Dez dias que abalaram o mundo e a minha vida

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Dia 25 — Um livro que você odiava mas agora ama

Dia 25 — Um livro que era o mundo

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Quando li Dez Dias que Abalaram o Mundo de John Reed pela primeira vez, emprestado da biblioteca do PT de Pelotas quando tinha 19 anos, achava que já sabia tudo o que precisava saber sobre a Revolução Russa através dos relatos de seus próprios líderes. Me enganei. De fato um americano foi capaz, através de seu olhar estrangeiro, de sua precisão e capacidade de apreensão e concisão, de escrever o melhor e mais fiel relato da Revolução Russa. Nem Leon Trotsky com sua incrível visão estrategista conseguiu tal proeza em “Como Fizemos a Revolução de Outubro” (e olhem que li o livro de Reed quando ainda era trotskista).

Este livro é um pedaço da história, da história tal como eu a vi. Não pretende ser senão um relato pormenorizado da Revolução de Outubro, isto é, daqueles dias em que os bolcheviques, à frente dos operários e soldados da Rússia, tomaram o poder e o depuseram nas mãos dos sovietes. Trata principalmente de Petrogrado (antiga São Petersburgo, futuramente Leningrado e agora São Petersburgo de novo), que foi o centro, o próprio coração da insurreição. Mas o leitor deve ter em mente que tudo o que se passou em Petrogrado repetiu-se, quase exatamente, com intensidade maior ou menor e a intervalos mais curtos ou mais longos, em toda a Rússia.” (início do prefácio do autor)

Foi Reed com seu relato sem glamour ou romance, descrevendo disputas e discussões e problemas enfrentados durante o processo revolucionário que me deu uma dose cavalar de realidade e acabou despertando minha atenção para coisas que só fui entender melhor depois.

A cidade estava tranqüila. Nenhum assalto, nenhum roubo, nem sequer uma briga entre bêbados. À noite, patrulhas armadas percorriam as ruas silenciosas. Nas praças, os soldados e os guardas vermelhos, ao redor das fogueiras, riam e cantavam. Durante o dia, grandes multidões aglomeravam-se nas calçadas para ouvir as intermináveis discussões entre estudantes, soldados, negociantes, operários.
Os cidadãos seguravam-se pelo braço no meio da rua.
— É verdade que os cossacos vêm aí?
— Não.
— Quais são as últimas novidades?
— Não sei de nada. Por onde andará Kerenski?
— Ouvi dizer que está somente a oito verstas (medida linear que vale aproximadamente mil e sessenta e sete metros) de Petrogrado. É verdade que os bolcheviques se refugiaram no cruzador Aurora?
— É o que dizem…
Nas paredes, um ou outro jornal estampava as últimas notícias: retificações, apelos, decretos.
Um longo manifesto reproduzia o histórico apelo do Comitê Executivo dos Deputados Camponeses:
“… Os bolcheviques afirmam, cinicamente, que contam com o apoio dos Sovietes de Deputados Camponeses… Toda a Rússia operária precisa saber que isso é uma mentira, que todos os camponeses, por intermédio do Comitê Executivo do Soviete Pan-Russo dos Deputados Camponeses, repelem, com indignação, qualquer participação dos camponeses organizados nessa criminosa violação da vontade da classe operária.”
Eis outro manifesto da seção dos soldados, do Partido Socialista Revolucionário:
“A louca tentativa dos bolcheviques está prestes a fracassar. A guarnição está dividida. Os funcionários dos ministérios declararam-se em greve. Dentro em pouco, não haverá mais pão. Todos os partidos, com exceção dos bolcheviques, abandonaram o Congresso. Os bolcheviques estão sós. Convidamos todos os elementos honestos a cerrar fileiras em torno do Comitê para a Salvação da Rússia e da Revolução e a preparar-se para responder seriamente ao primeiro chamado do Comitê Central.”
Em impresso especial, o Conselho da República citava as seguintes calamidades:
“Cedendo à força das baionetas, o Conselho da República foi obrigado a dissolver-se no dia 7 de novembro, suspendendo, assim, provisoriamente, seus trabalhos. Os usurpadores do poder, que têm sempre nos lábios as palavras ‘liberdade’ e ‘socialismo’, encarceraram numa prisão vários membros do Governo Provisório, inclusive os ministros socialistas; suspenderam os jornais e apoderaram-se de suas oficinas gráficas. Tal governo deve ser considerado inimigo do povo e da revolução. Precisamos lutar até derrubálo. O Conselho da República, enquanto espera poder reencetar seus trabalhos, convida todos os cidadãos a agrupar-se, estreitamente unidos, em todas as seções locais do Comitê para a Salvação da Rússia e da Revolução, que trabalha para acelerar a queda dos bolcheviques e para a formação de um governo capaz de dirigir o país até a reunião da Assembléia Constituinte.”
O Dielo Naroda escrevia:
“Uma revolução é uma sublevação de todo o povo. Pois bem, que vemos entre nós? Um punhado de pobres loucos enganados por Lênin e por Trótski… Seus decretos e seus apelos serão mais tarde recolhidos ao museu das curiosidades históricas…”
E o Naródnoie Slóvo (A Palavra do Povo), órgão socialista popular, dizia:
“Governo operário e camponês? Ninguém reconhecerá tal governo. Ele só poderá ser reconhecido pelos países inimigos…”
A imprensa burguesa desaparecera, provisoriamente. O Pravda publicava um resumo da primeira reunião do novo Tsik, o Parlamento da República Soviética Russa. Miliutin, comissário da Agricultura, tinha declarado nessa reunião que o antigo Comitê Executivo dos Sovietes Camponeses convocara o Congresso Camponês Pan-Russo para o dia 13 de dezembro.
— Em nossa opinião — disse ele —, não podemos esperar. Necessitamos do apoio dos camponeses. Proponho, portanto, que o convoquemos imediatamente. Os socialistas revolucionários da esquerda concordaram. Rapidamente redigiu-se um apelo aos camponeses da Rússia. Foi escolhido um comitê de cinco membros para a execução do projeto. O problema dos planos para a divisão das terras e para o controle da indústria foi adiado até que os peritos terminassem os trabalhos.
Foram lidos e aprovados três decretos: o Regulamento Geral da Imprensa, elaborado por Lênin, mandando suspender imediatamente todos os jornais que incitassem os cidadãos à resistência ou que deformassem, conscientemente, as notícias; um segundo decreto estabelecia a moratória para o pagamento dos aluguéis; o terceiro criava a milícia operária.
Foram, além disso, aprovadas outras providências: concedendo à Duma Municipal o poder de requisitar os andares e compartimentos dos prédios vazios; ordenando que todos os vagões fossem descarregados ao chegar às estações, a fim de facilitar a distribuição de gêneros de primeira necessidade e de tornar disponível a maior quantidade possível de material rodante.
Duas horas mais tarde, o Comitê Executivo dos Sovietes Camponeses passava para toda a Rússia o seguinte telegrama:
“Uma organização irregular bolchevique, chamada Comitê Organizador do Congresso Camponês, convidou todos os sovietes camponeses a enviarem delegados para um congresso que se vai realizar em Petrogrado.
“O Comitê Executivo Pan-Russo de Deputados Camponeses declara que considera perigoso o afastamento das províncias, neste momento, das forças indispensáveis à eleição da Assembléia Constituinte, mormente quando os camponeses e todo o país só podem ser salvos pela reunião dessa assembléia. Confirmamos, mais uma vez, que o Congresso Camponês vai reunir-se somente a 13 de dezembro.”

Mais do que descobrir John Reed através de seu livro e de sua cinebiografia “Reds” feita por Warren Beatty, e a partir do filme saber um pouco mais sobre a luta dos trabalhadores americanos e suas organizações de esquerda, descobri outros aspectos dentro daquela revolução que entre os 16 e os 18 anos nunca haviam me chamado a atenção.

Nessa época, como acho que todo esquerdista faz em algum momento de sua vida militante (não estou ditando uma regra, estou confessando que um dia achei isso e que acho, “acho”, que é comum a todos os ativistas da esquerda — posso estar redondamente enganada), entendia a tomada do poder pelo proletariado (ou por seus representantes) como sinônimo de liberdade e emancipação da classe trabalhadora. Confundia o processo ainda em curso com o alcance da própria liberdade. Claro que isso tem a ver com o mito criado em torno da revolução — e principalmente na Revolução Russa — e com esse sonho tão grande e utópico de virar o mundo do avesso e construir outro baseado no ser humano e não no capital, que acaba por nos tornar românticos demais, embora a luta de classes seja muito cruel, dura e perversa. Talvez por isso mesmo precisemos cultivar essa alma “viajandona” e ligeiramente “ingênua”, ou seria impossível suportar o dia a dia dessa batalha.

O John Reed descrito por Warren Beatty, a partir do momento em que conhece a feminista Louise Bryant até sua morte já na URSS, e que foi construído não apenas pelos relatos do próprio jornalista mas também através dos depoimentos de pessoas que conviveram com o casal (e eles aparecem no filme) e contando ainda com as anotações críticas de Emma Goldman — rebelde, anarquista e feminista, autora de “Minha Desilução na Rússia” de 1923 (antes da morte de Lênin) e uma compilação de artigos sob o mesmo nome publicada em 1924 –, de quem Reed era um amigo muito próximo.

Foi através de Reed e Emma que voltei minha atenção para o início do processo de burocratização na URSS e para o cerceamento de liberdades individuais, das quais sempre fui crítica — assim como criticava todo o leste europeu e as experiência do chamado socialismo real –, mas que atribuía erroneamente durante um tempo apenas a Stalin e à URSS após Lênin. Stalin de fato foi um tirano, um ditador perverso e agravou demais essa burocratização e corrupção na URSS, mas não podemos lhe atribuir toda a culpa. Trotsky já pontuava questões importantes para o Partido Bolchevique bem antes de ser forçado ao exílio e essas observações acabaram culminando em A Moral Deles e a Nossa de 1938, livro que ele concluiu sem saber que seu filho havia sido assassinado por Stalin.

Dez Dias que Abalaram o Mundo é o livro que era um mundo pra mim, antes mesmo de lê-lo. E mesmo a URSS nem existindo mais e a Revolução Russa não tendo mais a importância que já teve na minha vida (mesmo assim pretendo estar em São Petersburgo no seu centenário), sempre que revejo Reds (esse filme está na minha lista dos cinco melhores filmes da história), lembro de trechos do relato de Reed e sinto vontade de ler de novo esse livro que me faz viajar nas minhas lembranças, de uma Niara que era só um rascunho dessa que sou agora.

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No desafio 30 livros em um mês a Renata do As Agruras e as Delícias de Ser, a Marília do Mulher Alternativa, a Grazi do Opiniões e Livros, a Mayara do Mayroses, a Cláudia do Nem Tão Óbvio Assim, a Juliana do Fina Flor, o Pádua Fernandes de O Palco e o Mundo (quase no final), a Renata do Chopinho Feminino, a Júlia do Uma Noite Catherine Suspirou Borboletas e o Eduardo do Crônicas de Escola. E tem mais a Fabiana que posta em notas no seu perfil no Facebook.

A Luciana do Eu Sou a Graúna, a Tina do Pergunte ao Pixel e a Rita do Estrada Anil já terminaram o desafio.

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Sobre Niara de Oliveira

ardida como pimenta com limão! marginal, chaaaaaaata, comunista, libertária, biscate feminista, amante do cinema, "meio intelectual meio de esquerda", xavante, mãe do Calvin, gaúcha de Satolep, avulsa no mundo. Ver todos os artigos de Niara de Oliveira

9 respostas para “Dez dias que abalaram o mundo e a minha vida

  • Pádua Fernandes

    Que sincronicidade: hoje mesmo vi esse livro. Estou lendo, aos poucos, a obra completa de Lênin, e acho que nela já está o que seria Stálin.
    Abraços, Pádua

  • Renata Lins

    Esse é um dos meus, como te disse. E, como muitos, ele chegou através do meu pai que amava os livros. Mergulhei nesse mundo, um pouco tensa como muitas vezes, da responsabilidade de achar que precisava “entender” tudo. Mas o livro é uma delícia, e rápido esqueci do que precisava entender pra me encantar com o relato de alguém que esteve lá.
    Eu sou o cúmulo do autocentradismo, e talvez por isso adoro relatos na primeira pessoa: ver pelos olhos dos outros.
    Também abalou meu mundo.

  • Niara de Oliveira

    Essa é uma crítica difícil de fazer (pelo menos pra mim), mas é verdade. Cresci politicamente me emocionando e recitando a definição de democracia de Lênin, mas a ditadura do proletariado e a concepção leninista de organização se adaptam bem apenas para situações extremas como a resistência a uma ditadura e à militância na clandestinidade. De resto, concordo em gênero, número e grau com Emma Goldman. Nessas horas difíceis sempre volto ao Marx, que era antes de tudo um libertário, e perco essa sensação de “auto traição ideológica”. Beijo, Pádua.

  • Niara de Oliveira

    É exatamente isso, Renata. O Reed nos coloca na cena “do crime”, nas ruas de São Petersburgo nos dias da revolução. Ele me deu a certeza (ainda me assombrava o mito, o fantasma da “imparcialidade”) que era possível ser jornalista e ter lado, ter uma causa, ideologia, e ainda assim ser honesto e preciso no relato dos fatos. Foi muito importante pra mim. Beijo!

  • Rejane

    Vi o filme Niara, não li o livro. E não conheço nem a terça parte dessa história, como você conhece. Da história da revolução bolchevique. Ou seja, nunca li um livro que contasse essa história detalhadamente e o que sei, sei através de relatos orais que recebia das pessoas com as quais convivia e convivo até hoje, ou de fragmentos e críticas dessa história que permeia resenhas, crônicas, artigos. Agora o filme, ah! esse filme talvez também seja a minha grande paixão. Não digo que seja o melhor filme que já vi, porque existem outros que também amo e cada um deles tem um significado diferente, de acordo com o momento em que os assisti pela primeira vez. Por exemplo, o filme ou os filmes da minha infância, posso dizer com certeza que foram Poliana e A Noviça Rebelde (esse amo de paixão também) . Agora Reds, eu o assisti na época em que participava do Movimento pela Anistia e me relacionava com o pai do meu filho, meu primo também, que foi preso político aqui no Recife por 9 anos. Quando ele foi preso eu tinha apenas 14 anos. Mas aos 19, já então na Faculdade, passei a visitá-lo na prisão e aí iniciamos a nossa relação. Passei 3 anos da minha vida, entre os 20 e 23 anos nessa relação com ele ainda preso e engravidei do meu filho alguns meses antes dele ser anistiado. Meu companheiro de então foi anistiado em novembro de 1979 e eu tive meu filho em Janeiro de19 80. Bom, esse relato é só para contextualizar a minha inserção e interesse nessa história toda. Quando Reds foi lançado fiquei encantada e não sei mais quantas vezes o assisti. Sei que no cinema foram várias. Então é isso. Adoro comentar aqui, especialmente sobre coisas que conheço, livros e filmes que também tiveram um papel importante na minha vida. Mas principalmente, porque, ao comentar, perco o medo de escrever, até porque, o essencial, o que tinha de ser lido, já está escrito no post (rs…). Escrever dói não é? Escrever é para os corajosos. Os demais pegam carona (como eu, que morro de medo de me soltar, de me mostrar publicamente e por isso, a maior parte da vezes me limito a dá pitacos lá no blog e demoro tanto a terminar os meu trabalhos, como a minha tese de doutorado que nem sei mais se vou terminar). Beijo querida e, talvez até por egoísmo, continuo apelando para você continuar escrevendo (rs…)

  • Renata Lins

    Sim, pra mim também teve esse efeito, até porque o moço por quem meu coração batia nesse momento aí da vida (15 anos) queria ser jornalista, e engajado. Eu achava tudo muito estranho. Mas aí li o livro e pela primeira vez entendi que dava, que jornalista não era “neutro”. Não era um “rábula de fatos”.

  • Niara de Oliveira

    Que lindo isso, Rejane. Fico lisonjeada que te sintas à vontade para contar tuas histórias aqui e que os meus posts te inspirem escrever. Poxa… Sempre fico emocionada. Beijo!

  • Rejane

    Sim, minha amiga. Teus posts me inspiram mesmo. E também me sinto, de verdade, muito à vontade para comentar aqui. Porque o que escreves é sempre muito bom. Um cheiro.

  • Flávio Maia

    Postei no facebook hoje o seguinte post, após terminar o livro : Em 1917, após 3 anos em guerra, a Rússia estava completamente desestruturada. A Alemanha sabia que tinha que tentar sua cartada final antes de os Estados Unidos mobilizarem completamente seu exército. Para tanto, buscou fomentar uma crise interna na Rússia que a retirasse da guerra e permitisse o deslocamento de toda sua força para o front oeste. Então, colocou Vladimir Lenin, exilado na Suíça, em um trem blindado secreto, e o transportou até Petrogrado para se encontrar com seus camaradas bolcheviques. John Reed, um militante socialista, estava no local e momento certos e escreveu aquela que é considerada a obra seminal sobre a Revolução Russa. Reed, um idealista, não redigiu um texto isento, pelo contrário. Sua predileção pela facção comunista está presente em todas as linhas, o que não retira o valor da narrativa. O texto é sim extremamente cansativo, como já me alertara Fabio Grecchi, mas porque reproduz dezenas de discursos ocorridos na época. Recomendo a obra apenas aos muito interessados no período histórico… Impressionante, no entanto, foi perceber que as propostas bolcheviques resumiam-se a três pilares básicos: uma paz sem indenizações e anexações, a autodeterminação dos povos e “todo poder aos sovietes”. O que se viu, porém, foi a criação de uma ditadura de partido único, com perseguição implacável aos dissidentes, e um tratado de paz firmado com a Alemanha (Brest-Litovsk), que fez com que a Rússia perdesse 1/4 do seu território, metade das suas indústrias e 9/10 da produção de carvão… Reed morreu em 1920, pouco tempo depois da publicação do livro, e foi enterrado no Kremlin como herói da revolução. Tentei imaginar se teria escrito algo com menos idealismo se houvesse vivido um pouco mais…

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