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Yeda rejeita TV Brasil de graça e paga para ter Cultura

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Governadora tucana do Rio Grande do Sul renova o contrato com emissora do governo paulista. Rede de TV gaúcha perderá ao menos R$ 500 mil anuais em produção de programas; emissora diz que está “bem servida” pela parceria com São Paulo
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Ana Flor
Folha de São Paulo
(Porto Alegre)
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Serra e Yeda: acordo tucano

O governo gaúcho, da tucana Yeda Crusius, rejeitou uma proposta para que a TV educativa local, a TVE, retransmita a TV Brasil, do governo federal, para renovar contrato em que passará a pagar para veicular programas da TV Cultura -emissora ligada ao governo tucano de São Paulo.

Abrir mão da parceria com a TV Brasil significará para a TVE a perda de pelo menos R$ 500 mil em produção de programas ao ano, além de investimentos para migração para o sistema digital.

A emissora gaúcha fica ainda obrigada a mudar de sede, já que o prédio que ocupa há 30 anos e que pertencia ao INSS foi comprado pela EBC (Empresa Brasil de Comunicação), responsável pela TV Brasil.

A presidência da TVE afirma que não há necessidade de acordo com a TV do governo federal, porque “está muito bem servida” pela parceria com a TV Cultura. Mas, como a emissora de São Paulo decidiu cobrar pela retransmissão, a TVE passará a desembolsar em torno de R$ 20 mil ao mês.

“Nosso momento atual é investir em programação local. Queremos reorganizar uma fundação que busca desesperadamente sua autossustentação”, afirmou o presidente, Ricardo Azeredo.

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Liberdade de expressão e os Y’s cubanos

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Ultimamente o tema liberdade de expressão tem estado presente de diversas formas e em diversos momentos, sempre acompanhado da intolerância quase como o feijão está para o arroz.

Em qualquer discussão onde se invoque o direito à livre expressão, há sempre o contra-argumento implícito, nas entrelinhas, sobre a qualidade, teor do que será expressado. Ou seja, dependendo do que se tem a dizer, pode ou não ter o direito de manifestar-se. Parece absurdo, mas é mais comum do que eu mesma imaginava e gostaria que fosse.

Não sou sou ingênua a ponto de querer dar voz, pelo menos no meu espaço, para aqueles que já tem mais voz do que a maioria. Isso é uma opção. Ao mesmo tempo, é minha obrigação profissional, mesmo com viés ideológico – e todos nós temos esse viés, até mesmo os que juram não ter -, de mostrar, no mínimo, dois lados de uma situação. Senão para ser justa – humanamente impossível de conseguir o tempo todo, mesmo sendo vigilante -, mas pelo menos para situar melhor as pessoas que frequentam esse espaço e me dão ouvidos.

Recentemente reproduzi uma reportagem da BBC Brasil sobre a blogueira cubana Yoani Sánchez, quando da entrevista concedida a ela por Barak Obama. Ao final comentei que no Twitter seguia a ela, Yoani, e também a Yohandry Fontana, jornalista e médico cubano defensor da revolução.

Como o debate entre os Y’s é realmente interessante, ocorreu-me a ideia de entrevistá-los sobre a atual situação de Cuba, suas visões políticas e os rumos futuros da ilha – mais ou menos como a própria Yoani fez quando  mandou sete perguntas iguais a Obama e a Raúl Castro. Yohandry Fontana já aceitou responder minhas perguntas e continuo aguardando a resposta de Yoani Sánchez.

Como prévia à entrevista que pretendo fazer em breve com os Y’s cubanos deixo dois artigos. Um de Frei Betto, evidenciando o que ele chama de contradições de Yoani, e outro de Leandro Beguoci, publicado no site de Marcos Rolim, evidenciando por sua vez as contradições de Frei Betto a respeito da blogueira cubana. Os dois textos, muito bem escritos, expressam claramente as duas vertentes da blogosfera sobre Cuba, Yoani e essa tal liberdade de expressão.

Boa leitura e aguardem as entrevistas.

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Frei Betto, Yoani Sánchez e o Copyright, por Leandro Beguoci (site de Marcos Rolim)
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Levante sua voz!

O curta-metragem de Pedro Ekman “Levante sua voz” é produzido pelo Intervozes Coletivo Brasil de Comunicação Social, com o apoio da Fundação Friedrich Ebert Stiftung, sobre o direito à comunicação. A obra traz um retrato da concentração dos meios de comunicação existente no Brasil e a relação de poder produzida por essa concentração e o não exercício da comunicação pela ampla maioria da população.

De forma didática, o vídeo desmistifica o conceito de liberdade de expressão no Brasil, revelando que apenas 11 famílias controlam praticamente todas as concessões públicas para emissoras de rádio e televisão. Ao mesmo tempo, revela-se a perseguição às tentativas de furar esse bloqueio midiático, como é o caso das rádios comunitárias que, nos últimos anos, foram fechadas em número recorde.

“O maior desafio talvez seja justamente encontrar meios para furar a muralha de informação que o próprio oligopólio levantou ao seu redor para impedir qualquer crítica ao seu funcionamento. Para isso, acredito que temos que multiplicar os instrumentos de fala contra-hegemônica e encontrar linguagens que dialoguem com o maior número de pessoas possível” – declarou em entrevista o autor Pedro Ekman (roteirista, diretor e editor).

Confesso ter cultivado uma certa desconfiança inicial. As referências e o estilo lembram muito – muito mesmo – o Ilha das Flores de Jorge Furtado, do qual sou fã declarada e o próprio autor diz ter-se referenciado. Contudo, consegue ser único e inovador. A voz do narrador é do ator José Rubens Chachá. Assistam:

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