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Os homens são todos ogros?

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Quem dera todos os ogros da vida real fossem como o Shrek...

Crimes de gênero sempre ocorreram no país. Foram eles que motivaram campanhas famosas como “Quem ama não mata” e pela criação de delegacias especializadas Brasil afora. Hoje temos Delegacia de Mulheres nas principais cidades e ainda as Varas Especializadas de Violência Doméstica e uma lei específica sobre esse tipo de crime, a Maria da Penha. Mas mesmo com todas essas medidas e “estrutura” do Estado para combater ou prevenir a violência contra a mulher, os casos vem aumentando assustadoramente. O mais terrível é que eles aumentam entre os jovens. Ex-namorados, amantes e maridos (inclusive jogadores de futebol famosos) por qualquer desavença, disputa matam. Simples assim. O motivo mais comum é posse. Homens acham, em pleno século XXI, que mulheres são coisas das quais podem se apropriar e dispor como quiserem e na hora que melhor lhes aprouver. É o famoso “se não for minha, não será de nenhum outro”.

Assim foram os casos de Eloá Cristina Pimentel – a menina de 15 anos, sequestrada pelo ex-namorado Lindemberg Fernandes Alves. Maria Islaine de Morais, cabeleireira de 31 anos, morta a tiros, dentro do salão de beleza onde trabalhava, em Belo Horizonte pelo ex-marido Fábio Willian Soares. E os casos mais recentes ainda não solucionados da advogada Mércia Nakashima, em que o principal suspeito é o ex-namorado Mizael Bispo de Souza – o caso tem indícios de crime de gênero -, e Eliza Samúdio, desaparecida, ex-amante do goleiro Bruno Souza do Flamengo – que foi indiciado por sequestro, cárcere privado, agressão, aborto (apesar da gravidez ter continuado) e ameaça -, principal suspeito pelo desaparecimento.

Somam-se a esses casos os de estupro, que servem – além do abuso – como ‘desonra’, humilhação e vingança. Assim é o caso do estupro de uma menina de 14 anos por três colegas da mesma idade. Entre os suspeitos estão o filho do diretor da RBS Santa Catarina e o filho de um delegado. Todos de classe média alta, alunos do Colégio Catarinense em Florianópolis.

Os dois primeiros casos citados, os culpados estão presos. Eram trabalhadores, pobres e não são famosos. As chances da justiça ser feita e os culpados serem condenados pelos últimos crimes citados são mínimas. São todos de classe média alta e/ou famosos. No caso do estupro em Santa Catarina são todos menores (no máximo cumprirão penas sócioeducativas, no caso de serem mesmo culpados e, comprovada a culpa, julgados e condenados) e duas pontas do caso estão comprometidas, polícia e imprensa.

Citei os casos com os nomes das vítimas e dos culpados e suspeitos para que não esqueçamos deles. E para concluir, duas coisas: 1) não basta ter leis e essa falsa estrutura criada pelo Estado para combater a violência de gênero se não forem feitas campanha sócioeducativas e campanhas preventivas; 2) a impunidade é o principal incentivo ao crime, principalmente quando ela pode ser comprada.

Não adianta a Lei Maria da Penha se o judiciário é composto em sua ampla maioria por homens que ainda falam em crimes que se justificam pela honra e ainda citam o conceito de “mulher honesta”. Tenho pra mim que a Lei Maria da Penha fez o machismo dos juízes sair das sombras e se explicitar nas sentenças de habeas corpus e de abrandamento de sua aplicação, na hora de ditar as sentenças. Bom mote para uma investigação jornalística aprofundada.

Resta perguntar: Os homens só sabem se comportar como ogros? Para que tanta tecnologia e conhecimento se ainda se comportam como no tempo das cavernas? E para que as mulheres evoluíram, avançaram tanto se os homens são incapazes de acompanhar e respondem a essa evolução com violência? Seria bom para a humanidade encontrarmos essas respostas bem rápido.

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