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O dia em que ajudei Zimmermann a fugir do Brasil

Rogério Zimmermann (foto: Jonathan Silva / Grêmio Esportivo Brasil)

Rogério Zimmermann (foto: Jonathan Silva / Grêmio Esportivo Brasil)

Rogério Zimmermann é um estrangeiro que vivia em exílio político no Brasil, e trabalhava como treinador de futebol no meu Grêmio Esportivo Brasil aqui em Pelotas, sul do Rio Grande. País de origem dele? Não lembro. Mas lembro que éramos muito amigos, ele morava no Estádio Bento Freitas e eu tinha acesso liberado às dependências todas do estádio. Outras mulheres também tinham, não era um privilégio exclusivo meu.

Logo após a façanha de levar o Xavante à série A do Brasileirão _no terceiro acesso consecutivo dentre as divisões do campeonato, fato único e histórico e que o elevara ao posto de maior ídolo do clube em todos os tempos, mesmo sem ter marcado diretamente nenhum gol_, meu amigo Rogério me chamou para um papo meio clandestino, certificando-se de que não havia nenhum aparelho ou dispositivo eletrônico por perto que pudesse registrar a conversa. Rogério parecia meio persecutório, apesar da imensa auto-confiança que é sua marca registrada.

Nessa conversa me fez um pedido inusitado: ajudá-lo a fugir do Brasil _o Grêmio Esportivo_ e ir para seu país de origem rever sua família _por algum motivo nesse momento ele poderia voltar. Sou xavante doente desde os 18 anos, não é segredo para ninguém. Mas também não é segredo que sou capaz de passar por cima de paixões e ideologias em busca de justiça, principalmente para amigos. Sei bem pelo relato de amigos próximos o que é viver em exílio, despatriado… Não exitei. O plano de fuga do amigo Rogério foi executado rapidamente. No dia da confraternização da equipe, direção e torcida pelo acesso à série A no Bento Freitas partiríamos, logo depois da festa no centro do gramado.

Não sei dirigir, daí escolhi uma amiga boa no volante para nos ajudar na empreitada. Que amiga? Não lembro. Só lembro que era fotógrafa, e da apreensão na saída do carro em meio à torcida ali pela João Pessoa. Ninguém poderia perceber a presença do ídolo no carro, ou não sairíamos. Ufa, conseguimos! Partiu estrada. No meu plano tínhamos que evitar o aeroporto Salgado Filho onde Rogério poderia ser reconhecido por algum torcedor ou jornalista. Longas horas de estrada, parando em pequenos e discretos restaurantes até chegar em São Paulo. Já em Guarulhos, num hotelzinho razoavelmente próximo ao aeroporto, Rogério cochichou em meu ouvido o número da nossa reserva no voo. Tinha uma senha também. Mas pra que senha? Embarcaríamos os três, com um plano falso da gravação de um documentário no país de Zimmermann.

Lembro que o cochicho de Rogério com a informação me incomodou. Há quase dois dias não tomava banho e o incômodo de estar cheirando mal me impediu de decorar o número da reserva. Rogério já respirava aliviado, confiante que tudo daria certo. Parte da agonia resolvida: consegui tomar banho. Trocamos informações sobre o melhor jeito de arrumar a mala e guardar objetos que não poderiam quebrar, o que seria bagagem de mão, etc. Fechamos as malas, cada um tinha uma pequena e partimos para o aeroporto com uma razoável folga de horário. Ainda tínhamos uma última tarefa antes de embarcar.

Já no aeroporto, check-in feito e na sala de embarque aguardando o voo fomos cumprir a última etapa do plano: a gravação da despedida de Zimmermann para a torcida xavante. Gravei, editei no notebook sentada no chão mesmo e subi no youtube. Deixei o vídeo privado até a primeira conexão já fora do país para publicar e divulgar nas redes. Acordei no momento em que me assustava com o número de visualizações crescendo por segundo.

Ca-ra-ca! Nunca tinha tido um sonho tão maluco. De qualquer forma não custa pedir: NÃO NOS ABANDONE, AMIGO ROGÉRIO!

#FicaZimmermann

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A torcida xavante merece

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Todo mundo que frequenta esse cafofo virtual sabe que sou de Satolep. Mas pouco escrevo aqui sobre a minha paixão pelo Brasil de Pelotas, apesar de estar ali do ladinho a referência. Muita gente não entende o que é ser xavante e já li até que sou branquinha demais para ser índia. (Oi?)

Explicando: O mascote do Grêmio Esportivo Brasil de Pelotas é um índio xavante e xavante é a denominação de cada torcedora e torcedor desse time que possui a terceira maior torcida, em números, do Rio Grande do Sul — diga-se de passagem o estado com a maior rivalidade (é? essa parte não me interessa) do futebol brasileiro e onde a dualidade se expressa em quase tudo –, mas em termos de paixão pelo clube, ouso dizer que a torcida xavante é a mais fiel e fanática do mundo.

A torcida mais fanática desse time, que teve sua história construída com sangue e raça, só poderia ter um site à sua altura. Pesquisei os sites de outros clubes do Brasil e do mundo e basta clicar no nome do time e comprovar o que eu já sei:

Internazionale — São Paulo —  Flamengo — Bayern — Atlético-MG — Grêmio — Peñarol — Vasco — PalmeirasParis Saint-Germain — Internacional — Corinthians — Barcelona — BotafogoSport — Real Madrid — SantosBahia — Roma — Boca Juniors e (o arqui-inimigo) Pelotas.

O Brasil de Pelotas tem o site mais lindo da história do futebol mundial. Ou melhor, tinha. Eis que hoje me deparo com o site do… FLUMINENSE!

E só me resta uma coisa a dizer: A torcida xavante merece ser homenageada assim, com um site à altura de sua paixão.

Que tal, presidente Ricardo Fonseca?

(mensagem enviada a Assessoria de Imprensa do GEB em 14/02/2012)