Contradições…

A foto acima é da marcha de abertura do Fórum Social Mundial, em Porto Alegre anteontem, 25, foi registrada pelo amigo Pedalante e por ele enviada num e-mail. Um pouco antes de receber a foto ontem (26), fiquei sabendo pelo tuíter especial da Zero Hora de cobertura do FSM (@FSM_ZH) que houve “tentativas de abuso sexual” no Acampamento Internacional da Juventude. Retuitei. Logo depois, o perfil da Marcha Mundial das Mulheres (@marchamulheres) envia tuíte perguntando: “de novo? sempre acontece isso nos acampamentos =( ”

Um pouco mais tarde, o perfil @FSM_ZH relata que para encontrar um papel jogado no chão no mesmo Acampamento Internacional da Juventude, precisou andar mais de vinte minutos e destaca isso como sendo um “ótimo exemplo”. E é mesmo! Mas não é contraditório? Essa juventude, que incorporou um novo comportamento com relação ao planeta – que é uma preocupação ralativamente nova para a esquerda, ainda não assimilou um novo comportamento com relação às mulheres. Não é de se estranhar que mesmo com uma lei específica para coibir a violência contra a mulher, os casos só aumentem. É lamentável que essa juventude, dita de esquerda e revolucionária, não tenha com as mulheres os mesmos cuidados que tem com o planeta.

Quando é que as mulheres deixarão de serem vistas como coisas, como simples objeto do desejo masculino? E por que só li essa informação na chamada grande imprensa ou mídia burguesa – expressão mais frequente nos discursos da esquerda? Por que os jornalistas da chamada imprensa alternativa, de esquerda, da blogosfera, não fizeram a denúncia?

Como resposta a todas essas perguntas me aproprio do slogan da Marcha Mundial das Mulheres para dizer que “seguiremos em marcha até que todas sejamos livres”. Esse “outro mundo” tão propagado pelo FSM, só será possível ser construído quando as mulheres forem livres, donas de seus corpos e sexualidade. A mudança começa no dia a dia, no comportamento de cada um.


Nota: Segundo as informações do repórter Paulo Germano (acampado) e repassadas ao @FSM_ZH, todos os envolvidos no caso foram expulsos do acampamento.

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Sobre Niara de Oliveira

ardida como pimenta com limão! marginal, chaaaaaaata, comunista, libertária, biscate feminista, amante do cinema, "meio intelectual meio de esquerda", xavante, mãe do Calvin, gaúcha de Satolep, avulsa no mundo. Ver todos os artigos de Niara de Oliveira

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