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Mademoiselle Pogany, de Constantin Brancusi

Mademoiselle Pogany, de Constantin Brancusi - 1913

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Constantin Brancusi – Pioneiro da escultura abstracta, tentou chegar às formas mais despojadas, libertando-se das aparências de superfície para revelar a beleza intrínseca dos próprios materiais utilizados. Brancusi nasceu em Hobita, Romênia, em 21 de fevereiro de 1876. Descendente de uma família de camponeses, na infância foi pastor de ovelhas e aprendeu a ler e escrever sozinho. No segundo trimestre de 1904, após breve permanência em Munique, foi a pé para Paris, onde passou a maior parte da vida. A princípio trabalhou num restaurante e, como cantor, na Igreja Ortodoxa. Até 1907, estudou com Antonin Mercié, escultor acadêmico de tradição florentina. Recusou-se a frequentar o atelier de Rodin, por desejar romper com o naturalismo. A partir daí, graças sobretudo a suas relações com artistas de vanguarda, como Max Jacob, Apollinaire, Picasso, Léger e Modigliani, Brancusi criou estilo próprio, abandonando o nu e toda a temática romântica. Sua arte é primitiva. (1876 – 1957)


Relicário de Amélia

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Do Estrelário de Madu Lopes.


O Semeador de Estrelas

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Em uma praça da velha cidade de Kaunas, na Lituânia, há uma estátua de bronze, herança dos tempos da dominação soviética sobre o país (1795, 1920, 1940, 1944-1991), que chama a atenção de quem passa. É a estátua de um homem que, durante a noite, “semeia estrelas”. Desde que foi esculpida e colocada lá, ficou conhecida como a estátua do “Semeador de Estrelas”.
Kaunas, capital da Lituânia, em 1920 (atualmente é Vilnius), foi fundada, provavelmente, no século XIII. Durante sua agitada história, reduziram-na a cinzas diversas vezes e das cinzas renasceu, tendo sido dominada sucessivamente pela Polônia, Alemanha e Rússia. Nos anos 1915-1918 e 1941-1944, esteve ocupada pelos exércitos alemães. Está situada na confluência do rio Vilija com o Niemen, no Báltico, Europa ocidental.
Durante o dia a estátua não chama a atenção de ninguém, sejam moradores locais, de outras cidades e, até mesmo, turistas que todos os dias chegam à Lituânia e visitam Kaunas. Mas, à noite e com o facho de luz sobre ela, é possível ver as estrelas cintilando e flutuando no espaço, à medida que nos dá a impressão de que o homem semeia, com a mão direita, enquanto que, com a esquerda, segura o embornal onde, presume-se, contém outras estrelas.
As estrelas se projetam logo atrás dele, a partir do seu lado direito, criando um mundo de sonhos e ilusão, como se, num passe de mágica, saíssem do embornal ou caíssem do céu, diante de nossos olhos.
Nunca pensei que alguém pudesse semear estrelas, ainda mais em praça pública. Mas, o homem da estátua de Kaunas, semeia. Basta a noite chegar.
Devido à aparência de “estátua velha”, por ser de bronze e oxidada pela ação do tempo, passa praticamente incógnita durante o dia, como qualquer outra estátua da praça. Mas, assim que a noite chega e a luz é acesa, acontece o milagre da transformação e o encanto da ilusão, que fascina e provoca suspiros de admiração nos visitantes, como se ganhasse vida e os convidasse para, com sua magia encantadora, semear estrelas também. E, então, se transforma em ponto de encontro e referência para quem passa, justificando seu título, cujo autor ninguém sabe. É a escuridão, com um único facho de luz sobre ela, que parece lhe dar vida à noite e que a tirou do anonimato. (…)
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(texto de Fernando de Almeida Silva)
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Nota: Uma amiga muito querida enviou essas fotos num imeiu. Fui pesquisar para saber mais da sua história e vi que se repete de tempos em tempos em vários sítios e blogues. Mas é tão lindo, que não resisti a publicar. A frase final que acompanha as fotos na maioria das publicações é essa: “Que possamos ver sempre além daquilo que está diante de nossos olhos, hoje e sempre.” – Parece mensagem de livro de auto ajuda, mas faz sentido diante das fotos.
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Para acompanhar, a gravação original de Estrela, Estrela de Vitor Ramil:
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Deem uma chance a paz!

Fotografias famosas do séc. XX

No dia 26 de maio de 1969, John Lennon e Yoko Ono, fizeram o seu mais famoso protesto, na cama. Alguns meses antes do fim dos Beatles, o músico e a artista plástica ocuparam as suítes 1738 e 1742 do Queen Elizabeth Hotel, em Montreal, Canadá. Era o segundo “bed-in” (ou Bed – Ins for Peace), nome dado para um protesto pacífico contra a guerra e para promover a paz criado por John e Yoko que consistia, basicamente, em passar alguns dias sobre o colchão e sob os flashes de fotógrafos do mundo todo. Com o ato, embalavam em ironia o recado vital em tempos de Guerra do Vietnã: “Para que perder o sono com a paz mundial?”. Durante uma semana o casal recebeu diversos artistas, amigos e personalidades que se juntaram ao coro para gravar o hino “Give Peace a Chance”, em 1° de junho. A faixa alcançou a 14ª posição nas paradas da Billboard. Em meio a muitas fotos, todas muito parecidas, não foi possível identificar o autor.

 

"Bed-In" de John e Yoko na versão em lego, feita pelo artista plástico britânico Mike Stimpson

 

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A leitura genial de Latuff sobre a tragédia no Rio…

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Estava pensando em escrever sobre a tragédia do Rio de Janeiro, o descaso dos desgovernos e principalmente a cobertura duvidosa da imprensa brasileira. Não será preciso. O genial Carlos Latuff traduziu tudo o que eu queria dizer em três cartuns. Acompanhem.
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Cobertura da tragédia no Rio: Mais cadáveres = Mais audiência

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Enquanto isso, os abutres da imprensa sobrevoam o Morro do Bumba

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A tragédia das chuvas no Rio: O que importa mesmo é que as Olimpíadas estão garantidas!

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As legendas são do prório Latuff e acompanham as imagens em sua página no tuíter.
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Meu esconderijo nesses dias…

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Portas abertas,
respiro de dentro…
Corredores infinitos de um pequeno lar colorido.
Labirintos decorados…
Nesta casa de vento e sonhos,
sopram cantos nos cantos.
Sua moradora é sua morada.
Quando vai sair, leva seu labirinto na bolsa…
quando chega sopra a chave e entra.

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Arte e texto de Madu Lopes


Bloqueio versus preguiça mental

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Serpentes D’água II, de klimt

Não consigo blogar desde a madrugada de domingo. Estou sofrendo de uma espécie de bloqueio que me impede de escrever e desenvolver qualquer raciocínio, mesmo tendo muitos assuntos e fatos que estejam me indignando e que, normalmente, me inspirariam. Mas estou tentando me disciplinar para recomeçar a escrever a partir de hoje. Espero conseguir. Mas sempre que não conseguir escrever, tentarei pelo menos postar sobre arte e música. Obrigada pela paciência e por não deixarem de visitar o Pimenta com Limão.


Protesto silencioso

Fotografias famosas do séc. XX

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Thich Quang Duc nascido em 1897 e originalmente batizado de Lâm Van Tuc, era mais conhecido como monge Mahayana. Ele ateou fogo ao próprio corpo em um processo de auto imolação em 11 de junho de 1963, em Saigon – Vietnã do Sul, contra a política de perseguição religiosa promovida pelo governo de Ngo Dinh Diem. Enquanto seu corpo ardia sob as chamas, ele manteve-se completamente imóvel, não gritou e nem emitiu qualquer ruído.
Chocado com o horror da cena e o cheiro da carne queimada, o fotógrafo Malcolm Browne tirou quatro filmes de fotos do monge. Esta foto lhe rendeu os prêmios Pulitzer e Foto do Ano da World Press Photo de 1963. A mesma imagem foi usada como capa do primeiro CD da banda americana Rage Against the Machine. O repórter David Halberstam que testemunhou e escreveu sobre o protesto também recebeu um Pulitzer.
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A auto imolação do monge Mahayana na versão em lego, feita pelo artista plástico britânico Mike Stimpson


Uma flor pela paz

Fotografias famosas do séc. XX


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A adolescente americana, Jan Rose Kasmir, aos 17 anos, enfrenta os soldados americanos da Guarda Nacional fora do Pentágono com uma flor nas mãos, durante o protesto anti-Vietnã, em março de 1967. A ousadia de Jan Rose, que pensava colocar a flor no cano da arma de um dos soldados à sua frente, foi registrada pelo fotógrafo francês Marc Riboud, um apaixonado pela notícia e pelo seu envolvimento em situações históricas.
Kasmir vive atualmente com a sua família na Dinamarca e ainda é comprometida com os mesmos ideais de sua juventude. Ela foi fotografada novamente por Riboud em outro protesto pela paz, dessa vez em Londres, durante as manifestações por Liberdade para a Palestina e pelo fim da Guerra do Iraque, em 15 de fevereiro de 2003.
O trabalho de Marc Riboud, atualmente com 86 anos, pode ser conhecido em seu site.
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O protesto de Jan Rose Kasmir na versão em lego, feita pelo artista plástico britânico Mike Stimpson


A menina afegã

Fotografias famosas do séc. XX

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A menina de olhos expressivos foi fotografada quando tinha 12 anos pelo fotógrafo Steve McCurry, em junho de 1984. Ela estava no acampamento de refugiados Nasir Bagh do Paquistão durante a guerra contra a invasão soviética. Sua foto foi publicada na capa da National Geographic em junho de 1985 e, devido a seu expressivo rosto e olhos verdes, a capa converteu-se numa das mais famosas da revista e do mundo. Sharbat Gula regressou ao Afeganistão em 1992 e vive hoje numa aldeia, é casada e mãe de três filhas.

A menina afegã na versão em lego, feita pelo artista plástico britânico Mike Stimpson


Guernica

Essa é uma das pinturas mais conhecidas de Pablo Picasso e, em minha modesta opinião, também a mais bonita. Foi pintado em 1937 e exibido pela primeira vez na Exposição Internacional de Paris, no pavilhão da República Espanhola. Óleo sobre tela do estilo cubista, nas cores preto e branco, mede 350cm x 782cm e retrata todo o horror de Picasso com o bombardeio sofrido pela pequena cidade espanhola Guernica, em 26 de abril de 1937, por aviões nazistas em apoio ao ditador Francisco Franco.

"Guernica", de Pablo Picasso, atualmente está exposta no Centro Nacional de Arte Rainha Sofia, em Madri

Sua composição retrata as figuras ao estilo dos frisos dos templos gregos, através de um enquadramento triangular das mesmas. O posicionamento diagonal da cabeça feminina, olhando para a esquerda, remete o observador a dirigir também seu olhar da direita para a esquerda, até o lampião trazido ainda aceso sobre um braço decepado e, finalmente, à representação de uma bomba explodindo.

“Não, a pintura não está feita para decorar os cômodos. É um instrumento de guerra ofensivo e defensivo contra o inimigo” – declarou Picasso sobre sua obra. Conta-se que, em 1940, com Paris ocupada pelos nazistas, um oficial alemão, diante de uma fotografia reproduzindo o painel, perguntou a Picasso se havia sido ele quem tinha feito aquilo. O pintor, então, teria respondido: “Não, foram vocês!”.

Costumo dizer, nos meus ataques de pretensão, que por vezes me enxergo nesta pintura. É uma de minhas preferidas e a uso como fundo no meu perfil no Twitter.

Acompanhe neste vídeo a pintura de Picasso em 3D. Boa viagem!


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