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Oriente Médio: Novo ataque a Gaza no horizonte

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Mel Frykberg
Revista Fórum
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Ramala, 21/1/2010 – Um novo ataque do Exército de Israel contra a Faixa de Gaza é iminente e seria ainda mais brutal do que a operação Chumbo Derretido do ano passado, alertam fontes israelenses e palestinas. A pergunta é se a nova agressão mudará algo e se as causas que levaram à sangrenta guerra há um ano deixaram de existir. Na última semana, as forças de defesa israelenses realizaram uma série de incursões terrestres e aéreas que deixaram cinco palestinos mortos, três deles membros confirmados da organização extremista Jihad Islâmica, e vários feridos.

Estas ações provocaram novos lançamentos de foguetes contra Israel a partir dos territórios palestinos. Trata-se da maior escalada da violência entre esse país e a resistência palestina desde a operação Chumbo Derretido. O ministro israelense da Defesa, Ehud Barak, advertiu publicamente a organização islâmica Hamas para “ter cuidado”. Por sua vez, Jalid Al Batsch, líder da Jihad Islâmica, divulgou uma declaração em Gaza afirmando que “o ataque israelense indica claramente que Israel se prepara para uma grande operação militar na Faixa e busca apoio internacional para sua agressão por meios políticos e com campanhas na imprensa”.

“A contagem regressiva para a segunda guerra de Gaza começou”, afirmou o colunista e analista israelense Bradley Burston no jornal israelense Haaretz. “Outra guerra de Gaza não seria apenas fatal para o que resta da credibilidade moral de Israel, mas também enfraqueceria e paralisaria as ofensivas político-militares do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, no Iraque, Afeganistão e, mais abaixo da colina, Iêmen, prevê Burston. Sua especulação se baseia em recentes declarações e análises de altas fontes militares de Israel, que haviam feito comentários semelhantes antes do ataque a Gaza, em janeiro de 2009, segundo o jornalista.

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Comboio humanitário em Gaza

cartuns de Latuff no comboio humanitário em Gaza

Na faixa de Gaza, os carros do comboio humanitário usam as imagens do cartunista brasileiro Carlos Latuff. Como bem observou Conceição Oliveira, “é realmente impressionante como Latuff tem reconhecimento mundial em todos os espaços em que as pessoas estão unidas para lutar contra as injustiças”.


A mídia nazista do séc. XXI

Seriam os israelenses os novos nazistas? Estariam os judeus indo à forra por tudo que sofreram durante o Holocausto na Segunda Guerra Mundial? Perguntas complicadas de se fazer sem parecer estar ateando fogo a uma disputa já incendiária. Mas diante deste conflito, a opção é pelo lado mais fraco, os palestinos. Não os vejo como terroristas simplesmente porque não se deixam vitimizar e exterminar por Israel, como fizeram os judeus diante da Alemanha nazista.

Provavelmente os israelenses não são os novos nazistas porque eles não teriam a oportunidade de chacinar os palestinos sem uma reação à altura. É essa incapacidade de se deixar vitimizar que faz os palestinos – seres tão “perigosos” – serem execrados pela opinião pública mundial influenciada pelas grandes corporações midiáticas. Eles não se deixam barbarizar sem dar o troco na mesma moeda ou pelo menos tentar, uma vez que não há como comparar o poder político e de fogo israelense – estado constituído e apoiado pelos EUA – contra um povo despatriado e vigiado.

A paz no Oriente Médio está longe de se tornar viável. Mas é preciso que o mundo entenda que se os palestinos aceitassem todos os absurdos exigidos por Israel para a construção da paz, eles seriam exterminados. Israel não abrirá mão de um centímetro de Jerusalem e nem dos territórios ocupados na Cisjordânia. O mundo aceita passivo os ataques de Israel contra os palestinos e grita a cada reação palestina contra israelenses. Ou seja, o mundo diz claramente aos palestinos que só lhes cabe morrer nessa guerra. E eles preferem morrer lutando contra o invasor/opressor do que morrer de joelhos, como os judeus diante de Hitler.

Dizem que o Holocausto judeu só aconteceu porque a imprensa não dispunha dos recursos que dispõe hoje. Mas o mundo, hoje, assiste a barbárie contra o povo palestino e vê outra coisa. As imagens dos muros que cercam a Faixa de Gaza e delimitam o espaço do povo palestino são ainda mais chocantes do que as imagens do Gueto de Varsóvia. No entanto, o mundo não se choca porque junto com as imagens há uma leitura deturpada, preconceituosa contra um povo islâmico e não ocidental.

Vítima tem que cumprir o seu papel. A vítima que ousar se rebelar contra seu opressor não é tão vítima assim e, portanto, não é merecedora de compaixão ou solidariedade a sua dor.

Essas vítimas ‘não tão vítimas’ que não aceitam sua opressão caladas, acabam com a grande encenação dicotômica ocidental entre o bem e o mal. Sua ousadia faz com que o mundo deixe de ser uma novela, um filme onde existem vilões e mocinhos com seus papéis bem delimitados. Como entender o conflito no Oriente Médio sem eleger vilões e mocinhos?

Pois sejam bem-vindos ao mundo real, humano, onde o bem disputa espaço com o mal dentro de cada um. Somos bons e maus ao mesmo tempo, bonitos e feios, gentis e agressivos. O povo palestino não seria a vítima da vez não fosse por estar em condições desiguais de luta contra os israelenses. Não bastasse o poderio bélico e econômico de Israel, os judeus ainda contam com o apoio incondicional dos EUA e do mundo contra os terríveis e sanguinários terroristas palestinos.

Os israelenses não são os novos nazistas. Os nazistas do século XXI são as grandes corporações midiáticas, que condenam um povo à barbárie sem direito a defesa. Em sua cruzada “santa” contra o povo palestino, a grande mídia não utiliza campos de concentração, câmeras de gás ou fornos para exterminar suas vítimas. Utiliza um método mais “limpo”: segue a risca doze regras de redação sobre fatos do Oriente Médio noticiados ao mundo. Seguem elas:

Um: No Oriente Médio, são sempre os Árabes que atacam primeiro e sempre Israel que se defende. Esta defesa chama-se represália.

Dois: Os Árabes, Palestinos ou Libaneses, não tem o direito de matar civil. Isso se chama “Terrorismo”.

Três: Israel tem o direito de matar civil. Isso se chama “Legitima Defesa”.

Quatro: Quando Israel mata civis em massa, as potências ocidentais pedem que seja mais comedida. Isso se chama “Reação da Comunidade Internacional”.

Cinco: Os Palestinos e os Libaneses não têm o direito de capturar soldados de Israel dentro de instalações militares com sentinelas e postos de combate. Isso se chama “Seqüestro de Pessoas Indefesas”.

Seis: Israel tem o direito de seqüestrar a qualquer hora e em qualquer lugar quantos Palestinos e Libaneses desejar. Atualmente são mais de 10.000 dos quais 300 são crianças, e 1.000 são mulheres. Não é necessário qualquer prova de culpabilidade. Israel tem o direito de manter os seqüestrados presos indefinidamente, mesmo que sejam autoridades democraticamente eleitas pelos Palestinos. Isso se chama “Prisão de Terroristas”.

Sete: Quando se menciona a palavra “Hezbollah”, é obrigatório a mesma frase conter a expressão “apoiado e financiado pela Síria e pelo Irã”.

Oito: Quando se menciona “Israel”, é proibida qualquer menção à expressão “apoiada e financiada pelos Estados Unidos”. Isso pode dar a impressão de que o conflito é desigual e que Israel não está em perigo existencial.

Nove: Quando se referir a Israel, são proibidas as expressões “Territórios Ocupados”, “Resoluções da ONU”, “Violações de Direitos Humanos” ou “Convenção de Geneva”.

Dez: Tanto os Palestinos quanto os Libaneses são sempre “covardes” que se escondem entre a população civil, a qual “não os quer”. Se eles dormem em suas casas com as sua famílias, a isso se dá o nome de “Covardia”. Israel tem o direito de aniquilar com bombas e mísseis os bairros onde eles estão dormindo. Isso chama “Ações Cirúrgica de Alta Precisão”.

Onze: Os Israelenses falam melhor o Inglês, o Francês, o Espanhol e o Português que os Árabes. Por isso eles e os que os apóiam devem ser mais entrevistados e ter mais oportunidade do que os Árabes para explicar as presentes Regras de Redação (de 1 a 10) ao grande público. Isso se chama de “Neutralidade Jornalística”.

Doze: Todas as pessoas que não estão de acordo com as Regras de Redação acima expostas são “Terroristas Anti-Semitas de Alta Periculosidade”.

Essas regras foram adaptadas de um texto em francês de autoria desconhecida e amplamente difundida na blogosfera. O resultado é conhecido por todos. Para que os judeus tivessem seu estado pós Holocausto, os palestinos é que pagaram a conta. Foram expulsos de suas casas e terras, confinados e quando reagem são rotulados de terroristas e tem o mundo inteiro contra eles. Não bastasse isso, a Cisjordânia está à beira de uma verdadeira explosão.

O relato é do jornalista Nicola Nasser, que trabalha em Bir Zeit, Cisjordânia, território palestino ocupado por Israel: “A consciência de terem sido traídos e abandonados é fermento explosivo na Palestina, sobretudo por causa do bloqueio político imposto pela ocupação militar direta dos territórios – o cerco contra a OLP e a Autoridade Palestina na Cisjordânia; e o violento bloqueio israelense imposto na Faixa de Gaza. Todas as condições estão maduras para a eclosão da violência mais brutal: uma 3ª intifada palestina na Cisjordânia, e novo ataque militar por Israel contra os cidadãos em Gaza.” (Continue lendo este relato)

A questão é: Se os judeus tem direito a um estado, a terem seu país e seu lugar no mundo, os palestinos também tem. Já passou da hora da criação do Estado da Palestina. E como estamos na véspera do Dia Mundial de Confraternização da Paz, desejo sinceramente que esse 1º de janeiro de 2010 seja bem diferente para os palestinos do que o de 2009.


* As fotos foram enviadas por grafiteiros da Faixa de Gaza e publicadas no blog Dialógico. Continue vendo as imagens…
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Os dois posts abaixo tratam do mesmo assunto. Acompanhe:


Israel prende coordenador da campanha “Stop the Wall”

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Agência Carta Maior
Redação
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Jamal Juma, coordenador da Campanha Stop the Wall, no FSM em Belém em janeiro de 2009 (Foto de Eduardo Seidl)

O governo de Israel prendeu, dia 16 de dezembro, Jamal Juma, coordenador da Campanha Stop the Wall, que luta pela derrubada do muro construído no meio do território palestino. Segundo informações do site da campanha, militares israelenses convocaram Juma para um interrogatório à meia-noite do dia 15 de dezembro. Horas depois, levaram-no de volta para sua casa. Juma foi mantido algemado, sob os olhos da esposa dos três filhos pequenos, enquanto soldados revistaram sua casa durante duas horas. Na saída, os soldados disseram a esposa de Juma que ela só voltaria a ver o marido quando houvesse uma troca de prisioneiros. Desde então, Juma permanece preso e proibido de falar com um advogado ou com a família, sem nenhuma explicação oficial para a sua prisão, denuncia a Stop the Wall.

Jamal, de 47 anos, nasceu em Jerusalém e dedicou a sua vida à defesa dos direitos humanos dos palestinos. Ele esteve este ano no Brasil, participando do Fórum Social Mundial, em Belém. Na ocasião, defendeu o boicote econômico a Israel como uma das armas prioritárias para defender os direitos do povo palestino. O foco principal do trabalho de Jamal é a capacitação das comunidades locais para defenderem os seus direitos em face de violações provocadas pela ocupação israelense. Ele é membro fundador de várias ONGs palestinas e redes da sociedade civil. Também é coordenador da Palestina Grassroots Anti-Apartheid Wall Campaign desde 2002. É muito respeitado pelo seu trabalho e foi convidado para numerosas conferências de entidades e da ONU.

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Sobrevivente do Holocausto em greve de fome por Gaza

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Agência EFE
Cairo
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Hedy Epstein, uma norte-americana de 85 anos, participa no Cairo do protesto contra a decisão do governo de Mubarak de impedir a entrada de auxílio ao território palestiniano. “Chega um momento na vida em que é preciso dar um passo extraordinário”, diz.

A veterana activista, cujos pais morreram no campo de concentração de Auschwitz em 1942, diz que com o seu gesto quer pressionar o governo egípcio “que está a impedir que 1.400 pessoas de 42 países entrem em Gaza”.

Hedy Epstein iniciou a greve de fome em frente à sede da ONU na capital egípcia. A activista norte-americana faz parte de uma iniciativa internacional na qual participam mais de 1.400 activistas de todo o mundo, que querem chegar a Gaza pelo Egipto para prestar solidariedade à população palestiniana a um ano do ataque israelita.

“Só queremos entrar em Gaza e dizer às pessoas que ali vivem: ‘Não estão sós, há pessoas que estão longe das famílias para estar convosco e fazer-vos saber que pensam em vós e vos apoiam”, diz.

Os activistas querem também levar ajuda médica e material escolar, e participar no dia 31 de Dezembro de uma marcha de solidariedade com o povo palestiniano e de denúncia do bloqueio que Israel, com o apoio do Egipto, tem imposto ao território ocupado.

A fronteira de Rafah, entre o Egipto e Gaza, está fechada desde meados de 2007 e só abre ocasionalmente por razões humanitárias.

(notícia divulgada em 28/12/2009)

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