O FSM e as nossas esperanças

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Começou hoje em Porto Alegre o Fórum Social Mundial 10 anos. Na verdade não é o décimo FSM – que teve sua primeira edição em 2001 -, mas é o início das atividades para a décima edição que será a mais longa da história. Por isso também o retorno a Porto Alegre e o seminário de avaliação (veja programação) das conquistas nesses nove anos na construção de um outro mundo.

Os avanços são inegáveis. Pessoas que não eram vistas e ouvidas, hoje fazem parte da agenda mundial de contestação à ordem vigente e de protesto contra injustiças. O FSM rompeu preconceitos, aproximou culturas e promoveu uma interatividade mundial nunca antes sonhada. Muitos dos excluídos de antes, hoje caminham juntos em defesa daqueles que ainda não tem acesso aos recursos disponíveis no mundo e nem mesmo ao próprio FSM.

marcha de abertura FSM 2010, Porto Alegre

Como disse hoje pela manhã, no seminário de abertura do Fórum, a uruguaia Lilian Celiberti, da Articulação Feminista Mercosul, “no FSM ainda há mais homens, mais brancos, mais heterossexuais. (…) Sou a favor do anti-imperialismo. Mas não basta. É preciso falar do anti-racismo, anti-patriarcalismo, anti-homofobia. (…) Dificuldade não está só no inimigo externo, mas nas práticas capitalistas que os próprios movimentos adotam no dia a dia”. E como Lilian mesmo lembrou em sua fala, “a diversidade se impôs” também no FSM.  E não poderia ser diferente. Num espaço criado para servir de fomentador da transformação da ordem mundial, da construção de um mundo justo e solidário, baseado na lógica humana e não do capital, surgem pequenos personagens que se destacam. Pessoas que tentam com o seu exemplo provar que outro mundo é possível.

Pedalantes por um mundo melhor


Estou falando de quatro adoráveis malucos, que decidiram ir pedalando até Porto Alegre para participar do FSM 2010. Dois deles partiram de São Paulo no dia 7 de janeiro, Antonio Lacerda Miotto (@pedalante, no Twitter) e Mathias Fingermann. No dia 11, em Joinville, se juntou ao grupo Giorgio Testoni e em Floripa, no dia 14, Victor Barreto completou o quarteto que chegou a Porto Alegre pedalando no último dia 22.

Giorgio, Antonio, Mathias e Victor (abaixado), no Alto Araçás em Floripa - foto: Edu Green

Mathias Fingermann e o hotdog vegano

Durante a viagem foram consumidos quase dez litros de água de coco, quatro litros e meio de caldo de cana, três melancias, além de muitos “X-mico” ou hotdog vegano (pão com banana). Diariamente cada um comeu pelo menos duas bananas. Esse foi o combustível extra para a viagem, dificultada pelas chuvas fortes e o vento sul que castigaram os ciclo-viajantes.

Antonio Miotto, o 'pedalante'

Segundo o pedalante Antonio Miotto – 43 anos, vegetariano e professor universitário -, o objetivo da viagem é inserir a discussão da bicicleta como meio de transporte no meio urbano. Essa discussão sobre mobilidade urbana se faz cada vez mais necessária quando as pessoas perdem cada vez mais tempo, presas no trânsito caótico das grandes cidades. Amanhã, 26, eles farão uma palestra no auditório da Secretaria Municipal de Esportes de Porto Alegre, às 19h30, promoção da Sociedade Audax e Poabikers.com.br.

Giorgio Testoni

Mathias Fingermann, 23 anos, é professor de educação infantil e não come carne vermelha. Victor Barreto, 39 anos, é analista de projetos sociais e também não come carne vermelha. Giorgio Testoni, 23 anos, é estudante universitário é o único onívoro do grupo.

Victor Barreto

Esses “malucos” são os mais certos entre nós. Mudaram suas vidas, seu jeito de viver e tentam socializar sua experiência com outras pessoas. Usando apenas uma bicicleta como arma, tentam mudar o mundo e nos enchem de esperança de que é mesmo possível construir uma alternativa para a humanidade. “Bora” fazer alguma coisa também?

As fotos são da galeria pedalfsm2010 e pedalfsm. Mais detalhes sobre as propostas do ciclo-turismo, mobilidade urbana e o início dessa aventura no blog Pedalante e no blog pedalfsm2010 (atualizado durante a viagem).

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Sobre Niara de Oliveira

ardida como pimenta com limão! marginal, chaaaaaaata, comunista, libertária, biscate feminista, amante do cinema, "meio intelectual meio de esquerda", xavante, mãe do Calvin, gaúcha de Satolep, avulsa no mundo. Ver todos os artigos de Niara de Oliveira

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