Crise na Venezuela

Excelente e esclarecedora entrevista com o sociólogo Edgardo Lander sobre a crise da Venezuela e análise do chavismo. É difícil ficar apenas com a versão de bandido e candidato a ditador passada pela grande imprensa ou, em contrapartida, com o endeusamento de Hugo Chávez por setores da esquerda. A prudência indica: nem tanto ao mar, nem tanto à terra. A entrevista está publicada no Outras Palavras.

O chavismo em seu curto-circuito

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O sociólogo Edgardo Lander examina, no Fórum Social Mundial, as causas da nova crise venezuelana. Para ele, a esquizofrenia do processo bolivariano está na origem das turbulências; e os próximos seis meses podem redefinir o futuro político do país
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Antonio Martins, Brunna Rosa e Rita Casaro
Outras Palavras
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Em Porto Alegre, no mesmo palco onde participou há pouco do seminário que avalia os dez primeiros anos do Fórum Social Mundial, o sociólogo venezuelano Edgardo Lander concede agora uma entrevista sobre a crise em seu país. Ao ouvir a pergunta, o corpo que sustenta este rosto tenso, de testa larga e pelos grisalhos, inquieta-se. Lander se remexe na poltrona, para ficar ereto; emite um suspiro e começa a descrever, com detalhes e nuances, o que quase nunca aparece na mídia. Nem a oficial, que vê em Chávez um demônio a ser exorcizado, nem a de certa esquerda, que quase sempre trata o presidente como anjo redentor.

“O processo político venezuelano continua marcado por uma profunda esquizofrenia”, pensa este professor da Universidade Central da Venezuela e membro do Conselho Latinoamericano de Ciências Sociais (Clacso). “A mobilização social desencadeada desde a posse de Chávez despertou da apatia as maiorias. Elas sentem-se donas do país. Milhões de pessoas, antes submissas, querem opinar. E o fazem, nos Conselhos Comunais, Comitês de Água, ou espaços abertos para debater as políticas de Saúde e Educação.

“No entanto, a mobilização foi desencadeada pelo Estado e dele depende fortemente”, continua Lander, que também é um dos articuladores assíduos e inspirados dos Fóruns Sociais das Américas. Ele dá exemplos: “Os Conselhos Comunais, pedra de toque do novo processo político, costumavam encarar a sério todas as propostas de debate lançadas pelo presidente. Mas que fazer se, em meio a uma polêmica intensa, os integrantes de um Conselho ligam a tevê e vêem o presidente anunciar, garboso, que ya decidió a questão em que estavam mergulhados? Não é natural que se enxerguem como meros figurantes?”, pergunta o sociólogo.

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Sobre Niara de Oliveira

ardida como pimenta com limão! marginal, chaaaaaaata, comunista, libertária, biscate feminista, amante do cinema, "meio intelectual meio de esquerda", xavante, mãe do Calvin, gaúcha de Satolep, avulsa no mundo. Ver todos os artigos de Niara de Oliveira

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