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Cheguei aos 45. Ê.

meu bolo de níver feito pela mamis (pêssego, chantilly e chocolate)

meu bolo de níver feito pela mamis (pêssego, chantilly e chocolate)

Completando 45 anos com aquela cara (exageraaaaaada) e ânimo de 90, resmungando muito e achando que a vida foi cruel demais comigo. E achando que estava pouco, mandou mais. Esse ano só quero esquecer. Não consegui viajar e rever pessoas queridas, mergulhei na depressão de novo e no comecinho de dezembro fui demitida. Eu estaria reclamando do mesmo jeito mesmo sem tudo isso, cêis sabem, mas parece que 2016 resolveu me dar motivo para reclamar. Então… pronto, reclamei.

Dizem que 2017 é ano “um”, ano de recomeços, de iniciar novos projetos, embarcar em novas aventuras. Pois, bem. Estou sendo forçada a recomeçar. E vou. Tenho um companheiro paciente, generoso e doce (pelo menos comigo) que faz ‘de um tudo’ para tornar minha vida melhor. Pena que nem ele, nem o desejo dos amigues queridos, nem a lindeza e amor do Parque Jurassí sejam suficientes para me trazer à tona hoje. Daí que vou ficar mais um tantinho mergulhada nessas águas turvas. Desculpa. Daqui a pouco eu volto.

Afinal acredito no poetinha, “a tristeza tem sempre uma esperança de um dia não ser mais triste não“.

Mas antes, para não perder a vibe da reclamação, deixa eu dar na cara de 2016 porque ele fez por merecer…

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A espera do sofá

Não tenho como negar que a vida está melhor do que nos tempos do Ridijanêro. De lá para cá as temperaturas são mais amenas _embora tenha tido picos de calor neste verão, como hoje_, meu salário dobrou _embora tenha dobrado também o trabalho_, a casa é mais ampla e aos poucos, entre as dívidas e a ginástica cotidiana com o orçamento temos conseguido muito aos poucos pequenas conquistas.

Uma dessas conquistas é o bendito sofá. Não temos ainda. A sala só não está completamente vazia porque tem uma mesinha com a tevê em cima, o tapete, uma poltrona _daqueles conjuntos modulados muito comuns nas salas das cohabs do país na década de 80 e 90_, um baú-pufe e uma cadeira. De vez em quando está lá também o secador de roupas.

Daí fico me dizendo “quando chegar o sofá” isso, “quando chegar o sofá” aquilo… Na verdade é uma bengala para coisas que não consigo resolver. E a chegada do sofá não resolverá também. Chuif. Fui abraçada de novo pela sombra sempre presente, na espreita, da depressão. Não sei explicar como chega, quando chega, quando começa o abraço. Só quando estou quase sem conseguir me mexer, envolta por ela e sendo consumida, é que percebo. E aí, tu não sabe se espera ela cansar, desistir ou começa a fazer uma força constante para lentamente começar a afastar seus braços de ti.

Confesso que estou sem forças. Nenhuminha. Nem os arroubos do TOC por limpeza me motivam. E cêis sabem o quanto faxina é terapêutico, né? Pois, é… Nem isso. E misturei força física com moral porque o cansaço é amplo, geral e irrestrito. Sinto uma vontade imensa de dormir, só dormir. Não choro, não me emociono diante de nada. Ok, tenho tido zero oportunidades para isso. Só consigo entrar nos meus pensamentos depois que todos dormem. E aí o relógio anuncia que logo o dia chegará para interromper o mergulho, e vem o calor… e mais um dia, depois outro e outro…

Sigo em suspenso, esperando… o sofá, já encomendado, poder deitar.

SOFÁ VERMELHO CHESTER

não, meu sofá não será vermelho. dei mole, né?


Parabéns? Prefiro cerveja

Passei a semana me esquivando das mensagens de parabéns, das rosas e do “feliz dia” referentes ao 8 de Março. Algumas acabei vendo porque embora a mulherada reclame muito do grotesco da coisa, compartilha, mostra, chama pra ver, faz estardalhaço. E o que deveria ficar apagado ganha luz, e as marcas de roupa, eletrodoméstico, móveis, cosméticos que deveriam cair no ostracismo e serem boicotadas acabam por ganhar vitrina e ainda lucram em cima das polêmicas que criamos (#DSCLPmundo, queria muito a lavadora/secadora… #PareçoFeministaMasTôPedindoMáquinaDeLavarDePresenteNo8DeMarço). Não estou dizendo que está errado criticar ou divulgar — eu mesma já fiz muito –, apenas fazendo uma observação que me é possível pela atual indisposição em olhar sascôsa.

Meu #8deMarçoDaDepressão começou quase bem. Sopa de café com leite e bolacha maria Zezé. Diliça! Até aí tudo bem, mas a parte não muito legal é que pulei da cama mais cedo para pegar o supermercado aberto e fazer as compras da semana porque já tinha item faltando na geladeira e armário (falta inclusive o armário, mas vamos pular essa parte).

Partiu supermercado e no caminho nenhuma piadinha, parabéns, rosas, comentário que fizesse referência à data. Ufa! Cheguei no super, fui até o caixa 24 horas verificar o saldo e a primeira decepção. Que porra é essa de “parabéns, mulher guerreira” que não vem com um incentivo monetário à peleia diária? Tá de sacanagem né, ô sociedade patriarcal? [TNC 1]

nem  rosa, nem parabéns... 8 de março é dia de luta!

nem rosa, nem parabéns… 8 de março é dia de luta!

Saquei o dinheiro, peguei o carrinho e fui andando sem pressa pelos corredores, olhando as xícaras e pratos que pretendo comprar (quadrados, pretos — tem vermelho também — lindos e caréééésimos, mas eu quero comprar mesmo assim), peguei as formas para pão que estou precisando e fui para os corredores de comida. Fui colocando tudo no carrinho, e claro, cheguei na parte mágica do supermercado: cerveja — item de primeiríssima necessidade e que não entra na minha geladeira há quase um mês, quase desesperada. Como a grana da semana é curta e não veio o bônus de “feliz dia, guerreira” peguei só meia dúzia de latões de Polar, só para passar o dia bebericando, alegrinha.

Fiz as compras de forma tão lerda que veio o aviso de que o supermercado ia fechar. Acelerei um pouquinho para pegar o que faltava, pão, frios, linguiça defumada e azeite. Já tinha pego os não perecíveis, farinhas, café e os hortigranjeiros (fruti não tinha, ainda consequência do desabastecimento provocado pela paralisação dos caminhoneiros, que no sul foi dicumforça). Sem fruta nenhuma ou qualquer bobagem para a casa e nenhum mimo pra mim fui para o caixa.

Assim que saquei o celular da sacola para me distrair enquanto esperava na fila, acabou a bateria. Péssimo prenúncio. Três pessoas na minha frente, cada uma delas com acompanhante e carrinho extra. Como sou impaciente, precisava de distração. Fiquei então reparando nas compras alheias, não tinha mais nada para fazer mesmo. Casal com filhos pequenos compram muito iogurte, suco de pacotinho, bolacha e nenhuma cerveja. Casal de meia idade (tipo dez anos a mais que eu, porque ainda não caiu a ficha que já entrei no segundo tempo do jogo e meia idade é para os outros, não pra mim) compra muito embutido, carne e cerveja. Yey! Chegaremos lá em breve, Gilson. Sim, #aLoka na fila do super.

#NãoTáTendoCerveja  :'(

#NãoTáTendoCerveja 😥

Chegou minha vez, fui colocando as compras na esteira (que não estava funcionando), e caí na bobagem de deixar a cerveja pro final. Já sacaram o drama, né? Pois, é. Chorem comigo, porque eu chorei mesmo quando as compras chegaram no limite da grana e tive que deixar as formas de pão [TNC2], o SBP spray [TNC 3] e a cerveja [TNC 4]. Resultado: passarei o glorioso 8 de março fazendo faxina, sendo devorada pelos mosquitos e à seco.  #TNC³

Parabéns ou rosas  pelo “meu dia”? Manda em cerveja, por favor. Polar, viu? 

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p.s.: esse não é um texto de conscientização ou feminismo, é só um desabafo mesmo.

p.s.2: abaixo tem uma lista de textos bacanas que valem a lida.

Conquistas na luta e no luto (sobre a história do 8 de março), da Maíra Kubík Mano
8 de Março – Sobre a reconciliação entre mulheres e flores, da Renata Corrêa
As guerreiras cansadas do 8 de março, da Adriana Torres

e o sempre necessário…
Dispenso esta rosa!, da Marjorie Rodrigues

e para quem tem facebook, visitem e curtam a comunidade 8 de março da depressão.


Eu sem o Biscate Social Club…

Parece uma letra do Vinícius… Samba em Prelúdio. Poderia ser, mas acredito que as coisas têm seu tempo e são finitas.

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Demorei para escrever contando porque tem coisas que doem mais do que deveriam. Não faço mais parte do Biscate Social Club e nem escrevo mais lá — mas meus textos, os já escritos, ficaram –, embora a relação de afeto continue com xs bisca tudo que lá permanecem e com o próprio site, que ajudei a parir com muito orgulho. Continuo lendo e continuo indicando a leitura: é libertador e libertário, além de muito prazeroso. Então, não vejam esse comunicado como desabonador ou como uma desqualificação do espaço, porque é capaz que com a minha saída ele fique melhor e menos esculhambado (a esculhambada sou eu, desculpa).

Coletivos tem ritmos, regras e seguem seus caminhos. Tenho o meu ritmo, minhas regras e meus princípios e eles estavam se chocando com o ritmo, regras e princípios do coletivo BiscateSC. Tenho esse jeito meio megafone contra a injustiça e não a admito onde estou, convivo. E houve uma imensa injustiça e covardia contra o BiscateSC e eu berrei antes de todo mundo, não esperei. Tipo queimei a linha, saí berrando antes do coletivo contra essa injustiça. Não sei se saberia fazer diferente. O coletivo achou melhor não me seguir, e nem precisava. E embora pareça, não saí por causa da mágoa de cabocla ou pela contrariedade de não ter sido seguida, mas pelo aceite coletivo à injustiça, pelo menos publicamente. Esse “concordo contigo, mas não posso assumir isso publicamente” não cabe para coletivos, acho. Pelo menos não para o eu parte de coletivos.

Há uma escritora/blog/coletivo feminista chupando o conteúdo do BiscateSC. E meu crime ou pecado foi ter dito isso com todas as letras. A ampla maioria das pessoas preferiu enxergar como “convergência de ideias”, “coincidência de pensamentos” e usar até mesmo do conceito de sororidade para aceitar essa chupação, afinal quanto mais pessoas estiverem escrevendo e conscientizando sobre a libertação das mulheres de sua opressão melhor. Depende. Não acho que varrendo divergências de fundo como racismo, machismo, classicismo, homolesbitransfobia e falta de ética para debaixo da tapete avançaremos ou chegaremos a algum lugar.

A esquerda da qual sou ativista desde quando me entendo por gente se diferencia no fazer, no trilhar o caminho e não apenas no objetivo a ser alcançado. Os demais esquerdistas que pensam que os fins justificam os meios são os mesmos que ajudaram a degradar a proposta do socialismo aos olhos do mundo e deram armas ao capitalismo para nos atacar. É preciso estar vigilante e atento. Se nos opomos à injustiça e queremos um mundo justo é preciso construí-lo desde já pelo caminho da justiça, da ética, da correção de princípios. Não é sendo condescendente com falcatruagem, roubo de ideias e o pisar no outro porque é ou parece menor segundo sua régua que teremos esse mundo justo. E isso tem muito a ver com o feminismo. Não é possível ser feminista e ter empregada doméstica (desculpa, mas não é, quem tem sabe ou deveria saber que vive em contradição), se achar melhor na cadeia de produção (exploração) ou que pode chegar “antes” que qualquer pessoa às riquezas e prazeres da vida porque é branca, hétero, cis ou num-sei-que-lá-mais. Ou se parte do princípio que somos todos iguais desde já e nos respeitamos dessa forma ou já falimos no nosso intento antes mesmo de começarmos a luta.

largando o chicote do BiscateSC... :-(

largando o chicote do BiscateSC… 😦

O BiscateSC foi ao ar no dia 17 de dezembro de 2011, e continua tão lindo em sua proposta e conteúdo hoje quanto naquela tarde nublada e abafada de verão. O mundo continua careta, hipócrita e criminalizando o comportamento das mulheres e ainda temos muito o que dizer. O BiscateSC não tem a fama que deveria, apenas deitamos em quantas camas quanto conseguimos (ho ho ho) e quem a tem (a fama) achou mais fácil reescrever nosso conteúdo e assinar seu nominho em cima do que nos dar o devido crédito. Lamento muito que seja assim, mas também agradeço porque ajuda prabu a definir quem é parceirx na trincheira de luta e quem na primeira oportunidade vai furar teu olho ou te enfiar uma faca nas costas. Não sei vocês, mas eu prefiro saber em quem posso confiar.

No mais, só tenho a dizer: continuem lendo e divulgando o BiscateSC. Melhor espaço ever onde já estive, melhores parceiros de copo e escrita que já tive, e sei que se deitássemos todos numa mesma cama era capaz de mudarmos o mundo só com esse ato. Quem sabe um dia… Hein? Hein? Hein? 😛


A esquerda e as eleições 2014

Oi. Vocês vêm sempre aqui? Pois, é. Nem eu. Só venho quando estou sufocando pelas palavras. Então, segue mais uma análise política, das minhas, em tom de desabafo, meio visceral. #TejeAvisado

luta

Tá osso aturar os debates políticos dessa eleição, estão infinitamente piores e mais rasteiros que os de 2010. Mas como tem muita gente próxima falando em patrulha e sobre a existência de cagação de regra sobre ser ou não esquerda e sobre quem é esquerda em contrapartida com suas opções eleitorais manifestas, se fazem necessários alguns esclarecimentos.

Define-se politicamente como esquerda quem é anticapitalista. Ponto. Infelizmente não é necessário nada além disso, nem ser antimachista como gostariam as feministas de esquerda, nem antirracista como gostariam os negros e negras de esquerda, nem a luta por direitos humanos e anti-homotransfobia como gostariam LGBTs e nem mesmo marxista, como gostariam os marxistas ortodoxos. Sim, os marxistas ortodoxos seriam os únicos que lamentariam, porque para os marxistas no geral basta ser anticapitalista e estar organizado na luta pela libertação do proletariado.

Particularmente gostaria que ser antimachista, antirracista e anti-homotransfobia E marxista fosse condição para ser esquerda. Seria tudo bem mais fácil. Mas não é, então bóra seguir na luta pela conscientização dos anticapitalistas que não existe secundarização ou hierarquização de lutas e se travarmos as lutas todas paralelamente engrossa mais o caldo e mais forte seremos para derrotar o capital. Afinal, o capital se estrutura em opressões — a opressão de uma classe sobre outra, de uma raça sobre outras, de um gênero sobre outros.

Ser anticapitalista já é coisa pra caralho! Significa ser contra o neoliberalismo, contra neodesenvolvimentismo que está acabando com as chances de sobrevivência no planeta (embora a experiência soviética tenha sido e seja considerada ainda como anticapitalista), a favor da reforma agrária (embora essa seja uma bandeira tradicionalmente liberal e social-democrata), estar do lado dos trabalhadores em suas lutas e organizações, contra a globalização da economia, contra a especulação financeira, contra banqueiros, contra o agronegócio, contra a matança do povo negro, contra o trabalho escravo… e por aí vai.

Significa, portanto, que ser esquerda te coloca fatalmente contra as governos e candidaturas que defendam ou estejam aliados com o capital, os empresários, o agronegócio e que não falem em reforma agrária. De modos que, no cenário de 2014 sobram poucas opções.

Tenho vários amigos que ainda defendem Dilma e o PT, amigos que gostam (desde 2010) e apostam em Marina, amigos que votarão nas poucas opções de esquerda — Luciana, Iasi, Zé Maria ou Pimenta — no primeiro turno e anularão no segundo turno, amigos que aguardarão a decisão do seu partido no segundo turno e a seguirão (sim, isso ainda existe), amigos que anularão nos dois turnos e amigos que como eu sequer irão às urnas. Respeito todos tanto quanto respeito o meu direito de me abster conscientemente do processo. Felizmente não tenho amigos que votarão em Aécio, porque aí já seria vandalismo. Mas tenho amigos que votarão em Eduardo Jorge, e, não, o PV não é anticapitalista, embora o candidato seja doidão, engraçado, divertido e tals.

Qual é o problema, então? O problema amigues é ser esquerda — não apenas os partidos, sindicatos e outras entidades, mas principalmente as pessoas que compõem essas organizações –, ativista, influenciar pessoas a sua volta com sua opinião/posição (sou do tempo, nem tão distante assim, em que as pessoas esperavam seus expoentes mais próximos tomarem partido desse ou daquele candidato para saberem/decidirem para lado iriam) e defender irresponsavelmente uma candidatura de direita, neoliberal. Isso confunde os trabalhadores e demais oprimidos induzindo-os ao erro de acreditar em quem não está comprometido com suas lutas e libertação. É grave. Considero além de omisso e covarde, canalhice. A esquerda não tem esse direito, salvo o faça também enganada. Não é o caso. Há informações de sobra e o quadro é mais cristalino que água pura.

Não se trata de patrulha do pensamento ou do voto de ninguém. Trata-se de cobrar a responsabilidade que a esquerda tem nesse processo. Quer apoiar neoliberal que vai ferrar com o ambiente, vai continuar não fazendo a reforma agrária e manterá os mais miseráveis amarrados com uma esmola que não garante condições dignas de vida e nem cidadania plena a ninguém, nem fará uma revolução na educação e muito menos dará acesso pleno à saúde a todos? Beleza, amigue. É teu direito. Só não se diga mais de esquerda porque não és. Cantar essa pedra não é patrulhar ninguém, é só dizer a verdade, o que estou fazendo questão nesse momento.

Não tenho ilusão alguma que votar no Pimenta, Luciana, Zé Maria ou Iasi e/ou ainda anular ou se abster vá alterar a conjuntura eleitoral. Desculpa, mas estou cagando pra isso. Não me sinto responsável pela escolha errada dos outros. O que considero um erro irreparável para a esquerda é matar o seu capital, o seu alimento — a confiança da classe trabalhadora e demais oprimidos. Porque o esquecimento do brasileiro só se dá com quem é distante, com o deputado ou senador em que votou, mas ele não se repete com a pessoa próxima que o convenceu/induziu/influenciou a votar no político canalha que esqueceu as promessas que fez. O capital da esquerda é a confiança que tem os oprimidos que ela estará sempre firme em sua defesa, incansável, perene, persistente.

Bater no peito reivindicando o direito pessoal e inalienável do voto é bem fácil quando quem pagará a conta pela sua escolha errada serão os mesmos de sempre, inclusive o ambiente que perde sua capacidade de autorrecuperação a cada dia e caminha para o inevitável. Mais do que isso, é uma opção ideológica. E é com isso que estou me debatendo.

Dizer isso não é eu definir quem é esquerda (essa definição já existe), é apontar a contradição e cobrar a responsabilidade que temos. Não ouso apontar nenhuma candidatura para quem se influencia por minhas opiniões e posturas porque não acredito no processo, nessa democracia de apertar botãozinho numa urna duas vezes a cada dois anos e ajo de acordo com a minha consciência.

Minha tarefa nessa eleição enquanto esquerda é denunciar as candidaturas de direita e neoliberais. Critico o que tenho que criticar nas candidaturas de esquerda, mas JAMAIS me verão batendo ou desqualificando uma candidatura de esquerda para favorecer uma de direita. Não me importo se minha posição não influencia no resultado final da eleição, porque política é bem mais que eleição e a luta de classes se dá é no dia a dia.

Desde o ano passado que penso e falo em voltar a me organizar num partido, e esse desejo vem da constatação da luta política estar cada vez mais desigual e injusta para os trabalhadores, que contam com cada vez menos camaradas de fé em sua defesa. Não sei se encontrarei um partido que me contemple, só sei que é preciso organizar a luta para enfrentar o capital — o protagonista e o grande vencedor dessa disputa eleitoral, da qual a única certeza que tenho é já estar na oposição. #BeijoMeUnfola

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O Gilson também escreveu a respeito hoje.


Menos patrulha, mais zueira!

Estou há dias para escrever sobre algo que me incomoda profundamente: patrulha. Patrulha de qualquer coisa me irrita, da vida alheia, da sexualidade alheia, patrulha ideológica, do que o alheio está comendo, vestindo, fazendo… Pior do que tentar controlar a vida das pessoas no particular é fazer isso em público. E as redes sociais (ou plataformas, como queiram) estão aí não para mostrar o que não somos, o nosso melhor ou pior, mas para potencializar o que somos — como diz o ativista Marcelo Branco.

Sou partidária do #NãoVaiTerCopa. Nunca achei que houve a mais remota possibilidade da Copa não acontecer. Não era essa a questão. O que queríamos, pelo menos eu, é que ela não tivesse causado tantos estragos, que o processo todo tivesse sido transparente, que não vivêssemos agora uma ditadura da Fifa em território nacional. Se alguém não entendeu o que significa o #NãoVaiTerCopa é ou porque não quis ou por má fé, de seguir explorando a distorção da proposta. Explicação e exemplos não faltam.

grafite de Paulo Ito, do Movimento de Decoração Anti-Copa

grafite de Paulo Ito, do Movimento de Decoração Anti-Copa

Disse a Camila Pavanelli, hoje em Eu gostaria que tivesse havido Copa:

“Acima de tudo, #NãoVaiTerCopa é a revolta com as violações de direitos humanos que aconteceram para que obras da Copa fossem realizadas (sobre as quais há farta documentação).
#NãoVaiTerCopa não é “torcer para que tudo dê errado” – é reconhecer que aquilo que mais importa *já deu* absurdamente errado. Que obras foram superfaturadas. Que pessoas foram ilegalmente removidas de suas casas. Que a FIFA deitou e rolou.
Não vai ter Copa – embora eu gostaria que tivesse havido.
Não vai ter Copa – mas Exército na rua certamente não vai faltar.”

E a má fé se estende ao ponto de patrulhar a torcida ou não pelo Brasil dos ativistas do #NãoVaiTerCopa. Tem gente achando e dizendo que não podemos gritar e comemorar os gols da Seleção Brasileira durante a Copa. A não ser que algum jogador brasileiro se manifeste em campo homenageando os operários mortos na construção dos estádios ou contra a repressão aos protestos nas ruas (que já começou) ou ainda contra a corrupção da Fifa, ninguém me verá comemorando os gols do Brasil (isso não vale para os gols da Argentina, por motivos de querer ver o constrangimento do prefeito do Rio, Eduardo Paes, porque duvido que ele cumpra a promessa…). Mas comentarei a Copa, é certo.

Não vou comemorar os gols do Brasil, mas poderia, se quisesse. Não dou a ninguém o direito de me dizer o que posso ou não fazer. Estou pelas tampas com os “estamos de olho”. APENAS, PAREM! E não defendo/reivindico essa liberdade só para mim. Vale para qualquer um. Nem fechamos ainda as feridas da ditadura e já tem gente achando razoável patrulhar a vida alheia por questões ideológicas… Eu sei que a mais recente ditadura brasileira não está no currículo escolar como deveria, no caso dos mais jovens, mas vejo gente que viveu a repressão achando correto impingir sua vontade, o que acha correto para si, aos outros. Não, né?

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Digo apenas para quem ainda acha o #NãoVaiTerCopa ridículo e que o seu uso auto-justifica a patrulha, que esse movimento pautou a Fifa, pautou a imprensa (de fio a pavio) e pautou até o Governo Federal. Na noite de ontem, a presidenta Dilma Rousseff gastou dez minutos de tempo e de dinheiro público num pronunciamento em rede nacional para dizer o óbvio, que vai ter Copa. Por favor, né? Até quem protesta sabe que vai ter Copa, sempre soube que teria. Mas, se precisam reafirmar isso ao mundo a todo momento é porque #NãoVaiTerCopa, é porque #NãoTeveCopa, e esse movimento foi muito, mas muito além do que pretendia, que era simplesmente protestar, fazer valer nossa voz e mostrar ao mundo o nosso descontentamento.

Leia também O ópio dos intelectuais #CopaPraQuem #NaoVaiTerCopa

PARABÉNS a todos os envolvidos no #NãoVaiTerCopa. Pautamos o país, e ainda não terminamos de dar o nosso recado. No mais, deixem cada um torcer, secar, torcer contra, como bem quiser. Deu de “ame-o ou deixe-o”. Esse governo já tem semelhanças demais com a ditadura militar para um representante da democracia, eleito pelo voto direto. Já avisei e reforço aqui: continuarei usando o #NaoVaiTerCopa durante a Copa e até depois dela. Reclamem pro Papa se não gostarem.

Uma Copa que tem como logo um “facepalm”, de mascote um tatu e ainda teve a promessa de trem-bala entre Rio e São Paulo, já começou não tendo. Toda a zueira a partir daí está valendo. E vai vendo que nem bem começou e já rolou a “sucupirização” da Copa.

Portanto, senhoras e senhores… Menos patrulha, porque a Copa da zueira já começou!

a Copa da zueira já começou!

E só para deixar bem claro… #NãoVaiTerCopa!!! 😛


Feliz dia do “vem me limpar”, que nunca ouvi

Tão difícil definir minha relação com a maternidade que nem tento. Não gosto de datas comerciais, mas de uma forma ou outra as manifestações desses dias me atingem. Recebo os parabéns com atenção, respondo a todos. Sei do carinho dos amigxs por mim. Sei também do respeito por essa minha história torta e tão do avesso — essa sem definição — com a maternidade.

Só sei que ver as manifestações de tantxs filhxs que envolvem escritas, falas e declarações “normais” de afeto para com suas mães mexe comigo. Não tem como não. Até as brincadeiras do tipo “feliz dia do ‘tô com fome'”, “feliz dia do ‘quero ir embora'”, “feliz dia do ‘vem me limpar'” me deixam miudinha. Nunca ouvi nada disso, e nem vou. E… Ah, como eu queria ouvir.

Mas já, já, passa. O dia já vai se encaminhando para o final, e eu tenho muito trabalho, é fato, mas também tenho muitas alegrias. Apenas que elas não cabem nessa caixinha do ‘ser mãe’ de todos. É um outro jeito de fazer, sentir, ser. Nem faço questão de me fazer entender, era só para desabafar mesmo.

eu + Calvin = nós! ♥

eu + Calvin = nós! ♥