Do ciúme e da nossa igualdade

Alguns sentimentos são capazes de nos trazer a humanidade e à humanidade.

Temos a ilusão quase o tempo todo de que somos seres especiais, diferenciados dos demais, destacados na multidão. Desejamos ser para algumas pessoas seres especiais, pelo menos durante algum tempo.

Eis que em algumas ocasiões ele aparece. Esse sentimento odioso e desprezível, que nos coloca no mesmo patamar de todos os outros humanos. Hoje não sou nada mais, nada além, do que qualquer outra mulher que se sente preterida, deixada de lado por outra mulher ou por outra coisa no momento mais interessante.

Costumo dizer que não sou ciumenta e é verdade. Quase sempre segura de mim e da importância que tenho para as pessoas de quem gosto, permaneço imune à coisas que fariam qualquer outra mulher enlouquecer. Mas tem pessoas que aparecem na vida para jogar toda essa segurança e autoconfiança por terra. Algumas dessas pessoas tem a mania, vivem com a disposição de provar que a tal mulher independente, dona de si e segura do terceiro milênio não passa de um mito.

Calma aí, rapazes! O ciúme em mim é tão passageiro quanto o complexo de cinderela ou o bom humor pela manhã.

Fui ali cuidar do que é importante na vida. Outra hora lembro – ou alguém me lembra – de ser humana e “mulherzinha” de novo.

Pronto. Desabafei.

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Sobre Niara de Oliveira

ardida como pimenta com limão! marginal, chaaaaaaata, comunista, libertária, biscate feminista, amante do cinema, "meio intelectual meio de esquerda", xavante, mãe do Calvin, gaúcha de Satolep, avulsa no mundo. Ver todos os artigos de Niara de Oliveira

6 respostas para “Do ciúme e da nossa igualdade


  • e outra hora me lembro.
    é assim msm.
    bom texto.

  • henrique

    Parabens, gostei do desabafo. Porém, saiba que independente de como nos tratem ou como nos vejam, seremos sempre nós, com defeitos mas com virtudes que não nos faz melhor do que ninguém, embora bastante diferente para sermos unicos e importantes. A vida é uma roda gigante na qual devemos aprender com as subidas e descidas, pois nada deve mudar aquilo que há dentro de nós.

  • Lucia

    todo mundo sabe, mas vou repetir: o ciúme é uma merda maior do que a inveja. quem sente sofre muito, e as vezes até mais que a vítima do ciúme.

    eu também, sinto, mas dentro do normal. porém, como detesto esse sentimento, eu evito. como? me ocupando de alguma coisa que não seja pensar.

    e, ao contrário do que vc afirma no texto, eu não penso que sentir ciúme é coisa do momento mulherzinha. ciúme é um sentimento natural mais que humano, pois até cachorro sente.

    agora chega! vamos continuar mantendo a nossa fama de malíginas. rá!!!

    Lu

  • Elaine Berti

    Seu texto está excelente, principalmente porque ele é tão sincero e realista… Minha cara amiga, o ciúme não faz de nós reles mortais mais do que já somos; ele deve ser saúdavel e controlável, mas existir o ciúme é tão natural quanto o próprio ser humano, e tanto no mundo das “mulherzinha” quanto no dos “machões” ele estará presente; e pasme até as mulheres mais poderosas e de alto estima elevadíssimas um dia foram tocadas pela flecha do ciúme! Rá! Não tem jeito não inventaram uma vacina contra um dia de fragilidade e um momento de ciúme, o melhor que temos a fazer é: depois de passado o surto, dar risada do momento de ciúme é sempre um santo remédio (receita caseira) rsrsrsrsrs.
    Beijão pra vc minha amiga!!!!

  • LFAO

    Pimenta quer conhecer um truque supimpa?
    Será uma explanação sumaríssima mas entendível.
    Considerar uma “escadinha” de dois degraus (patamares):
    – o primeiro (inferior) representa a “ironia”;
    – o segundo (superior) representa o “cinismo”.
    Considerar outra “escadinha” de dois:
    – o primeiro representa “ciumes”;
    – o segundo representa “amor”.
    Corresponder as duas:
    – primeiro para “ironia” e “ciumes”;
    – segundo para “cinismo” e “amor”.
    Considerar assim:
    – “ciumes” e “ironia”: tudo a ver;
    – “amor” e “cinismo”: tudo a ver.
    Conceituar assim:
    – “ironia” é o modo duma pessoa influir noutra pessoa;
    – “cinismo” é o modo duma pessoa induzir noutra pessoa.
    Correspondendo:
    – “ciumes” pode influir “ironicamente”;
    – “amor” pode induzir “cinicamente”.
    Vejamos como proceder numa relação masculino “versus” feminino.
    Reparar que se coloca “versus” para caracterizar uma relação de “embate”.
    Reparar que “embate” indica nunca haver “empate” entre masculino e feminino.
    Vejamos o modo das expressões criarem contexto:
    – desde “ciumes” numa relação de “embate” de dá o avanço para “amor”;
    – desde “ironia” uma relação de “embate” dá o avanço para “cinismo”.
    Reparar inexistência de juizo de valor às expressões; evitar “bom, ruim, preferível”; reparar que se adota um dogmático “assim é a natureza humana e fim de papo”.
    Atenção agora para situações de fenômeno; considerar duas pessoas (masculino e feminino) numa estável relação de “amor”:
    – para exercício, digamos que uma delas sinta “ciumes”;
    – dá de ver que a pessoa se mudou para patamar inferior (caiu, desceu);
    – estava segura de si no patamar “amor” só que retrocedeu para “ciumes”;
    – ao sentir “ciumes” a pessoa esperta (que sabe das coisas) reage;
    – a pessoa reage por condicionamento: decide tomar iniciativa pela “ironia”;
    – é que enquanto “irônica” ela consegue neutralizar o “ciumes”;
    – não pode haver dúvidas que a iniciativa tem a ver com a pessoa amada;
    – certo que a pessoa amada ainda se encontra no patamar superior do “amor”;
    – só que importa mesmo é “arrastar” a pessoa amada para o patamar abaixo;
    – o objetivo é fazer com que a pessoa amada se posicione na “ironia”;
    – o embate então ficará equilibrado numa relação com “ironia”, ironicamente divertido;
    – e assim com o equilíbrio restaurado…
    – recomeçar em modo novidadeiro, em busca do patamar que interessa do “amor”.
    Divirta-se com essa, Pimenta!

  • Gilson Moura Junior

    onde assino?

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