Sobre a imobilidade diante do terror

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Dia 08 — O livro mais assustador que você já leu
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Foi só pensar em um livro de terror e lembrar da minha sensação quando li o Diário de Anne Frank, o livro de não-ficção mais lido no mundo todo, perdendo apenas para a bíblia (e aqui há controvérsias sobre a bíblia ser ou não ficção — estou só inticando, ok?).

A descrição dos horrores feita pela adolescente Annelisse Maria Frank, judia alemã, sobre os dois anos em que viveu escondida com a família em Amsterdam, juntamente com revelações de seus sonhos, angústias e contradições próprias da adolescência, é de fazer perder o fôlego. Anne  morreu num campo de concentração com apenas quinze anos no dia 31 de março de 1945 — a Segunda Grande Guerra Mundial terminaria poucos meses depois. O pai de Anne, Otto Heinrich Frank foi o único sobrevivente da família e publicou o diário da filha como era o seu desejo.

Essa história, que todo mundo conhece ou já ouviu falar, li aos treze anos e muitas vezes tentei me colocar no lugar de Anne, mas eu sequer conseguia chorar com o livro, tal era o espanto e o terror que me causou. Por causa deste livro assisti a todos os filmes sobre o holocausto judeu que me apareceram pela frente. Até hoje assisto, confesso.

É muito difícil escrever sobre o espanto, sobre o que nos choca e imobiliza. Ainda hoje fico imóvel diante de um exemplar desse diário, que mesmo sendo uma história real mantém ares de surreal.

Em sua última anotação, no dia 1º de Agosto de 1944, Anne descreve-se como “um feixe de contradições”.

“Sei exatamente como gostaria de ser, como sou… por dentro. Mas infelizmente só sou assim comigo própria. E talvez seja por isso – não, tenho a certeza que é por isso – que penso em mim como uma pessoa feliz por dentro, enquanto os outros pensam em mim como feliz por fora”.

O esconderijo onde Anne se escondia com seus familiares foi descoberto e invadido pelos nazistas três dias depois dessa anotação.

Baixe aqui o Diário de Anne Frank em pdf.

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Também estão participando da brincadeira a Luciana do Eu Sou a Graúna, a Tina do Pergunte ao Pixel, a Renata do As Agruras e as Delícias de Ser, a Rita do Estrada Anil, a Marília do Mulher Alternativa, a Grazi do Opiniões e Livros, a Mayara do Mayroses e a Cláudia do Nem Tão Óbvio Assim. E tem mais a Fabiana Nascimento que posta em notas no seu perfil no Facebook. Mais alguém?

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Sobre Niara de Oliveira

ardida como pimenta com limão! marginal, chaaaaaaata, comunista, libertária, biscate feminista, amante do cinema, "meio intelectual meio de esquerda", xavante, mãe do Calvin, gaúcha de Satolep, avulsa no mundo. Ver todos os artigos de Niara de Oliveira

2 respostas para “Sobre a imobilidade diante do terror

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