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Sobre um gigante, o meu afeto e os nossos sonhos

Tenho pensado demais sobre ações versus reações, exercício da palavra versus silêncio, agressão versus carinho e todas essas antíteses que às vezes se apresentam de forma sutil nas relações humanas. Quem fala demais se culpa por não conseguir cultivar o silêncio, quem agride (mesmo sem querer) se culpa por não ter controlado o instinto e quem age se culpa por não ter esperado um pouco mais e pela reação imediata à sua ação.

Óbvio que eu falo demais, agrido e me precepito em ações. Meu único atenuante é prevenir todo mundo que me cerca ou quer cercar sobre os meus defeitos – que sempre considerei mais graves e mais sobressalentes que minhas qualidades. Claro, há controvérsias. Mas o fato é que sou mais gostável à distância. Meu humor oscilante garante pelo menos uma crise de TPM diária.

Trabalhar comigo não é complicado porque longe de casa controlo meu humor fácil. É só acrescentar uma pitada generosa de deboche, algo bem simples para quem vê tudo e todos pelo seu avesso e ridículo. Mas morar comigo é osso. Se envolver afetivamente/sexualmente comigo é ainda pior. A minha opção pela solteirice nunca foi uma via de mão única, “vamo combiná”!

Me apaixonei algumas vezes e despertei muitas paixões (algumas até doentias, no sentido de não saudáveis) e afeto em muitos homens (sinto decepcionar, mas nunca senti atração por mulher – até gostaria, mas esse é um campo onde as escolhas não são bem “escolhas”), mas para nenhum o custo-benefício do meu humor-amor fechou a conta no azul. Sou a única pessoa que me suporta, já que não há outra opção e a humanidade ainda não descobriu/explorou toda a minha genialidade. Não posso privar o mundo de tamanha inteligência e criatividade, né? (Nota mental: Tá, senta lá, bobagenta!)

Falando sério, sempre convivi legal com a solidão e ninguém nunca me viu desesperada por companhia. Foi-se o tempo (há muito) em que me envolvia superficialmente. Fui ficando seletiva, chata e exigente demais. Flertava muito, paquerava muito, tinha meus casos e estava bom assim. Mas aí veio a última crise de depressão que me apartou um pouco do mundo. Venho voltando ao convívio das gentes aos poucos, passo a passo, nos últimos 15 meses.

Quando já não esperava mais, eis que surge alguém que me arrebatou todos os sentidos de uma só vez. Isso, claro, depois de me seduzir pela inteligência, pelo desafio à minha inteligência. Um homem imenso, um gigante do alto de seus 1,75m, desprovido de preconceitos e machismos, um ativista da vida, do dia a dia, e não apenas na eleição ou na adolescência que vai ficando no passado. Finalmente alguém de quem sinto orgulho, que admiro profundamente “para amar e apertar por tooooda a vida” – recitando a Felícia. O melhor de tudo? Fui plenamente correspondida.

Mas quem disse que a vida é fácil para mim? Acharam que eu estava vivendo um conto de fadas vermelho e transando ao som da Internacional Comunista? Nada. Foi só para sentir o gostinho e já caí na minha realidade perversa de novo. Só que agora, desperta, o mundo perdeu as cores – não apenas os tons avermelhados, mas todas as cores.

O que é feito do ativista gigante e corajoso que não temeu as trevas da minha alma e nem os musgos do Parque Jurassí (apelido gentil da minha “residença”)? Temo ter sido vencido pelo meu mau humor. Só tenho a meu favor a minha honestidade. Jamais enganei ninguém tentando passar por boazinha, meiga, gentil… Resta dizer aquela frasezinha chata: Avisei, não avisei?

Saiba moço gigante, clorofilado e todo trabalhado nas vinte e quatro marchas, que meu afeto é o mesmo, do teu tamanho, e que continuo alimentando nossos sonhos.

Loca por ti, America!

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