um livro que lhe faz adormecer

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O livro que me faz/fazia adormecer — e talvez por isso eu durma tão mal de uns tempos para cá — é um livro de pequenos e deliciosos contos de Clarice Lispector, Felicidade Clandestina. Clarice escreve de um jeito como quem te pega pela mão e te leva para passear no jardim da sua infância, das suas mais ternas lembranças. E esse, em especial, é uma canção de ninar.

Teve uma época, confesso, que nutria um certo preconceito com Clarice, achava-a muito viajandona. Nessa época minha leitura era muito pesada, sólida e as letras de Clarice pareciam desvios. Até o dia em que peguei o caminho do desvio e me fui sem data para voltar.

O conto de abertura e que dá título ao livro é mágico. Uma menina (que parece ser a autora, o conto é escrito na primeira pessoa) sedenta pela leitura e sem recursos para custear sua fome de letras se deixava vitimar pelo sadismo de outra menina que a torturava em seu desejo de viajar nas páginas do livro prometido — Reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato. Clarice termina esse conto dizendo: “Às vezes sentava-me na rede, balançando-me com o livro aberto no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo. Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu amante.

Mas o conto com que mais vezes adormeci lendo, que conta sobre travessuras de guria roubando rosas e pitangas, vou socializar:

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Cem anos de perdão

Quem nunca roubou não vai me entender. E quem nunca roubou rosas, então é que jamais poderá me entender. Eu, em pequena, roubava rosas.
Havia em Recife inúmeras ruas, as ruas dos ricos, ladeadas por palacetes que ficavam no centro de grandes jardins. Eu e uma amiguinha brincávamos muito de decidir a quem pertenciam os palacetes. “Aquele branco é meu.” “Não, eu já disse que os brancos são meus.” “Mas esse não é totalmente branco, tem janelas verdes.” Parávamos às vezes longo tempo, a cara imprensada nas grades, olhando.
Começou assim. Numa das brincadeiras de “essa casa é minha”, paramos diante de uma que parecia um pequeno castelo. No fundo via-se o imenso
pomar. E, à frente, em canteiros bem ajardinados, estavam plantadas as flores. Bem, mas isolada no seu canteiro estava uma rosa apenas entreaberta corde-rosa-vivo. Fiquei feito boba, olhando com admiração aquela rosa altaneira que nem mulher feita ainda não era. E então aconteceu: do fundo de meu coração, eu queria aquela rosa para mim. Eu queria, ah como eu queria. E não havia jeito de obtê-la. Se o jardineiro estivesse por ali, pediria a rosa, mesmo sabendo que ele nos expulsaria como se expulsam moleques. Não havia jardineiro à vista, ninguém. E as janelas, por causa do sol, estavam de venezianas fechadas. Era uma rua onde não passavam bondes e raro era o carro que aparecia. No meio do meu silêncio e do silêncio da rosa, havia o meu desejo de possuí-la como coisa só minha. Eu queria poder pegar nela. Queria cheirá-la até sentir a vista escura de tanta tonteira de perfume.
Então não pude mais. O plano se formou em mim instantaneamente, cheio de paixão. Mas, como boa realizadora que eu era, raciocinei friamente
com minha amiguinha, explicando-lhe qual seria o seu papel: vigiar as janelas da casa ou a aproximação ainda possível do jardineiro, vigiar os transeuntes
raros na rua. Enquanto isso, entreabri lentamente o portão de grades um pouco enferrujadas, contando já com o leve rangido. Entreabri somente o bastante para que meu esguio corpo de menina pudesse passar. E, pé ante pé, mas veloz, andava pelos pedregulhos que rodeavam os canteiros. Até chegar à rosa foi um século de coração batendo.
Eis-me afinal diante dela. Paro um instante, perigosamente, porque de perto ela ainda é mais linda. Finalmente começo a lhe quebrar o talo, arranhando-me com os espinhos, e chupando o sangue dos dedos.
E, de repente – ei-la toda na minha mão. A corrida de volta ao portão tinha também de ser sem barulho. Pelo portão que deixara entreaberto, passei segurando a rosa. E então nós duas pálidas, eu e a rosa, corremos literalmente para longe da casa.
O que é que fazia eu com a rosa? Fazia isso: ela era minha.
Levei-a para casa, coloquei-a num copo d’água, onde ficou soberana, de pétalas grossas e aveludadas, com vários entretons de rosa-chá. No centro dela a cor se concentrava mais e seu coração quase parecia vermelho.
Foi tão bom.
Foi tão bom que simplesmente passei a roubar rosas. O processo era sempre o mesmo: a menina vigiando, eu entrando, eu quebrando o talo e fugindo com a rosa na mão. Sempre com o coração batendo e sempre com aquela glória que ninguém me tirava.
Também roubava pitangas. Havia uma igreja presbiteriana perto de casa, rodeada por uma sebe verde, alta e tão densa que impossibilitava a visão da igreja. Nunca cheguei a vê-la, além de uma ponta de telhado. A sebe era de pitangueira. Mas pitangas são frutas que se escondem: eu não via nenhuma. Então, olhando antes para os lados para ver se ninguém vinha, eu metia a mão por entre as grades, mergulhava-a dentro da sebe e começava a apalpar até meus dedos sentirem o úmido da frutinha. Muitas vezes na minha pressa, eu esmagava uma pitanga madura demais com os dedos que ficavam como ensangüentados. Colhia várias que ia comendo ali mesmo, umas até verdes demais, que eu jogava fora.
Nunca ninguém soube. Não me arrependo: ladrão de rosas e de pitangas tem 100 anos de perdão. As pitangas, por exemplo, são elas mesmas que pedem para ser colhidas, em vez de amadurecer e morrer no galho, virgens.

Cresci entre duas casas no mesmo bairro na periferia de Pelotas e nas duas tinha um quintal imenso, com árvores de frutas e flores e eu podia brincar com as flores — quando não tinha ataques alérgicos, como quando resolvi me pintar com o amarelo dos bem-me-quer e comê-los — e numa dessas casas, a da minha avó, tinha várias árvores de frutas; goiaba, laranja, bergamota, araçá, ameixa amarela, pera, caqui, butiá e pitanga! Então, eu não precisava roubar rosas e pitangas e achava graça e relaxava com esse conto. Mas, preciso confessar, roubava rapadurinha de leite que a minha avó fazia. Sempre que leio esse conto chego a sentir o gosto das rapadurinhas da minha avó que, tenho certeza, deixava-as sempre no mesmo lugar de propósito para que eu as roubasse.

Baixe daqui Felicidade Clandestina em pdf.

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A Luciana do Eu Sou a Graúna, a Tina do Pergunte ao Pixel e a Rita do Estrada Anil já terminaram o desafio.

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Dez dias que abalaram o mundo e a minha vida

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Dia 25 — Um livro que você odiava mas agora ama

Dia 25 — Um livro que era o mundo

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Quando li Dez Dias que Abalaram o Mundo de John Reed pela primeira vez, emprestado da biblioteca do PT de Pelotas quando tinha 19 anos, achava que já sabia tudo o que precisava saber sobre a Revolução Russa através dos relatos de seus próprios líderes. Me enganei. De fato um americano foi capaz, através de seu olhar estrangeiro, de sua precisão e capacidade de apreensão e concisão, de escrever o melhor e mais fiel relato da Revolução Russa. Nem Leon Trotsky com sua incrível visão estrategista conseguiu tal proeza em “Como Fizemos a Revolução de Outubro” (e olhem que li o livro de Reed quando ainda era trotskista).

Este livro é um pedaço da história, da história tal como eu a vi. Não pretende ser senão um relato pormenorizado da Revolução de Outubro, isto é, daqueles dias em que os bolcheviques, à frente dos operários e soldados da Rússia, tomaram o poder e o depuseram nas mãos dos sovietes. Trata principalmente de Petrogrado (antiga São Petersburgo, futuramente Leningrado e agora São Petersburgo de novo), que foi o centro, o próprio coração da insurreição. Mas o leitor deve ter em mente que tudo o que se passou em Petrogrado repetiu-se, quase exatamente, com intensidade maior ou menor e a intervalos mais curtos ou mais longos, em toda a Rússia.” (início do prefácio do autor)

Foi Reed com seu relato sem glamour ou romance, descrevendo disputas e discussões e problemas enfrentados durante o processo revolucionário que me deu uma dose cavalar de realidade e acabou despertando minha atenção para coisas que só fui entender melhor depois.

A cidade estava tranqüila. Nenhum assalto, nenhum roubo, nem sequer uma briga entre bêbados. À noite, patrulhas armadas percorriam as ruas silenciosas. Nas praças, os soldados e os guardas vermelhos, ao redor das fogueiras, riam e cantavam. Durante o dia, grandes multidões aglomeravam-se nas calçadas para ouvir as intermináveis discussões entre estudantes, soldados, negociantes, operários.
Os cidadãos seguravam-se pelo braço no meio da rua.
— É verdade que os cossacos vêm aí?
— Não.
— Quais são as últimas novidades?
— Não sei de nada. Por onde andará Kerenski?
— Ouvi dizer que está somente a oito verstas (medida linear que vale aproximadamente mil e sessenta e sete metros) de Petrogrado. É verdade que os bolcheviques se refugiaram no cruzador Aurora?
— É o que dizem…
Nas paredes, um ou outro jornal estampava as últimas notícias: retificações, apelos, decretos.
Um longo manifesto reproduzia o histórico apelo do Comitê Executivo dos Deputados Camponeses:
“… Os bolcheviques afirmam, cinicamente, que contam com o apoio dos Sovietes de Deputados Camponeses… Toda a Rússia operária precisa saber que isso é uma mentira, que todos os camponeses, por intermédio do Comitê Executivo do Soviete Pan-Russo dos Deputados Camponeses, repelem, com indignação, qualquer participação dos camponeses organizados nessa criminosa violação da vontade da classe operária.”
Eis outro manifesto da seção dos soldados, do Partido Socialista Revolucionário:
“A louca tentativa dos bolcheviques está prestes a fracassar. A guarnição está dividida. Os funcionários dos ministérios declararam-se em greve. Dentro em pouco, não haverá mais pão. Todos os partidos, com exceção dos bolcheviques, abandonaram o Congresso. Os bolcheviques estão sós. Convidamos todos os elementos honestos a cerrar fileiras em torno do Comitê para a Salvação da Rússia e da Revolução e a preparar-se para responder seriamente ao primeiro chamado do Comitê Central.”
Em impresso especial, o Conselho da República citava as seguintes calamidades:
“Cedendo à força das baionetas, o Conselho da República foi obrigado a dissolver-se no dia 7 de novembro, suspendendo, assim, provisoriamente, seus trabalhos. Os usurpadores do poder, que têm sempre nos lábios as palavras ‘liberdade’ e ‘socialismo’, encarceraram numa prisão vários membros do Governo Provisório, inclusive os ministros socialistas; suspenderam os jornais e apoderaram-se de suas oficinas gráficas. Tal governo deve ser considerado inimigo do povo e da revolução. Precisamos lutar até derrubálo. O Conselho da República, enquanto espera poder reencetar seus trabalhos, convida todos os cidadãos a agrupar-se, estreitamente unidos, em todas as seções locais do Comitê para a Salvação da Rússia e da Revolução, que trabalha para acelerar a queda dos bolcheviques e para a formação de um governo capaz de dirigir o país até a reunião da Assembléia Constituinte.”
O Dielo Naroda escrevia:
“Uma revolução é uma sublevação de todo o povo. Pois bem, que vemos entre nós? Um punhado de pobres loucos enganados por Lênin e por Trótski… Seus decretos e seus apelos serão mais tarde recolhidos ao museu das curiosidades históricas…”
E o Naródnoie Slóvo (A Palavra do Povo), órgão socialista popular, dizia:
“Governo operário e camponês? Ninguém reconhecerá tal governo. Ele só poderá ser reconhecido pelos países inimigos…”
A imprensa burguesa desaparecera, provisoriamente. O Pravda publicava um resumo da primeira reunião do novo Tsik, o Parlamento da República Soviética Russa. Miliutin, comissário da Agricultura, tinha declarado nessa reunião que o antigo Comitê Executivo dos Sovietes Camponeses convocara o Congresso Camponês Pan-Russo para o dia 13 de dezembro.
— Em nossa opinião — disse ele —, não podemos esperar. Necessitamos do apoio dos camponeses. Proponho, portanto, que o convoquemos imediatamente. Os socialistas revolucionários da esquerda concordaram. Rapidamente redigiu-se um apelo aos camponeses da Rússia. Foi escolhido um comitê de cinco membros para a execução do projeto. O problema dos planos para a divisão das terras e para o controle da indústria foi adiado até que os peritos terminassem os trabalhos.
Foram lidos e aprovados três decretos: o Regulamento Geral da Imprensa, elaborado por Lênin, mandando suspender imediatamente todos os jornais que incitassem os cidadãos à resistência ou que deformassem, conscientemente, as notícias; um segundo decreto estabelecia a moratória para o pagamento dos aluguéis; o terceiro criava a milícia operária.
Foram, além disso, aprovadas outras providências: concedendo à Duma Municipal o poder de requisitar os andares e compartimentos dos prédios vazios; ordenando que todos os vagões fossem descarregados ao chegar às estações, a fim de facilitar a distribuição de gêneros de primeira necessidade e de tornar disponível a maior quantidade possível de material rodante.
Duas horas mais tarde, o Comitê Executivo dos Sovietes Camponeses passava para toda a Rússia o seguinte telegrama:
“Uma organização irregular bolchevique, chamada Comitê Organizador do Congresso Camponês, convidou todos os sovietes camponeses a enviarem delegados para um congresso que se vai realizar em Petrogrado.
“O Comitê Executivo Pan-Russo de Deputados Camponeses declara que considera perigoso o afastamento das províncias, neste momento, das forças indispensáveis à eleição da Assembléia Constituinte, mormente quando os camponeses e todo o país só podem ser salvos pela reunião dessa assembléia. Confirmamos, mais uma vez, que o Congresso Camponês vai reunir-se somente a 13 de dezembro.”

Mais do que descobrir John Reed através de seu livro e de sua cinebiografia “Reds” feita por Warren Beatty, e a partir do filme saber um pouco mais sobre a luta dos trabalhadores americanos e suas organizações de esquerda, descobri outros aspectos dentro daquela revolução que entre os 16 e os 18 anos nunca haviam me chamado a atenção.

Nessa época, como acho que todo esquerdista faz em algum momento de sua vida militante (não estou ditando uma regra, estou confessando que um dia achei isso e que acho, “acho”, que é comum a todos os ativistas da esquerda — posso estar redondamente enganada), entendia a tomada do poder pelo proletariado (ou por seus representantes) como sinônimo de liberdade e emancipação da classe trabalhadora. Confundia o processo ainda em curso com o alcance da própria liberdade. Claro que isso tem a ver com o mito criado em torno da revolução — e principalmente na Revolução Russa — e com esse sonho tão grande e utópico de virar o mundo do avesso e construir outro baseado no ser humano e não no capital, que acaba por nos tornar românticos demais, embora a luta de classes seja muito cruel, dura e perversa. Talvez por isso mesmo precisemos cultivar essa alma “viajandona” e ligeiramente “ingênua”, ou seria impossível suportar o dia a dia dessa batalha.

O John Reed descrito por Warren Beatty, a partir do momento em que conhece a feminista Louise Bryant até sua morte já na URSS, e que foi construído não apenas pelos relatos do próprio jornalista mas também através dos depoimentos de pessoas que conviveram com o casal (e eles aparecem no filme) e contando ainda com as anotações críticas de Emma Goldman — rebelde, anarquista e feminista, autora de “Minha Desilução na Rússia” de 1923 (antes da morte de Lênin) e uma compilação de artigos sob o mesmo nome publicada em 1924 –, de quem Reed era um amigo muito próximo.

Foi através de Reed e Emma que voltei minha atenção para o início do processo de burocratização na URSS e para o cerceamento de liberdades individuais, das quais sempre fui crítica — assim como criticava todo o leste europeu e as experiência do chamado socialismo real –, mas que atribuía erroneamente durante um tempo apenas a Stalin e à URSS após Lênin. Stalin de fato foi um tirano, um ditador perverso e agravou demais essa burocratização e corrupção na URSS, mas não podemos lhe atribuir toda a culpa. Trotsky já pontuava questões importantes para o Partido Bolchevique bem antes de ser forçado ao exílio e essas observações acabaram culminando em A Moral Deles e a Nossa de 1938, livro que ele concluiu sem saber que seu filho havia sido assassinado por Stalin.

Dez Dias que Abalaram o Mundo é o livro que era um mundo pra mim, antes mesmo de lê-lo. E mesmo a URSS nem existindo mais e a Revolução Russa não tendo mais a importância que já teve na minha vida (mesmo assim pretendo estar em São Petersburgo no seu centenário), sempre que revejo Reds (esse filme está na minha lista dos cinco melhores filmes da história), lembro de trechos do relato de Reed e sinto vontade de ler de novo esse livro que me faz viajar nas minhas lembranças, de uma Niara que era só um rascunho dessa que sou agora.

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No desafio 30 livros em um mês a Renata do As Agruras e as Delícias de Ser, a Marília do Mulher Alternativa, a Grazi do Opiniões e Livros, a Mayara do Mayroses, a Cláudia do Nem Tão Óbvio Assim, a Juliana do Fina Flor, o Pádua Fernandes de O Palco e o Mundo (quase no final), a Renata do Chopinho Feminino, a Júlia do Uma Noite Catherine Suspirou Borboletas e o Eduardo do Crônicas de Escola. E tem mais a Fabiana que posta em notas no seu perfil no Facebook.

A Luciana do Eu Sou a Graúna, a Tina do Pergunte ao Pixel e a Rita do Estrada Anil já terminaram o desafio.

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