Arquivo da categoria: desabafo

na corda bamba, uma síntese

instabilidade

há situações que me desgraçam a cabeça. minha geladeira e despensa não resistirem a uma semana de intempérie; a casa suja e bagunçada e estar ao mesmo tempo desanimada para limpar/arrumar; dever grana ou favor para amigue(s) e não conseguir pagar/devolver; estar desempregada; e todas essas situações atrapalhando minha criatividade e capacidade de superação.

tudo isso, junto ou separado, acaba me deixando doente. certeza que têm uma imensa influência no meu pescoço quase sempre empedrado, nas noites mal dormidas, nos nós das minhas costas e nas consequentes enxaquecas, e nos ataques do “asiático” _aquele oriental canalha e desgraçado!

esse é o quadro atual.

a boa notícia? é no meio desse caos que estou me livrando dos braços da depressão e nadando de volta a minha superfície. não poderei me dar o luxo de esperar um momento melhor.

esse já é o sexto ciclo. que não venha o próximo.não me afoguei por pouco dessa vez. e que em algum momento minha capacidade criativa dê jeito nesse caos, em meio a ele. acho que meu coração não suporta mais tanta instabilidade, tanta corda bamba…

eu gosto é de chão, firme, para caminhar descalça.

=/

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do que nos falta

há alguns anos uma pessoa com a qual estava tretando (nem lembro o assunto da treta) me chamou em privado e disse que estava me desamigando virtualmente antes que se estressasse ao ponto de ter um câncer, dizendo: “entre eu e você ter um câncer, tenha o câncer você”. sim, a pessoa me desejou um câncer por causa de uma treta de rede social.

há alguns meses uma amiga querida, dessas que gostaria de manter contato pra vida toda, meio que estava se afastando, e eu preocupada com sua saúde e bem estar escrevi perguntando dela. respondeu dizendo preferir “evitar as energias negativas” e por isso se afastou. sim, a pessoa se referiu a mim como energia negativa.

não é que falte amor ou empatia para as pessoas. falta é respeito e gentileza mesmo no trato com o outro no dia a dia. tratar as pessoas, qualquer uma, como gostaria de ser tratado deveria ser a condição primeira para a vida em sociedade. até eu que sou bem antissocial sei disso e me comporto de forma razoável.

vejo, escuto e leio coisas parecidas todos os dias. quando não é comigo são amigos reclamando de coisas tão absurdas quanto. e fico cá ruminando com meus botões… qual a necessidade disso? que bem pode trazer desejar o mal a outra pessoa?

de verdade? torço para que cada uma das pessoas acima tenha alcançado seus objetivos de bem estar se afastando de mim. porque eu, apesar de bem chocada com o mal e grosseria gratuitos, acabei por ficar aliviada com o afastamento.

fazer o quê, né?

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e veio o dia 21…

não foi uma noite fácil. mas um combo de relaxante muscular e analgésico específico para enxaqueca mais um chazinho calmante me fizeram capotar enfiada debaixo do edredom a pedido da madrugada gélida de Satolep.

infelizmente não deu para esquecer. e nem é possível escrever a respeito ainda. mas… deu para decidir algumas coisas: nunca mais colaborarei com as violências sofridas e nunca mais me sujeitarei a fazer o que não quero, àquilo que até o corpo trava em negativa concordando com o cérebro. nunca mais!

vem aí um longo período de mudanças, que só deve encerrar no final de 2017, e vou aproveitar esse período para criar um ambiente mais dócil e amável para mim. afinal, lar é pra isso. né?

é impossível escrever ou produzir qualquer outra coisa onde é preciso lutar para garantir minutos de silêncio e paz ou para atividades que estimulem o pensamento e a criatividade.

enfim… é inverno. tempo de acumular energias para o desabrochar das flores. e é isso que vou fazer.

preciso de meias de lã.

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atropelamento e fuga

o dia hoje foi tão horrível, tão violento… me atropelou de um jeito… e me deixou lá esmigalhadinha no chão. e o único abrigo que encontrei foi justamente onde menos esperava.

está tão difícil até de lembrar _dirá tentar lidar com_ que minha única saída será fingir que não aconteceu. e assim será.

porém, foram tão raras as vezes que me senti no colo da minha mãe nesses quase 46 anos de vida que de hoje escolhi guardar só isso, a sua percepção e cuidado quando tudo era aspereza, agressão e horror.

no mais… vem ni mim 21 de junho!

ipe


Cheguei aos 45. Ê.

meu bolo de níver feito pela mamis (pêssego, chantilly e chocolate)

meu bolo de níver feito pela mamis (pêssego, chantilly e chocolate)

Completando 45 anos com aquela cara (exageraaaaaada) e ânimo de 90, resmungando muito e achando que a vida foi cruel demais comigo. E achando que estava pouco, mandou mais. Esse ano só quero esquecer. Não consegui viajar e rever pessoas queridas, mergulhei na depressão de novo e no comecinho de dezembro fui demitida. Eu estaria reclamando do mesmo jeito mesmo sem tudo isso, cêis sabem, mas parece que 2016 resolveu me dar motivo para reclamar. Então… pronto, reclamei.

Dizem que 2017 é ano “um”, ano de recomeços, de iniciar novos projetos, embarcar em novas aventuras. Pois, bem. Estou sendo forçada a recomeçar. E vou. Tenho um companheiro paciente, generoso e doce (pelo menos comigo) que faz ‘de um tudo’ para tornar minha vida melhor. Pena que nem ele, nem o desejo dos amigues queridos, nem a lindeza e amor do Parque Jurassí sejam suficientes para me trazer à tona hoje. Daí que vou ficar mais um tantinho mergulhada nessas águas turvas. Desculpa. Daqui a pouco eu volto.

Afinal acredito no poetinha, “a tristeza tem sempre uma esperança de um dia não ser mais triste não“.

Mas antes, para não perder a vibe da reclamação, deixa eu dar na cara de 2016 porque ele fez por merecer…

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A espera do sofá

Não tenho como negar que a vida está melhor do que nos tempos do Ridijanêro. De lá para cá as temperaturas são mais amenas _embora tenha tido picos de calor neste verão, como hoje_, meu salário dobrou _embora tenha dobrado também o trabalho_, a casa é mais ampla e aos poucos, entre as dívidas e a ginástica cotidiana com o orçamento temos conseguido muito aos poucos pequenas conquistas.

Uma dessas conquistas é o bendito sofá. Não temos ainda. A sala só não está completamente vazia porque tem uma mesinha com a tevê em cima, o tapete, uma poltrona _daqueles conjuntos modulados muito comuns nas salas das cohabs do país na década de 80 e 90_, um baú-pufe e uma cadeira. De vez em quando está lá também o secador de roupas.

Daí fico me dizendo “quando chegar o sofá” isso, “quando chegar o sofá” aquilo… Na verdade é uma bengala para coisas que não consigo resolver. E a chegada do sofá não resolverá também. Chuif. Fui abraçada de novo pela sombra sempre presente, na espreita, da depressão. Não sei explicar como chega, quando chega, quando começa o abraço. Só quando estou quase sem conseguir me mexer, envolta por ela e sendo consumida, é que percebo. E aí, tu não sabe se espera ela cansar, desistir ou começa a fazer uma força constante para lentamente começar a afastar seus braços de ti.

Confesso que estou sem forças. Nenhuminha. Nem os arroubos do TOC por limpeza me motivam. E cêis sabem o quanto faxina é terapêutico, né? Pois, é… Nem isso. E misturei força física com moral porque o cansaço é amplo, geral e irrestrito. Sinto uma vontade imensa de dormir, só dormir. Não choro, não me emociono diante de nada. Ok, tenho tido zero oportunidades para isso. Só consigo entrar nos meus pensamentos depois que todos dormem. E aí o relógio anuncia que logo o dia chegará para interromper o mergulho, e vem o calor… e mais um dia, depois outro e outro…

Sigo em suspenso, esperando… o sofá, já encomendado, poder deitar.

SOFÁ VERMELHO CHESTER

não, meu sofá não será vermelho. dei mole, né?


Parabéns? Prefiro cerveja

Passei a semana me esquivando das mensagens de parabéns, das rosas e do “feliz dia” referentes ao 8 de Março. Algumas acabei vendo porque embora a mulherada reclame muito do grotesco da coisa, compartilha, mostra, chama pra ver, faz estardalhaço. E o que deveria ficar apagado ganha luz, e as marcas de roupa, eletrodoméstico, móveis, cosméticos que deveriam cair no ostracismo e serem boicotadas acabam por ganhar vitrina e ainda lucram em cima das polêmicas que criamos (#DSCLPmundo, queria muito a lavadora/secadora… #PareçoFeministaMasTôPedindoMáquinaDeLavarDePresenteNo8DeMarço). Não estou dizendo que está errado criticar ou divulgar — eu mesma já fiz muito –, apenas fazendo uma observação que me é possível pela atual indisposição em olhar sascôsa.

Meu #8deMarçoDaDepressão começou quase bem. Sopa de café com leite e bolacha maria Zezé. Diliça! Até aí tudo bem, mas a parte não muito legal é que pulei da cama mais cedo para pegar o supermercado aberto e fazer as compras da semana porque já tinha item faltando na geladeira e armário (falta inclusive o armário, mas vamos pular essa parte).

Partiu supermercado e no caminho nenhuma piadinha, parabéns, rosas, comentário que fizesse referência à data. Ufa! Cheguei no super, fui até o caixa 24 horas verificar o saldo e a primeira decepção. Que porra é essa de “parabéns, mulher guerreira” que não vem com um incentivo monetário à peleia diária? Tá de sacanagem né, ô sociedade patriarcal? [TNC 1]

nem  rosa, nem parabéns... 8 de março é dia de luta!

nem rosa, nem parabéns… 8 de março é dia de luta!

Saquei o dinheiro, peguei o carrinho e fui andando sem pressa pelos corredores, olhando as xícaras e pratos que pretendo comprar (quadrados, pretos — tem vermelho também — lindos e caréééésimos, mas eu quero comprar mesmo assim), peguei as formas para pão que estou precisando e fui para os corredores de comida. Fui colocando tudo no carrinho, e claro, cheguei na parte mágica do supermercado: cerveja — item de primeiríssima necessidade e que não entra na minha geladeira há quase um mês, quase desesperada. Como a grana da semana é curta e não veio o bônus de “feliz dia, guerreira” peguei só meia dúzia de latões de Polar, só para passar o dia bebericando, alegrinha.

Fiz as compras de forma tão lerda que veio o aviso de que o supermercado ia fechar. Acelerei um pouquinho para pegar o que faltava, pão, frios, linguiça defumada e azeite. Já tinha pego os não perecíveis, farinhas, café e os hortigranjeiros (fruti não tinha, ainda consequência do desabastecimento provocado pela paralisação dos caminhoneiros, que no sul foi dicumforça). Sem fruta nenhuma ou qualquer bobagem para a casa e nenhum mimo pra mim fui para o caixa.

Assim que saquei o celular da sacola para me distrair enquanto esperava na fila, acabou a bateria. Péssimo prenúncio. Três pessoas na minha frente, cada uma delas com acompanhante e carrinho extra. Como sou impaciente, precisava de distração. Fiquei então reparando nas compras alheias, não tinha mais nada para fazer mesmo. Casal com filhos pequenos compram muito iogurte, suco de pacotinho, bolacha e nenhuma cerveja. Casal de meia idade (tipo dez anos a mais que eu, porque ainda não caiu a ficha que já entrei no segundo tempo do jogo e meia idade é para os outros, não pra mim) compra muito embutido, carne e cerveja. Yey! Chegaremos lá em breve, Gilson. Sim, #aLoka na fila do super.

#NãoTáTendoCerveja  :'(

#NãoTáTendoCerveja 😥

Chegou minha vez, fui colocando as compras na esteira (que não estava funcionando), e caí na bobagem de deixar a cerveja pro final. Já sacaram o drama, né? Pois, é. Chorem comigo, porque eu chorei mesmo quando as compras chegaram no limite da grana e tive que deixar as formas de pão [TNC2], o SBP spray [TNC 3] e a cerveja [TNC 4]. Resultado: passarei o glorioso 8 de março fazendo faxina, sendo devorada pelos mosquitos e à seco.  #TNC³

Parabéns ou rosas  pelo “meu dia”? Manda em cerveja, por favor. Polar, viu? 

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p.s.: esse não é um texto de conscientização ou feminismo, é só um desabafo mesmo.

p.s.2: abaixo tem uma lista de textos bacanas que valem a lida.

Conquistas na luta e no luto (sobre a história do 8 de março), da Maíra Kubík Mano
8 de Março – Sobre a reconciliação entre mulheres e flores, da Renata Corrêa
As guerreiras cansadas do 8 de março, da Adriana Torres

e o sempre necessário…
Dispenso esta rosa!, da Marjorie Rodrigues

e para quem tem facebook, visitem e curtam a comunidade 8 de março da depressão.