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Minha noite com Bob

essa noite eu trepei com Robert Redford. “Bob”, foi assim que me pediu que o chamasse. sim, foi sonho. mas não interessa…EU TREPEI COM ROBERT REDFORD!

minha amiga Iaiá estava com problemas. era introspectiva demais e pouco falava da vida pessoal. numa sexta à noitinha sobramos só eu e ela da galera do trabalho no boteco, e ela parecia aflita. perguntei o que era e ela me disse que teria que passar o final de semana com o pai. já não era mais criança nem adolescente, mas fazia parte da terapia dos dois a reaproximação. ele já tinha outra família, uma madrasta oficial e outros dois ou três irmãos também já adultos.

Iaiá ligou para o pai e perguntou se poderia levar uma amiga, para o caso desse primeiro reencontro nesse formato ser mais difícil e tals. ele concordou. fomos direto do bar. e eis que o pai da Iaiá era ninguém mais ninguém menos do que ROBERT REDFORD! trombetas soaram dentro da minha cabeça. suava frio. coração disparado. como assim, eu estava diante de Robert Redford????????????????????

bob2

por dentro estava num triplo twist carpado em looping, por fora totalmente paralisada. passado o susto, apresenta, cumprimentos, aperta a mão, meio abraça, finge que está tudo bem. respira. afasta. mostra a casa, os quartos de hóspede onde ficaremos, tenta nos deixar à vontade. pai e filha vão conversar em reservado, enquanto eu vou tomar um banho e tentar _veja bem, TENTAR_ me recuperar e resistir à ideia de pegar o celular e dar a notícia no tuíter.

jantar, sobremesa, vinho depois, música, Iaiá se recolhe, ele também. eu fico, né? quedê sono? quando finalmente me acalmo e penso em me recolher ele reaparece dizendo não conseguir dormir, que é um problema recorrente a insônia, notívago… eu também. engatamos um papo bom, daqueles que não para nunca mais, e começamos a rir e a chegar perto… e dicapoco ele me pede para chamá-lo apenas de “Bob”. eu chamo, né? vemmmmmmmmmmmm… veio.

desculpa, é i-m-p-o-s-s-í-v-e-l descrever a trepada. tal e qual em Proposta Indecente deixarei apenas a sugestão de como foi. não existem palavras para isso. acordei muito tarde no dia seguinte, perdi o almoço e achei que a Iaiá já estava melhor ambientada e decidi deixá-la só com esse pedaço da família e seguir os passos de sua terapia. Bob me acompanhou até a porta. eu flutuava.

no caminho para casa fui perseguida por bandidos irlandeses, máfia mexicana, fui parar num xópim, atiraram em mim, tentaram me empurrar escada abaixo, no poço do elevador…não interessa. apenas flutuava. EU TREPEI COM ROBERT REDFORD!

não sabia como ia contar isso pra minha amiga, podia ferrar a terapia e a reaproximação dela com o pai, estava me sentindo péssima [?????????????????]…não interessa. EU TREPEI COM ROBERT REDFORD!!!

foi só um sonho, sim, eu sei. mas, né… NÃO INTERESSA. e desculpa se pareço chata, pedante e repetitiva, mas… EU TREPEI COM ROBERT REDFORD!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

para. respira. com calma… obrigada, Iaiá! minha noite com Bob foi inesquecível. ❤


O dia em que ajudei Zimmermann a fugir do Brasil

Rogério Zimmermann (foto: Jonathan Silva / Grêmio Esportivo Brasil)

Rogério Zimmermann (foto: Jonathan Silva / Grêmio Esportivo Brasil)

Rogério Zimmermann é um estrangeiro que vivia em exílio político no Brasil, e trabalhava como treinador de futebol no meu Grêmio Esportivo Brasil aqui em Pelotas, sul do Rio Grande. País de origem dele? Não lembro. Mas lembro que éramos muito amigos, ele morava no Estádio Bento Freitas e eu tinha acesso liberado às dependências todas do estádio. Outras mulheres também tinham, não era um privilégio exclusivo meu.

Logo após a façanha de levar o Xavante à série A do Brasileirão _no terceiro acesso consecutivo dentre as divisões do campeonato, fato único e histórico e que o elevara ao posto de maior ídolo do clube em todos os tempos, mesmo sem ter marcado diretamente nenhum gol_, meu amigo Rogério me chamou para um papo meio clandestino, certificando-se de que não havia nenhum aparelho ou dispositivo eletrônico por perto que pudesse registrar a conversa. Rogério parecia meio persecutório, apesar da imensa auto-confiança que é sua marca registrada.

Nessa conversa me fez um pedido inusitado: ajudá-lo a fugir do Brasil _o Grêmio Esportivo_ e ir para seu país de origem rever sua família _por algum motivo nesse momento ele poderia voltar. Sou xavante doente desde os 18 anos, não é segredo para ninguém. Mas também não é segredo que sou capaz de passar por cima de paixões e ideologias em busca de justiça, principalmente para amigos. Sei bem pelo relato de amigos próximos o que é viver em exílio, despatriado… Não exitei. O plano de fuga do amigo Rogério foi executado rapidamente. No dia da confraternização da equipe, direção e torcida pelo acesso à série A no Bento Freitas partiríamos, logo depois da festa no centro do gramado.

Não sei dirigir, daí escolhi uma amiga boa no volante para nos ajudar na empreitada. Que amiga? Não lembro. Só lembro que era fotógrafa, e da apreensão na saída do carro em meio à torcida ali pela João Pessoa. Ninguém poderia perceber a presença do ídolo no carro, ou não sairíamos. Ufa, conseguimos! Partiu estrada. No meu plano tínhamos que evitar o aeroporto Salgado Filho onde Rogério poderia ser reconhecido por algum torcedor ou jornalista. Longas horas de estrada, parando em pequenos e discretos restaurantes até chegar em São Paulo. Já em Guarulhos, num hotelzinho razoavelmente próximo ao aeroporto, Rogério cochichou em meu ouvido o número da nossa reserva no voo. Tinha uma senha também. Mas pra que senha? Embarcaríamos os três, com um plano falso da gravação de um documentário no país de Zimmermann.

Lembro que o cochicho de Rogério com a informação me incomodou. Há quase dois dias não tomava banho e o incômodo de estar cheirando mal me impediu de decorar o número da reserva. Rogério já respirava aliviado, confiante que tudo daria certo. Parte da agonia resolvida: consegui tomar banho. Trocamos informações sobre o melhor jeito de arrumar a mala e guardar objetos que não poderiam quebrar, o que seria bagagem de mão, etc. Fechamos as malas, cada um tinha uma pequena e partimos para o aeroporto com uma razoável folga de horário. Ainda tínhamos uma última tarefa antes de embarcar.

Já no aeroporto, check-in feito e na sala de embarque aguardando o voo fomos cumprir a última etapa do plano: a gravação da despedida de Zimmermann para a torcida xavante. Gravei, editei no notebook sentada no chão mesmo e subi no youtube. Deixei o vídeo privado até a primeira conexão já fora do país para publicar e divulgar nas redes. Acordei no momento em que me assustava com o número de visualizações crescendo por segundo.

Ca-ra-ca! Nunca tinha tido um sonho tão maluco. De qualquer forma não custa pedir: NÃO NOS ABANDONE, AMIGO ROGÉRIO!

#FicaZimmermann