histórias que fazem História e que emocionam

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Dia 20 — O último livro que você leu

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Só li quatro livros em 2011 e todos quando ainda estava em Pelotas e precisava me dividir entre trabalho fora de casa, trabalho em casa, os cuidados com o Calvin e entre todas as outras coisas que leio e escrevo, sono, cansaço, etc. Mesmo assim considero vergonhoso. Mas… C’est la Vie!

O último dos quatro livros que li foi O Cardeal e o Repórter, de Ricardo Carvalho, o jornalista que esteve muito próximo do cardeal Dom Paulo Evaristo Arns entre 1977 e 1984 revirando os arquivos militares sobre torturados, mortos e desaparecidos da ditadura militar brasileira. Juntos, descobriram fatos que viraram reportagens que se transformaram em marcos da resistência.

Neste período, Ricardo deu de bandeija para a Folha de São Paulo — e depois para outros veículos — vários “furos de reportagem”, quando a violação de direitos humanos era prática comum no Brasil e no cone sul da América Latina. O segredo de todos os furos e reportagens certeiras de Ricardo estava num informante secreto e altamente confiável, que era o próprio cardeal.

O livro descreve com emoção e precisão os bastidores dessas reportagens e vai revelando a relação de Ricardo com Dom Paulo. Algumas dessas histórias mais se parecem aventuras — algumas muito perigosas — como o encontro dos bispos brasileiros, em Itaici em 1977, onde era discutida a relação da igreja com a política que originou o documento “Exigências Cristãs de uma Ordem Política” e que foi tirado (roubado) do encontro pelos repórtes que faziam sua cobertura; a quase prisão de Perez Esquivel (prêmio Nobel da Paz de 1980) por quatro agentes federais e que por um triz não foi “esquartejado” no cabo-de-guerra entre os que tentavam prendê-lo e os que tentavam impedir sua prisão; a identificação dos primeiros filhos e filhas de presos políticos, sequestrados pela Operação Condor; a saída de Cláudio Abramo da Folha de São Paulo; entre muitas outras.

Enfim, o livro é recheado de histórias emocionantes. Mas, uma me marcou mais: O relato do encontro do primeiro corpo de um desaparecido da ditadura na Vala de Perus (Cemitério Dom Bosco, em São Paulo), Luiz Eurico Tejera Lisbôa, ao lado de sua viúva Suzana Lisbôa.  Esse relato eu já conhecia da entrevista que fiz com Suzana em 2009, de como foi encontrar os restos de seu marido, um dos poucos desaparecidos encontrados até hoje. O encontro dos corpos na Vala de Perus foi capa da revista Isto É, pauta que partiu da Comissão Arquidiocesana de Direitos Humanos, sob o comando de Dom Paulo.

Nem preciso dizer o quão emocionante foi esse livro pra mim, né?

Compre aqui O Cardeal e o Repórter.

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No desafio 30 livros em um mês a Renata do As Agruras e as Delícias de Ser, a Marília do Mulher Alternativa, a Grazi do Opiniões e Livros, a Mayara do Mayroses, a Cláudia do Nem Tão Óbvio Assim, a Juliana do Fina Flor, o Pádua Fernandes de O Palco e o Mundo, a Renata do Chopinho Feminino, a Júlia do Uma Noite Catherine Suspirou Borboletas e o Eduardo do Crônicas de Escola. E tem mais a Fabiana que posta em notas no seu perfil no Facebook.

A Luciana do Eu Sou a Graúna, a Tina do Pergunte ao Pixel e a Rita do Estrada Anil já terminaram o desafio.

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Sobre Niara de Oliveira

ardida como pimenta com limão! marginal, chaaaaaaata, comunista, libertária, biscate feminista, amante do cinema, "meio intelectual meio de esquerda", xavante, mãe do Calvin, gaúcha de Satolep, avulsa no mundo. Ver todos os artigos de Niara de Oliveira

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