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Editorial de Moda (oi?) da Marcha das Vadias

Estou devendo este post há quase dois meses e antes que o assunto caia de moda…  (he – he – he)

Ao texto:

cartaz na Slut Walk São Paulo - 04062011 - foto do arquivo pessoal de Marjorie Rodrigues

Tudo começou em janeiro deste ano, em Toronto, durante uma palestra sobre segurança para a comunidade, um policial sugeriu que mulheres devem evitar se vestir como “piranhas” para não serem agredidas sexualmente. Ou como sluts, em inglês. A reação foi forte e generalizada, gerando a Slut Walk ou Marcha das Vadias, uma passeata defendendo o direito das mulheres de se vestirem como quiser e não serem atacadas por qualquer homem descontrolado nas ruas.

As Slut Walks se espalharam pelo mundo. No Brasil elas aconteceram nas principais capitais e neste post das Blogueiras Feministas tem o registro do protesto em São Paulo. Tive a sorte de estar em Brasília quando a capital federal realizou a sua Slut Walk e aí…, vocês sabem, ativista comunista feminista marchando em meio a outras ativistas comunistas (algumas nem tanto ou nada comunistas) feministas, acabou que algo me chamou muito a atenção. E não foram os cartazes ótimos e nem as palavras de ordem e nem o fato da marcha acontecer com o sol à pino e de vez em quando o pessoal parar de marchar para ficar gritando e pulando. Foi justamente o que ninguém esperaria de uma ativista comunista feminista: os modelitos Slut Walk.

Então, quem esperava um artigo feminista, essa é a hora de correr em direção a montanha mais próxima ou mudarem de canal, digo, de página. Sim, senhoras e senhores, este será um editorial de moda da Marcha das Vadias. Preparados? Ironia mode on? Voilà!

sou uma vadia livre, modernérrima com meu óculos moscona e sou linda (né, não?)

exigimos respeito! somos magros, nós podemos. morrão de inveja!

abram alas para minha lata de coca cola, minha meia arrastão, minha bota e meu sorriso desfilando na sua cara!

eu e meu estilo coroa bem resolvida laranja de ser... eu posso!

sou vadia, uso burca (e daí) e minha filhinha é caipira... somos fofas!

me visto pra mim, não pra você (ok, nós já entendemos!)

sou linda e estou abafando com meu shortinho, saltão vermelho e minha cadelinha... o.O

sou minha só minha e não de quem quiser, entenderam?

olhem como sou despojada no meu vestidinho tomara-que-caia baloné-retrô-demodê-anos80 xadrez, faixa e sapatilha!

punk? underground? roqueira? tô nem aí, sou uma vadia estilosa e tô marchando!

pedaço de carne é o karalho e deixa eu tuitar isso pro mundo...

eu uso saia jeans colada, top de couro e meia arrastão, mostro meu umbigo e não me estupre!

Jesus Loves Sluts (uau!), mas apenas as tatuadas de sainha estampada e bota

as repousantes ondas azuis do meu vestido-bata para marear meu ratinho, digo, meu cãozinho e disfarçar minha dondoquice

feminista raivosa... (medaaaaa) depois chamam de feminazi e ficam brabas...

sou santa, sou puta, sou livre... oi?

somos chiques e legais com nosso multiculturalismo e roupas coloridas... ouié!

estou super simples mas atentem pro meu sapatinho vermelho style

vadia, sim, mas contemporânea, descolada e cosmopolita!

E para terminar, a Madrasta do Texto Ruim…

vadia e bruxa de 'cathiguria', chique no melhor estilo eu-tô-arrasando-além-do-ideológico, pobralhada, com minha bolsa falsificação legítima (tô bege até agora)

Queriam um editorial de moda pra valer? Não deu, né? Ainda mais que não teve um mísero e simples vermelhinho combativo (minha opção marxista subversiva para substituir o indefectível pretinho básico). Conseguem imaginar que em meio a tantas vadias nenhuma tenha escolhido um vestido vermelho? Affff…

ps: Cês acham que já posso pleitear uma vaga como jornalista de moda? Melhor não, né? Tá.

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Fotos by Niara de Oliveira com a câmera da Amanda Vieira.

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Deem uma chance a paz!

Fotografias famosas do séc. XX

No dia 26 de maio de 1969, John Lennon e Yoko Ono, fizeram o seu mais famoso protesto, na cama. Alguns meses antes do fim dos Beatles, o músico e a artista plástica ocuparam as suítes 1738 e 1742 do Queen Elizabeth Hotel, em Montreal, Canadá. Era o segundo “bed-in” (ou Bed – Ins for Peace), nome dado para um protesto pacífico contra a guerra e para promover a paz criado por John e Yoko que consistia, basicamente, em passar alguns dias sobre o colchão e sob os flashes de fotógrafos do mundo todo. Com o ato, embalavam em ironia o recado vital em tempos de Guerra do Vietnã: “Para que perder o sono com a paz mundial?”. Durante uma semana o casal recebeu diversos artistas, amigos e personalidades que se juntaram ao coro para gravar o hino “Give Peace a Chance”, em 1° de junho. A faixa alcançou a 14ª posição nas paradas da Billboard. Em meio a muitas fotos, todas muito parecidas, não foi possível identificar o autor.

 

"Bed-In" de John e Yoko na versão em lego, feita pelo artista plástico britânico Mike Stimpson

 

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O rebelde chinês contra os tanques

Fotografias famosas do séc. XX

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Essa foto foi intitulada como “O Rebelde Desconhecido”. Mesma alcunha atribuída ao anônimo que se tornou internacionalmente conhecido ao ser gravado e fotografado em pé em frente a uma linha de tanques durante a revolta da Praça de Tiananmen (também conhecida como Praça da Paz Celestial), em 5 de junho de 1989 na China. A foto foi tirada por Jeff Widener, e na mesma noite foi capa de centenas de jornais, noticiários e revistas de todo mundo. O jovem se interpôs a duas linhas de tanques que tentavam avançar. Neste trecho do documentário “Nós que aqui estamos, por vós esperamos” de Marcelo Masagão, o rebelde chinês é identificado como “Chen Yat-sen (1932-1998), professor de Literatura e estudioso de Baudelaire”. Não há outra referência à sua identidade e nunca mais se soube notícias suas.
No ocidente as imagens foram apresentadas como um símbolo do movimento democrático chinês: um homem arriscando a vida para opor-se a um esquadrão militar. Na China, a imagem foi usada pelo governo como símbolo do “cuidado dos soldados do Exército Popular de Libertação para proteger o povo chinês: apesar das ordens de avançar, o condutor do tanque recusou-se a fazê-lo se isso implicava causar algum dano a um cidadão” – versão chinesa.
“Eu estava no quinto andar do Hotel Pequim. Consegui contrabandear minha câmera dentro de vasos chineses antigos com a ajuda de um estudante americano chamado Kirk, que estava hospedado no hotel. Esse estudante levou as imagens ainda no filme dentro da cueca de volta para o escritório da agência, de onde foram transmitidas para o mundo. (…) Quando vi a coluna de tanques achei que o solitário homem iria estragar a minha foto. Eu não estava conseguindo raciocinar direito porque estava muito gripado. Apenas alguns dias mais tarde, quando outros fotógrafos internacionais começaram a me cumprimentar pela foto foi que me dei conta da importância da imagem.” – declarou Widener, da Associated Press.
Junto com as imagens da queda do Muro de Berlim, a foto do homem solitário – que acreditava-se serem de um jovem estudante – enfrentando os tanques chineses foi um sopro de democracia e liberdade para o movimento estudantil e para os esquerdistas mundo afora, sempre constrangidos com os absurdos produzidos pela burocracia e ditaduras do chamado Leste Europeu. Não alterou absolutamente nada na China, mas influenciou o movimento estudantil no mundo todo.
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Nota pessoal:
No Brasil, nos referíamos a essa imagem como “a primavera de Pequim” e no primeiro encontro da juventude do PT realizado em Porto Alegre, em setembro de 89, usávamos uma faixa branca na cabeça com a palavra em chinês “basta” e logo abaixo em português “democracia e socialismo” em referência ao protesto solitário do rebelde chinês na Praça da Paz Celestial. Outros tempos, para mim, para o PT e para a juventude.
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"o rebelde desconhecido" na versão em lego, feita pelo artista plástico britânico Mike Stimpson

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O Beijo em Times Square

Fotografias famosas do séc. XX

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A fotografia intitulada “O Beijo” foi tirada na Times Square no dia 14 de agosto de 1945 por Alfred Eisenstaedt. Nesse dia, os americanos saíram às ruas para comemorar o fim da Segunda Guerra Mundial.

“No Dia da Vitória, eu vi um marinheiro que vinha agarrando todas as moças que encontrava. Eu saí correndo junto a ele com minha Leica, olhando para trás por cima de meu ombro. Então, de repente, vi alguma coisa branca sendo agarrada. Girei em torno e cliquei o momento em que o marinheiro beijava a enfermeira” – declarou Alfred Eisenstaedt.

A enfermeira foi identificada como Edith Shain. Em 1980, então com 62 anos, ela enviou uma carta ao Eisenstaedt, na qual dizia: “Nunca o assumi publicamente porque podia colocar-me numa posição pouco digna. Mas agora os tempos mudaram” – escreveu Edith. A revista Life tentou identificar o marinheiro, mas não foi possível já que se apresentaram 11 candidatos e todos poderiam estar falando a verdade, pois naquele dia vários marinheiros festejaram beijando todas as garotas que encontravam pela frente. Recentemente, um teste de biometria realizado por Lois Gibson, especialista forense que já desvendou mais de cem crimes, revelou que o homem da foto é Glenn McDuffie. Glenn, que sempre teve medo que morrer antes de ter sua identidade confirmada, conta que esperava o metrô quando ouviu a notícia do fim da guerra: “Fiquei tão feliz que saí para a rua, quando vi a enfermeira, corri para ela e beijei-a” – declarou. Eles não trocaram uma palavra sequer. Existe uma outra foto, do mesmo beijo, feita pelo fotógrafo Victor Jorgensen de um ângulo um pouco diferente também identificada pelo mesmo título.

Alfred Eisenstaedt, natural da antiga Prússia e naturalizado norte-americano, sobreviveu a um ataque durante a Primeira Guerra Mundial que lhe afetou ambas as pernas. Foi freelancer da Associated Press, registrou em 1933 o encontro de Hitler e Mussolini na Itália, participou da formação inicial da revista americana Life, registrou os efeitos da bomba atômica no Japão e fotografou personalidades como Winston Churchill, Marlene Dietrich, Marilyn Monroe, Ernest Hemingway, JFK e Sophia Loren. Eisenstaedt faleceu em Nova Iorque em 1995, aos 96 anos.

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O Beijo em Times Square na versão em lego, feita pelo artista plástico britânico Mike Stimpson


Protesto silencioso

Fotografias famosas do séc. XX

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Thich Quang Duc nascido em 1897 e originalmente batizado de Lâm Van Tuc, era mais conhecido como monge Mahayana. Ele ateou fogo ao próprio corpo em um processo de auto imolação em 11 de junho de 1963, em Saigon – Vietnã do Sul, contra a política de perseguição religiosa promovida pelo governo de Ngo Dinh Diem. Enquanto seu corpo ardia sob as chamas, ele manteve-se completamente imóvel, não gritou e nem emitiu qualquer ruído.
Chocado com o horror da cena e o cheiro da carne queimada, o fotógrafo Malcolm Browne tirou quatro filmes de fotos do monge. Esta foto lhe rendeu os prêmios Pulitzer e Foto do Ano da World Press Photo de 1963. A mesma imagem foi usada como capa do primeiro CD da banda americana Rage Against the Machine. O repórter David Halberstam que testemunhou e escreveu sobre o protesto também recebeu um Pulitzer.
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A auto imolação do monge Mahayana na versão em lego, feita pelo artista plástico britânico Mike Stimpson


Uma flor pela paz

Fotografias famosas do séc. XX


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A adolescente americana, Jan Rose Kasmir, aos 17 anos, enfrenta os soldados americanos da Guarda Nacional fora do Pentágono com uma flor nas mãos, durante o protesto anti-Vietnã, em março de 1967. A ousadia de Jan Rose, que pensava colocar a flor no cano da arma de um dos soldados à sua frente, foi registrada pelo fotógrafo francês Marc Riboud, um apaixonado pela notícia e pelo seu envolvimento em situações históricas.
Kasmir vive atualmente com a sua família na Dinamarca e ainda é comprometida com os mesmos ideais de sua juventude. Ela foi fotografada novamente por Riboud em outro protesto pela paz, dessa vez em Londres, durante as manifestações por Liberdade para a Palestina e pelo fim da Guerra do Iraque, em 15 de fevereiro de 2003.
O trabalho de Marc Riboud, atualmente com 86 anos, pode ser conhecido em seu site.
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O protesto de Jan Rose Kasmir na versão em lego, feita pelo artista plástico britânico Mike Stimpson


A menina afegã

Fotografias famosas do séc. XX

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A menina de olhos expressivos foi fotografada quando tinha 12 anos pelo fotógrafo Steve McCurry, em junho de 1984. Ela estava no acampamento de refugiados Nasir Bagh do Paquistão durante a guerra contra a invasão soviética. Sua foto foi publicada na capa da National Geographic em junho de 1985 e, devido a seu expressivo rosto e olhos verdes, a capa converteu-se numa das mais famosas da revista e do mundo. Sharbat Gula regressou ao Afeganistão em 1992 e vive hoje numa aldeia, é casada e mãe de três filhas.

A menina afegã na versão em lego, feita pelo artista plástico britânico Mike Stimpson